segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mercado combina com democracia?

Dois acontecimentos recentes e um texto que li na Folha de São Paulo há poucos dias me fizeram pensar sobre isso. Primeiro, falemos da Grécia. Como vocês devem se lembrar, o estopim da queda de Papandreous, ex-Primeiro Ministro do país, foi a ameaça que ele fez de submeter o plano de ajuda à Grécia a um referendo ou plebiscito.
O mundo caiu. As bolsas enlouqueceram e, rapidamente, o chefe de governo grego foi chamado à Alemanha e à França para logo desistir da ideia insana. Afinal, por que democracia numa hora inconveniente dessas?
Recentemente, na Itália, país que, segundo consta, é uma democracia, operou-se algo que, aos meus olhos ignorantes, foi um golpe de Estado aplicado pelo mercado. O país tinha um governo - apesar de todas as críticas - legítimo e democraticamente eleito. De repente, a crise chegou e Berlusconi se tornou impróprio para o momento, digamos. O que aconteceu? A casa, digo, o governo, caiu. Até aí tudo bem, dizem que o regime parlamentarista é flexível, suporta mudanças de governos de forma menos traumática que um regime presidencialista, enfim. Na minha visão, o problema não foi a queda do governo em si, mas a solução adotada pela Itália para a sucessão.
O Presidente do país, figura quase que decorativa, indicou, isso mesmo, indicou, Mario Monti para ser, pasmem, senador vitalício. Não vocês não leram errado foi isso mesmo que aconteceu. Aqui no Brasil nós o chamaríamos de Senador biônico, figura comum nos tempos de ditadura. Não bastasse a simples ideia de haver no parlamento um sujeito que não foi eleito pelo povo, ele ainda se tornou Primeiro Ministro do país e compôs um ministério de "técnicos", como ele próprio também o é.
Eu fico me perguntando: Um cara não eleito para o parlamento tornou-se chefe de governo de um país rico ocidental da civilizada e democrática Europa? Foi isso mesmo ou eu estou vendo as coisas de forma distorcida?
O Deus Mercado é cheio de opiniões fortes e não tolera ser contraditado, pelo visto.

2 comentários:

  1. Mercado combina com democracia?

    A história mostra que fica mais "bonitinho" ao lado de uma bela plutocracia.

    E ai de quem falar em plebiscito ou referendo quando o "money" de um Bilderberg ou Rockefeller estiver na jogada.

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