sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O contraditório Ocidente

Não espero aqui escrever um texto longo analisando esse último acontecimento brutal ocorrido no Oriente Médio, mas apenas passar algumas poucas impressões que tive sobre o episódio.
É bom que nos lembremos que o regime do Coronel kadaffi sempre teve apoio do Ocidente, principalmente da França e da Itália, até mesmo do Brasil. Lembrem-se que o Presidente Lula chegou a visitar o ditador. Isso se explica pelo pragmatismo comercial. A Líbia sempre foi fornecedora de primeira hora do petróleo para a Europa e, no caso do Brasil, várias empresas nossas estão instaladas lá, como a Odebrecht, por exemplo.
Ocorre que ninguém contava com as revoluções hoje chamadas de "Primavera Árabe". Lembrem-se que, no começo, num mesmo dia, o governo Obama teve três posições sobre apoiar ou não a invasão à Líbia.
De repente, ficou feio dizer que não apoiavam o movimento popular e, de uma só vez, todos os governos que outrora eram apoiados incondicionalmente pelo Ocidente, passaram a ser personas non gratas.
É, essa é a real politik movida por interesses e não por ideais.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O destino do chavismo

Editorial da Folha de S Paulo

A um ano da eleição presidencial na Venezuela, em outubro de 2012, a maior incógnita é o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, que enfrenta um câncer.
Passados quatro meses desde que a doença do caudilho se tornou pública, as informações permanecem escassas. Depois de sustentar por quase um mês que havia operado um abcesso pélvico, Chávez admitiu tratar-se de câncer.
Desde então, viaja com frequência a Cuba, onde se trata. Passou por uma bateria de exames no início da semana, cujos resultados não foram divulgados -ainda que o tivessem sido, seria difícil confiar na sua veracidade, dado o histórico do regime chavista.
A evolução do quadro de saúde do líder venezuelano terá grande influência na disputa. Se conseguir vencer a doença, sua imagem de político que enfrenta e ganha todos os embates -do golpe em 2002 ao câncer de agora- sairá fortalecida. Na hipótese de chegar combalido, o mito se enfraquece.
Prevalece por ora a empatia do eleitorado com o político que luta pela vida. Pesquisas mostram alta de dez pontos na avaliação do governo, para perto de 60%, desde que a doença foi revelada. A intenção de voto em Chávez também aumentou, de 30% para 40%.
O mandatário enfrentará, contudo, sua mais difícil eleição desde que chegou ao poder, há 12 anos. Está distante o auge do chavismo, de meados da década passada, quando o boom do petróleo impulsionou a economia de um produto só e a retórica populista espraiou-se por países vizinhos.
A Venezuela registrou recessão por dois anos seguidos -o PIB recuou 3,2% em 2009 e 1,5% em 2010. A expectativa é que cresça menos de 3% neste ano, com inflação anual de 30% e apagões de energia elétrica quase diários.
A oposição, de seu lado, deixou de ser irrelevante. O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, considerado "centrista", aparece empatado com Chávez em algumas pesquisas. Ainda barrado na Justiça aparelhada pelo chavismo, Leopoldo López, ex-prefeito de Caracas, é outro nome forte.
O regime de Hugo Chávez parece mais vulnerável do que nunca esteve em uma década.

sábado, 15 de outubro de 2011

O que pensa uma aluna do IFRN sobre a greve

Hoje, 15 de outubro de 2011, dia do professor, nós, professores do IFRN, realizamos uma pequena movimentação numa praça do centro daqui de Mossoró. Lá, a aluna do curso de biocombustíveis do Campus Apodi, Luana Bandeira, leu esse texto para todos os presentes. Gostaria de também compartilhá-lo com todos os leitores deste blog, para uma reflexão. Segue abaixo:

