sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O erro da campanha no Pará

No Pará está havendo campanha "explicativa" para o plebiscito que será realizado em dezembro, naquele estado, para decidir sobre sua divisão ou não. Como esse assunto, criação de novos estados no Brasil, é palpitante, tenho visto, através da internet, todos os vídeos do horário político. Para variar, posso lhes dizer com toda a franqueza: têm sido péssimos. Os argumentos usados por ambos os lados são fracos e populistas. O real debate substantivo não é passado aos paraenses. O verdadeiro significado das mudanças que estão sendo propostas para aquela região não é exposto.
Claro, já falei isso aqui várias vezes, sou totalmente favorável à formação de novas unidades da federação, sobretudo na Amazônia, região que - há muito - precisa de um plano estratégico de ocupação e desenvolvimento. É bom lembrarmos que aquilo lá também é Brasil e por isso também merece viver com todos os confortos que a vida do século XXI nos proporciona - nisso incluído estradas, portos e infra-estrutura de uma forma geral.
Com todo o respeito, o "amor" ao Pará não é um argumento válido para ser contrário à criação de Carajás e Tapajós. Mais vale ter amor ao desenvolvimento e às maiores possibilidades de geração de riqueza com maior qualidade de vida.
O pensamento de que os novos estados irão dividir as verbas do Pará não merece prosseguir. Ao contrário, a nova unidade da federação receberá mais verbas do governo federal até conseguir andar com as próprias pernas. Tudo isso é falácea e só mostra o quanto a campanha está deturpada. Nenhum brasileiro pode negar desenvolvimento a outro.
Dar autonomia a uma determinada área do nosso território nacional, nos termos de nossa Constituição, é dar ao novo ente federativo a oportunidade de gerir seus recursos e de poder se planejar, contratando mais médicos, professores e profissionais qualificados para, assim, poder oferecer mais serviços públicos aos seus cidadãos, brasileiros.
É também uma ótima oportunidade de tornar o novo estado uma área de atração de população e de desenvolvê-lo.
Isso é caro e difícil. Ser rico custa caro mesmo. Como sempre digo, barato e fácil é ser pobre como somos.
Nós, brasileiros de outros estados, não temos legitimidade para nos opormos à divisão, sob a alegação de que pagaremos a conta. Todos pagamos a conta por Brasília e hoje aquela região é desenvolvida. Todos nós brasileiros, um dia, pagamos a conta do café que Getúlio Vargas comprou dos ricos produtores paulistas para depois queimar e evitar a falência generalizada dos cafeicultores. Quando a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) foi criada, não havia infra-estrutura no Rio de Janeiro. Então o que se fez? Todos nós brasileiros pagamos para o Rio se desenvolver.
É sempre assim, tem sido sempre assim. Os estados que já são ricos precisam entender que os outros também têm a oportunidade de sê-lo.
Para concluir, outro argumento que sempre ouço é o de que esses novos estados só servem para criar novos cargos de Deputados Federais e Senadores. Isso, para mim, não é algo negativo, ao contrário, é ótimo. Mais representação, mais democracia. Já disse em outra oportunidade e repito: o ruim não é ter políticos, o ruim é ter políticos do estilo de Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul, que certa vez disse que "estava se lixando para a opinião pública".
Se o critério fosse esse, deveríamos fundir o Rio Grande do Sul à Santa Catarina, então.
Até hoje não ouvi nenhum argumento que me demolisse de minha opinião favorável ao desenvolvimento.

Um comentário:

  1. Raul, também sou a favor do progresso. Mas do Jeito que você fala, parece que se trata apenas de "justificar os meios com os fins". Será que é tão fácil implantar progresso consoante ao desmembramento?

    Muitos distritos antigos também precisam de mais médicos, professores e profissionais qualificados. Inclusive o Tocantins, que se desmembrou de Goiás.

    Reflexões à parte, desejo sucesso ao povo do Pará. Que,nesse sentido, sejam mais sortudos que todos os demais.

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