segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O meu desgosto com o Brasil

Esse 07 de setembro deve marcar um momento de profunda reflexão sobre o nosso país e, no meu caso, de atestar o meu desgosto.
Sim, desgosto, essa é a palavra.
Passei os últimos anos acreditando que no Brasil não havia espaços para radicalismos, que o nosso povo prefere o diálogo ao reacionarismo, que o crescimento econômico dos últimos anos iria se prolongar por muitos outros, que continuaríamos um caminho de progresso independente do partido que estivesse no poder, mas estive retumbantemente enganado.
Por exemplo, 2015 marca a presença de uma xenofobia nunca antes observada. Não estou falando do recorrente e nojento preconceito contra nordestinos, mas nesse particular falo do racismo exercido contra haitianos. 
Nesse momento em que todos nos compadecemos com a morte do menino sírio em uma praia europeia, no Brasil, sobretudo no Centro-Sul, tem gente dizendo: "não venham pra cá", "imigrantes só trazem mazelas" e mais coisas do gênero.
Outro grande desgosto que tenho se refere à nossa institucionalidade.
Lendo sobre a nossa história do Séc. XX, vemos que de ano em ano tivemos golpes de Estado, todos com a ajuda ou com a participação direta das forças armadas e com apoio de uma certa classe média.
Foi assim em 30, 37 e 64, por exemplo.
Ingenuamente, pensei que isso estivesse superado, mas vejo, com o discurso do impeachment da Presidente Dilma, que não. A cultura do golpe está presente e parece que assim continuará por muitos anos. 
Explicando, faço minhas as palavras do Professor Joaquim Falcão, os impeachments, no mundo desenvolvido e no Brasil de 1992, ocorrem por que antes acontece um fato que gera uma crise política e daí o afastamento do Presidente. No Brasil de 2015, há uma crise política que procura um fato que justifique o afastamento.
Por isso, é golpe e desrespeito ao Estado Democrático de Direito.
Da mesma forma, outro capítulo à parte do meu desgosto é o que fazem com a nossa Constituição. Lá se vão mais de 90 emendas e nada de reformas tributária e política, algo que precisamos urgentemente.
Desgosto da corrupção, dos radicalismos, dos conservadorismos, da presença de homens como Eduardo Cunha e Renan Calheiros em postos tão elevados da nação, de um sistema político frágil e incapaz de gerar novas lideranças que nos levem a novos caminhos, de um povo majoritariamente iletrado. 
Somos um país atrasado, suscetível a instabilidades e a retrocessos.
Tenho desgosto e vergonha.

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