Eu poderia começar, em termos coloquiais, dizendo que já estou de saco cheio dessa greve! Sim, pois eu, pelo menos, a vejo como um meio que não deveria ser utilizado no Brasil para se obter algum resultado, alguma atenção por parte do governo, ainda mais na questão da educação. Como já é de conhecimento de todos, todo ano acontece uma greve na rede estadual e na municipal. No governo federal, FEDERAL, isso não deveria acontecer. Até porque, são os melhores colégios do país, de onde saem os alunos mais bem preparados para o mercado de trabalho e para a VIDA! E, por incrível que pareça, isso não significa nada para os homens de poder, porque se fosse importante, os mais de 13 milhões que foram pagos em ligações telefônicas de apenas 3 deputados seriam destinados à educação, mas não, eles não querem isso. Talvez jovens preparados, que estudaram a verdadeira geografia, história, filosofia, etc, com professores da rede federal, que são capacitados, sabem o que acontece e conhecem a dinâmica do “jogo de Brasília”. Pode ser por isso ou por outras razões, não sei, mas o que eu sei é que eu tenho orgulho de estudar numa escola federal, sei que todos os outros também têm orgulho de estudar nas escolas federais, eu tenho orgulho de fazer um curso que só existe em cinco campi em todo o país e que é promessa para o futuro, que é o Biocombustível. O que se aprende dentro de uma escola como essa é muito mais do que apenas um curso técnico, eu posso falar por mim, que não só mudei fisicamente, como mudei meu intelectual. Quando se vê um texto meu, a própria redação que fiz para entrar no IFRN e os textos que escrevo hoje, dá pra entender do que eu estou falando. A mudança é bem grande e sei que isso não foi só comigo, todos os meus colegas, alunos de Biocombustíveis e dos outros cursos podem falar, porque é isso que acontece. Então o governo deixa ficarem parados mais de 200 centros de excelência, alegando crises e outras desculpas. Eu estou aqui porque eu quero que essa greve acabe, mas que acabe com resultados, resultados esses para professores e alunos, falo isso porque, pelo menos no campus onde estudo, ainda faltam equipamentos para pesquisa e aulas práticas. Isso acaba dificultando a formação do futuro profissional, profissional esse que um dia vai beneficiar o país, mas parece que é difícil visualizar isso, pelo menos é o que parece.
Luana Bandeira

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Terá a esquerda perdido o discurso?

Como isenção total é algo impossível de se alcançar, nem tampouco é esse o objetivo deste blog, e também para ser honesto com os meus leitores, começarei logo dizendo que eu me considero de centro-esquerda, mesmo apesar da dificuldade que eventualmente possa haver para se chegar a esse conceito.
Outro aviso: Vou falar muito a palavra "esquerda", terei de ser redundante.
Também aproveito para repetir aqui o que disse no post anterior: não tenho maiores preocupações acadêmicas no trato desta temática. Apenas buscarei demonstrar alguns dos pontos que tenho visto na esquerda, nos últimos anos/dias.
Quanto ao tema, é preciso se dizer que a esquerda sempre tem sido associada às ideias progressistas. Por isso, geralmente, certas transformações na sociedade são apoiadas, na vanguarda, por partidos como o PT e o PSOL, por exemplo.
Durante a Guerra Fria, ser de esquerda era ser marxista e comunista/socialista. Defendia-se a igualdade, mas a liberdade não era prioridade. Passado esse momento, muitos esquerdistas viram-se sem discurso, inclusive na América Latina. A década de 90, foi, então, um período de reestruturação da plataforma, quando temas como a maior participação do Estado na economia e a rechaça aos EUA e ao FMI se tornaram fortes bandeiras de partidos como o PT, por exemplo. Basta nos lembrarmos que, até as eleições de 94, Lula defendia a moratória da dívida externa. Registre-se que, até hoje, o PSOL defende essa ideia. Falando nisso, por um instante, lembro-me das passeatas as quais participei quando era estudante de geografia, entre 1999 e 2002. Nosso maior slogan era "Fora Bush, FHC e FMI". Dizíamos que o significado de FMI era Fome, Miséria e Impostos altos. À época, não estávamos de todo errados.
O mundo e o Brasil mudaram. Também assim a esquerda. Embora ainda haja os que falam em implantação do socialismo e acham Cuba um exemplo a ser seguido, a globalização, ao meu ver, tornou essas bandeiras obsoletas.
Precisamos de mais democracia, mais participação política e mais investimentos sociais. Segundo entendo, essas bandeiras não são de direita, nem de esquerda. São genéricas, são do país.
Por isso o Brasil vive uma situação interessante: Os de direita têm vergonha de assim se caracterizar e a esquerda não tem mais discurso e, se ainda o tem, como no caso de partidos como o PSTU e o PSOL, por exemplo, não é pragmático, não se pode colocar em prática.
Tenho sempre dito que o socialismo, teoricamente, como modelo de desenvolvimento é preferível ao capitalismo. No entanto, não é factível, não é real, não é pragmático.
O que fazer, então? Em minha visão é simples: distribuir renda, ofertas serviços públicos de qualidade, incentivar o crescimento da economia, melhorar nosso IDH e tornar a vida dos brasileiros melhor. Isso independe de ser de direita ou de esquerda.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um pouco de educação política: O que é ser de direita, hoje?

