domingo, 11 de novembro de 2012

Anotações sobre a eleição americana

Embora os EUA não sejam mais a imensa potência incontestável de outrora, por óbvio uma eleição naquele país desperta mesmo a atenção do mundo e por vários motivos. 
Primeiro, um ponto do espaço é tão mais relevante quanto maiores forem as consequências que os eventos ocorridos em seus domínios trouxerem para os demais espaços. Em palavras mais simples: um país é muito importante se as coisas que acontecem nele trazem consequências para os outros países.
Nisso, os EUA são os mais importantes do mundo, seguidos da China. Não interessa a ninguém uma recessão na economia estadunidense. O mundo todo espera sua recuperação, inclusive nós aqui do Brasil. O maior mercado consumidor do planeta se recuperando gerará um efeito cascata em todas as demais economias relevantes. Por isso, todos olhavam para as propostas econômicas dos dois candidatos. Analistas dizem que o partido Republicano, por exemplo, tem uma agenda que não entende o momento atual dos EUA, enquanto os Democratas entendem que o país não pode mais continuar gastando o dinheiro que não têm. Essa era uma diferença bem grande entre as duas propostas: os republicanos não querem cortar gastos, nem aumentar impostos, enquanto os democratas - embora não falem abertamente sobre corte de gastos - defendem o aumento dos impostos dos 10% mais ricos da população.
Outra grande diferença que se propunha entre os dois candidatos era na política externa. Para Mitt Romney,  os EUA deveriam se aproximar ainda mais das intenções israelenses quanto ao Irã, por isso uma nova guerra no Oriente Médio estaria, assim, mais próxima. Já Obama, por sua vez, embora jamais tenha falado em relações estremecidas com Israel - nenhum candidato a presidente dos EUA jamais poderá fazer isso -, sempre se posicionou contra uma nova guerra naquela região do mundo. Se nos lembrarmos bem, os EUA se abstiveram de invadir a Líbia e não preveem nenhuma ação na Síria. Uma ação militar no Irã, no governo Obama, só se for a única e última decisão cabível. Em Mitt Romney não. Eu acho, até, que essa seria uma de suas primeiras ações. 
Falando da eleição propriamente, os EUA são um país incrível. O nível de maturidade dos debates é algo invejável. Quem nos dera chegássemos lá um dia. Vejam: ambos os candidatos defenderam abertamente, sem subterfúgios, suas posições. Quando Romney foi gravado falando que 47% dos americanos eram medíocres por que dependiam do Estado e, por isso, votariam em Obama, ele não tentou desvirtuar o que disse quando o vídeo se tornou público. Ao contrário, pediu desculpas pela indelicadeza da forma como as palavras foram ditas, mas reafirmou todo o seu conteúdo. Isso é invejável e é típico de democracias maduras. Se fizermos uma comparação com a eleição brasileira, Dilma jamais teve coragem de assumir publicamente sua posição quanto ao aborto e José Serra, agora na eleição de São Paulo, não confirmou que o seu governo - quando Governador do Estado - também já fez uma espécie de "kit gay", como fizera Haddad no Ministério da Educação. 
O ponto negativo para mim, ainda é o sistema eleitoral americano. Muito antiquado. O Colégio Eleitoral deles é, segundo penso, totalmente contrário a um princípio do direito criado por lá, segundo o qual cada homem valeria um voto - "one man, one vote". Além disso, houve estados em que as urnas não funcionaram e o cadastramento prévio de eleitores foi um caos total. Isso é totalmente incompatível com o país da inovação constante. Lá, eles não conseguem nem sequer mudar o dia da eleição, que é numa inapropriada terça feira, dia no qual todos trabalham. Convenhamos, eleições têm que ser aos domingos ou em feriados, como é no Brasil e em boa parte do mundo. 
É muito contraditório que uma democracia tão madura teime em dar passos tão simples, triviais. 

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