segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A espionagem americana e a vida real

Apesar de o governo brasileiro ter feito muito esforço de mostrar indignação frente aos fatos recentemente revelados pela imprensa, segundo os quais o governo americano espiona Dilma e a Petrobras, na verdade, acredito que seja óbvio que o Estado brasileiro sempre tenha sabido disso ou, pelo menos, tenha suposto.
Ora, não é claro imaginar que os EUA, líderes mundiais em tecnologia da informação, a nação mais militarizada no mundo, centro de poder geopolítico mundial, opera espionagem nos principais países do mundo?
Nem os seus aliados escapam.
Isso é o óbvio a imaginar, a não ser que nós nos achemos tão pequenos ao ponto de acreditar que nenhum país do mundo tem interesse no Brasil. 
Impossível. 
Quer queiramos ou não, somos uma economia pujante e importante, além de rica em petróleo, lembremos.
O fato é que nós não temos - como quase ninguém tem - força para retaliar militarmente os EUA e, mesmo que tivéssemos, talvez não fosse interessante. 
Também não é interessante economicamente retaliar os EUA do ponto de vista comercial. Eles são os maiores investidores no Brasil e nosso segundo maior parceiro comercial, só perdendo para a China. Num momento em que lutamos para reaquecer a economia, isso seria um tiro no pé e faria mal a nós próprios.
Cortar relações diplomáticas, impossível. Os EUA são importantes e influentes demais no jogo geopolítico para que façamos isso.
Talvez, no máximo, enviar o atual embaixador americano de volta aos EUA, dizer ao país que não aceitamos mais esse embaixador e que, por isso, eles devem providenciar um outro.
Outra medida de - relativo - impacto seria o cancelamento da visita da Presidente Dilma.
Por fim, nos restaria denunciar o caso aos organismos internacionais, o que não dará em nada.
Tudo isso é só jogo de cena.
Agora, o que de fato fará a diferença é nós começarmos a investir, pesadamente, em tecnologias de informação e em mecanismos de contraespionagem. 
Isso sim faz diferença e nos torna menos dependentes e suscetíveis aos EUA.
Investir em tecnologias de satélites nacionais, redes virtuais nacionais e mecanismos de segurança nacionais.
Na vida real, isso não se faz com jogos diplomáticos, mas com investimento, planejamento e - para variar - educação.

2 comentários:

  1. Professor Raul, é lamentável esse blog ter a sua assinatura. Você posta de ano em ano... Não postou a "parte 2" do mais médicos nem deu continuidade a assuntos relevantes como: As manifestações de Julho por exemplo. Sou um fã. Abs

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  2. É verdade, anônimo, aceito a crítica. É que a correria do dia-a-dia finda me tomando muito tempo.

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