É claro que não pretendo, neste post, tecer comentários de cunho acadêmico ou descer a minúcias filosóficas muito aprofundadas quanto ao tema. O que pretendo é tentar, minimamente, caracterizar o discurso - ou discursos - que hoje em dia vejo sendo ditos pelos que se dizem de direita.
De uma forma geral, a direita é conservadora e se opõe a mudanças estruturais mais drásticas na sociedade. Por exemplo, é contrária à descriminalização do aborto, ao casamento gay e à liberalização da maconha. No Brasil, um típico movimento de direita é o TFP, Tradição, Família e Propriedade. Este é o site deles http://www.tfp.org.br .
Na política, o DEM talvez seja o partido que mais se identifica com essas bandeiras, embora o PSDB também tenha o apoio de amplos setores conservadores. No Brasil, desde 1988, quando da redemocratização, ficou feio se dizer de direita por causa da ditadura. Como em 1964 o golpe foi conservador, pegava mal falar que o apoiavam. Talvez por isso nenhum partido se diga claramente de direita. Se o golpe tivesse sido de esquerda, talvez hoje fosse o contrário.
Na economia, a antítese: os conservadores se tornam liberais, ou seja, pregam uma menor participação do Estado na economia e falam em autonomia do mercado. Apoiam privatizações e defendem menos impostos para o setor produtivo. Nos EUA, os Republicanos e o Tea Party (movimento de direita), por exemplo, chegam a exigir que o Estado feche hospitais públicos e os entregue para a iniciativa privada. São também contrários a um sistema de saúde público, por que defendem que cada um, individualmente, deve pagar seus gastos com médicos e remédios. Enfim, é uma forma de pensar.
Na Europa a direita - ou a ultradireita, como alguns dizem - está associada à xenofobia, inclusive, naquele episódio do terrorista norueguês, ele era filiado a um partido desses.
É claro que essas posições não são propriedade da direita. Muitos que se dizem de esquerda, como eu, podem se identificar com um ou outro ponto do discurso conservador. No meu caso, sou plenamente a favor de privatizações. Sempre fui.
Enfim, nada mais no momento.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dilma muda relação com grevistas e irrita sindicatos

Folha de São Paulo


Corte de ponto, prática rara sob Lula, é usado para frear novas paralisações


Presidente determina firmeza na negociação; policiais, servidores do Judiciário e petroleiros podem cruzar os braços



