terça-feira, 5 de agosto de 2014

Primeiras impressões acerca da eleição presidencial de 2014

Inicialmente, de uma coisa estou gostando: a diferença entre os dois principais candidatos, Dilma e Aécio, é nítida. Nas últimas eleições presidenciais (2006 e 2010) os candidatos do PSDB, Alckmin e Serra principalmente, fizeram um esforço imenso de não se mostrarem, de não serem incisivos e de levarem a campanha inteira falando de aborto, de religião e de outras bobagens do gênero, enquanto o que de fato importava não era nem citado.
Todos sabemos, pelo histórico e pelos economistas que têm, que o PSDB é um partido que prega a diminuição do Estado na economia e isso não é uma coisa necessariamente ruim. Numa democracia é preciso ter contrapontos e nas últimas eleições tal não houve.
Esse ano, até agora, não tem sido assim.
Aécio Neves tem sido taxativo ao afirmar que na economia é preciso mais competitividade e isso para ele se alcança com menos intromissão estatal. Como exemplo do que isso significa, realço o caso do marco regulatório do pré-sal, por exemplo. É claro que se o PSDB vencer, vai ser modificado. Virá um regime de concessão - menos Estado - e o de partilha - mais Estado - será revogado. Na verdade, a grande diferença entre Dilma e Aécio é que este último, claramente, fala para o mercado. É tanto que qualquer notícia de subida de Aécio nas pesquisas o mercado fica animado.
Dilma, que claramente não fala para o mercado, tem sido muito acuada pela imensa onda de pessimismo que varre o país e, sinceramente, não creio que, dessa vez, ela pudesse ser o melhor nome para concorrer às eleições. Nem ela nem Lula. Para mim, o PT não tem hoje, à exceção do ex-Presidente, uma grande liderança capaz de ser a força política necessária para as mudanças que 2015 imporá ao país. Se os economistas estiverem certos - torço que não estejam - pode até vir uma recessão e isso é preocupante.
A minha maior curiosidade é sobre Eduardo Campos. No atual cenário de bipolarização PT x PSDB, há espaço para o surgimento de uma chamada "terceira via" e não sei se o ex-governador de Pernambuco tem cacife para isso. Só a campanha nos responderá.
Por fim, para não me estender muito, digo-lhes que hoje tenho uma tendência a votar em Dilma, mas inicio, como eleitor, a campanha de peito e mente abertos para eventualmente mudar de opinião, se for o caso. 
Aguardemos.