segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Líder da Catalunha convoca catalães a lutarem pela independência

Fonte: La Vanguardia

O presidente da região da Catalunha e candidato do CiU à reeleição, Artur Mas, pediu recentemente “uma maioria excepcional, para um momento excepcional”, porque um processo da magnitude do qual a Catalunha pretende empreender “não pode acontecer com uma liderança frágil”. 
Num ato de apoio ao presidente que reuniu mais de mil pessoas em Barcelona, Mas considerou imprescindível que o clamor surgido das ruas na “Diada” passada se traduza em votos nas urnas no dia 25 de novembro para calar aqueles que tentam menosprezar o que aconteceu. “Se o resultado das eleições demonstrar com clareza e precisão que aquele não foi um afã nacionalista deste ou daquele partido, então o processo empreendido pela Catalunha não poderá ser impedido por ninguém”, afirmou. 
Neste sentido, o candidato do CiU sublinhou a importância de quando Washington, Bruxelas e Madri olharem para a Catalunha no dia seguinte às eleições, “a mensagem seja clara e a liderança forte”, porque se não, disse, o processo para um Estado próprio “andará aos tropeções”. Mas reconheceu que a maioria que precisa e pede para o CiU, necessariamente deve se constituir “com votos emprestados de outras formações”, e considerou essa transversalidade essencial para demonstrar que “a defesa de um Estado próprio é algo que tanto os que nasceram aqui como os que nasceram fora querem, porque se trata do anseio de um povo que se apoia e que não está dividido, como afirma alguns”. 
 O presidente explicou que não era fácil para ele liderar este processo porque está seguro de que “irão combatê-lo” e tratarão de “desestabilizá-lo” por todos os meios, mas assegurou estar disposto a “fazer este caminho até o final enquanto tiver o apoio do povo, não só nas ruas mas também nas urnas”. Para isso, o líder da Convergência pediu aos catalães “que confiem em si mesmos, porque o processo pode ser muito complicado”, e convocou a população a não desistir quando chegar a campanha do medo. “Se as pessoas acreditarem, a força da democracia e do civismo não pode ser contida por ninguém: nem os tribunais, nem as leis, nem as constituições”. Mas foi especialmente crítico com “o discurso do medo” que, segundo ele, está sendo feito pelo PP, tanto em Madri quanto na Catalunha com Alícia Sánchez-Camacho à frente, e advertiu que “a Europa está dependendo de nós”. Por isso recomendou que “diante dos ataques, provocações, insultos e ameaças”, respondam “com serenidade”, porque os que querem levar o debate ao “terreno da bronca” ganham com esta estratégia, mas “no terreno da democracia e do civismo, nós ganhamos”. 
O presidente considerou que chegou o momento de passar das palavras para as ações. “Não se trata de votar no Parlamento o direito à autodeterminação, trata-se de exercê-lo”, antes de recordar que é algo que os catalães não puderam fazer em 300 anos. Também explicou que o exercício deste direito não prejulga um resultado, “já que cabe ao povo da Catalunha decidi-lo, porque é o povo que decide seu futuro”. Em consequência, Mas enfatizou que a Catalunha entra numa etapa de “grande responsabilidade”, tanto individual quanto coletiva. E devido a isso afirmou que se o CiU precisar dar um passo atrás pelo bem do processo, fará isso. E o mesmo deve se aplicar à sua pessoa. “Este é um processo que vai além de qualquer partido político ou qualquer pessoa, tenha o cargo que tiver”, disse. E reiterou sua vontade de se retirar uma vez concluído o processo. Ainda assim, comprometeu-se a, no caso de ganhar as eleições do próximo 25 de novembro, convocar todos os partidos políticos que tenham obtido representação parlamentar para “consensuar o mapa do caminho da Catalunha”, como primeira medida. O candidato do CiU considerou “legítimo” que haja pessoas que digam que as eleições foram convocadas antecipadamente para não falar dos cortes, embora tenha negado e afirmou que “na política, sempre se supõe o pior”. Neste sentido, afirmou que, desde o primeiro momento, seu governo “optou por dizer a verdade, porque não fazê-lo leva ao desprestígio”. E acrescentou que os que prometem que não haverá mais cortes “estão mentindo”, e insistiu que o compromisso do CiU é fazer com que a Catalunha tenha instrumentos para tomar suas próprias decisões e com mais recursos. 
No ato de segunda-feira (5), Mas foi precedido pela vice-presidente Joana Ortega, que afirmou que “este é o momento das grandes maiorias e de somar cumplicidades”. E talvez para esclarecer aqueles que apontam diferenças dentro da própria federação, disse que embora existam diferentes sensibilidades, “o que nos une é maior do que o que nos separa”. No encontro, idealizado para que Mas recebesse o apoio explícito de pessoas de diferentes âmbitos da sociedade, também participaram o conselheiro de Cultura, Ferran Mascarell; o presidente da Rádio TeleTaxi, Justo Molinero; a secretária geral do Reagrupamento, Rut Carandell; a ex-deputada do PP, Angels Olano, o ator Daniel Sicart e a nadadora Erica Villaécija.

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