O governo da presidente Dilma Rousseff endureceu a política de greves e irritou o mundo sindical.
A necessidade de ajuste fiscal e o receio de uma escalada inflacionária levaram o Executivo a atacar o "bolso dos grevistas" com corte de ponto -prática raramente vista na gestão Lula, segundo centrais sindicais.
O objetivo é desencorajar paralisações que se anunciam em outras áreas cruciais, como policiais, servidores do Judiciário e petroleiros, que negociam nesta semana diretamente com a Petrobras e com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).
Para diversas entidades sindicais, Dilma joga mais duro que Lula. "Por isso queremos demovê-la dessa política de UFC", diz o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, referindo-se à famosa liga de vale-tudo.
Da Europa, Dilma orientou sua equipe na semana passada a adotar posição firme na greve dos bancários, em curso desde 27 de setembro. O Ministério da Fazenda e os bancos privados resistem a um reajuste real (acima da inflação) próximo a 5%.
Com uma greve desde 14 de setembro, o caso dos Correios tornou-se emblemático. A empresa anunciou corte do ponto dos funcionários parados. Mesmo expediente adotado na Eletrobras neste ano.
O Ministério do Planejamento diz que os cortes atuais não são novidade: embora a maior parte das greves anteriores terminassem em acordos para repor dias parados, houve casos de descontos, como o de auditor fiscal.
Para o Planalto, a conjuntura econômica é restritiva a reajustes neste momento.
O ritmo menor de crescimento neste ano e o temor de contaminação doméstica da crise internacional justificam, aos olhos de alguns setores do governo, postura mais severa. Uma conta recente reforçou a tese: o IPCA dos últimos 12 meses fechou em 7,31% em setembro.
"Se você vê uma tempestade se formar no céu, não pode sair à rua de bermuda e camiseta. Tem que ter um guarda-chuva", afirma o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ex-chefe do Planejamento. "O quadro hoje é diferente de 2007, quando aumentamos os salários de muitas categorias."
A ordem de Dilma é puxar o freio de mão nas despesas correntes agora e manter a despesa controlada também em 2012. De volta da Europa, ela deve hoje discutir o assunto greve na reunião de coordenação do governo.
Com Guido Mantega (Fazenda), tratará especificamente da paralisação dos bancários. Ela determinou ainda que cada ministro atue em sua área específica na busca de soluções que acabem ou evitem paralisações.
"É uma bobagem essa história [de momento delicado]. Estamos num momento bom para greves. Há resultados muito positivos na economia", discorda Artur Henrique, presidente da CUT.
O Ministério do Planejamento é o principal alvo de queixa nos sindicatos. A pasta nega atitude diferente e cita frase de Lula: "Greve é guerra, não férias". Só que o ex-presidente sempre flexibilizava: trocava descontos por reposição de dias parados.
Ao menos nos Correios, a orientação é manter os cortes. "É inaceitável abonar tantos dias parados", diz Wagner Pinheiro, presidente da empresa. Essa linha de ação reforçou o movimento de grupos sindicais que, nos bastidores, ajudaram a circular o "volta, Lula", tese abafada pelo próprio ex-presidente.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Porque a greve dos IFs é um insulto ao país

Porque um país que se pretende grande, desenvolvido e importante no cenário mundial, em momento algum de sua história, aceitaria que sua melhor escola, o seu centro de excelência educacional, o único lugar em que o ensino básico acontece com uma mínima qualidade, parasse. Garanto-lhes que isso não se passaria nos EUA, nem na Europa, tampouco em qualquer país asiático desenvolvido.
É justamente essa a diferença.
Aqui no Brasil nem o governo, nem a sociedade estão nem aí para a greve dos Institutos Federais. Se os professores estão em greve alegando que recebem os menores salários do serviço público federal e que há 02 anos não têm reposição das perdas, isso não é um escândalo, não causa espanto, nem clamor social. O fato de um motorista do judiciário ganhar mais que um professor com mestrado parece ser normal em nossa pátria.
Veja que no Chile os níveis educacionais são imensamente melhores que os nossos e todos os dias ouvimos falar da pressão que vem das ruas tentando forçar o governo de Sebastian Piñera a investir mais em ensino.
Por certo os brasileiros pensam que seremos ricos pela força da gravidade, por que Deus quer ou por que somos "bonitos por natureza". Tenham paciência! Não dá pra ser uma pessoa consciente e conviver com isso assim, pacificamente! Se continuarmos com investimentos pífios na educação, não haverá outro futuro para o Brasil senão a pobreza, o atraso, a ignorância e a miséria.
Depois não reclamem de Tiriricas, Malufs, Agripinos, Rosalbas e de tantos outros que chegam ao poder com currículos nefastos e qualidades duvidosas. Sem educação política, como querem que a sociedade aprenda a refletir criticamente antes do voto?
Quando um dia Geraldo Vandré disse que "quem sabe faz a hora não esperar acontecer", ele estava conclamando que tomássemos nosso futuro pelas mãos, que fizéssemos uma revolução.
Nisso concordo plenamente com Cristóvam Buarque: temos que operar, no Brasil, uma revolução pela educação. Só assim conseguiremos ser um país rico, uma grande nação que se impõe altivamente no mundo e é respeitada. Só daremos um salto de qualidade como povo, se formos educados. É essa revolução que espero um dia ver acontecer no Brasil.
Por enquanto, temos descaso, corrupção e analfabetismo funcional e político.