quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Por que um resfriado nos EUA é uma pneumonia na economia do resto do mundo

Esse é um tema um tanto complexo de se falar por que envolve uma série de informações relacionadas às teorias da macroeconomia, mas eu vou tentar passar as linhas gerais.
Primeiro, como devem se lembrar, os EUA tiveram dificuldades de pagar os juros de sua dívida externa por que os republicanos, reacionários, preconceituosos e conservadores, até hoje não engoliram a vitória de Obama e tentam ao máximo dificultar o seu governo. Dessa forma, o mundo se viu numa encruzilhada nunca antes vivida. Explico-lhes: Assim como o ouro é uma reserva de valor por todos reconhecida, o dólar também o é. Logo, se algum país tem excedente de riqueza, deve transformá-la num ativo que tenha valor internacionalmente, para poder guardá-la. No mundo de hoje, esse ativo é o dólar. Então os países vão e compram títulos da dívida pública americana, em dólar, com remuneração em dólar. Equivale a comprar ouro com remuneração em ouro. Como para os EUA basta fazer dinheiro para pagar os juros de sua dívida, seus títulos sempre foram considerados 100% seguros. Por isso a China, maior credor americano, colocou seus quase 03 trilhões de dólares em reserva lá nos EUA, assim como fez o Brasil, quarto maior credor, com os seus quase 400 bilhões.
O que isso significa? Que o mundo financia os EUA. Os países produzem excedente e o empresta para os americanos. Em troca, a Casa Branca pinta moeda e paga juros baixíssimos. Assim se tornaram a maior potência de todas. Ótimo negócio, desde Bretton Woods.
O risco de "default" ou "moratória", nomes bonitos para calote, do Tesouro Americano, significou, simplesmente, um possível fim do mundo. Ora, se todo o sistema financeiro mundial está ancorado em dólar e, de repente, a casa forte do mundo não paga os juros, o sistema desmorona como um castelo de areia. Simples e trágico assim.
Nossas reservas se tornariam papéis podres, assim como as chinesas, alemãs, e todas as outras.
Por sorte houve acordo, só não sabemos até quando.
A saída todos sabem. Tem de se estabelecer uma cesta de moedas, dentre elas, com certeza, estaria o nosso real, que se tornariam elas as novas âncoras de valor do mundo.
Claro está que o dólar cambaleia. É um risco manter o sistema funcionando como está.
Não vou nem falar do euro e das crises das dívidas européias. A situação lá é triplamente complicada. Em outro post falarei disso.

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