terça-feira, 9 de agosto de 2011

A perfeição de Londres-2012 e a tragédia de Londres-2011

Não vou entrar aqui no mérito sobre a preparação da cidade Londres para os jogos olímpicos de 2012, não. O eixo central deste post é a diferença de tratamento que a imprensa internacional dá a eventos da mesma natureza, se acontecidos em países distintos.
O que diriam todos se, há menos de um ano das olimpíadas de 2016, o Rio estivesse vivendo um clima de verdadeira guerra civil, como agora está Londres? Imagine ônibus queimados nas ruas, incêndios generalizados, tumultos, mortes e saques acontecendo, tudo ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro.


Com certeza, se a imagem acima fosse aqui em agosto de 2015, a imprensa internacional e, mesmo, a nacional, criticaria pesadamente o Rio e logo taxariam: O Brasil não tem condições de sediar os jogos, é um país bárbaro, corrupto e atrasado. As Olimpíadas só devem ocorrer nos países civilizados do Norte.
Como vemos, nem nós somos tão incultos, nem eles são tão perfeitos. Somos todos humanos vivendo em sociedades onde há conflitos. Cada sociedade deve procurar as soluções para os seus problemas, veja o caso das UPPs, no Rio.
No caso de Londres, oficialmente, até agora, o que sabemos é que os protestos se iniciaram por que Mark Duggan, de 29 anos e habitante de um bairro pobre e marginalizado da cidade, foi morto, aparentemente sem motivos, por policiais de uma brigada anti-drogas.
O incidente gerou a revolta da comunidade e deu início ao show de horrores por qual passa Londres.
Lembremo-nos, também, que há poucos anos houve coisa muito parecida em Paris, nos chamados "guetos", onde há levas enormes de imigrantes marginalizados e não integrados à sociedade francesa.
A Europa não parece viver os seus melhores dias.

2 comentários:

  1. Talvez essa divergência de tratamento seja pelo fato de o Rio de Janeiro não se encontrar na "civilizada e moderna Europa"...

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  2. Como diriam os filósofos torcedores de futebol em suas desaconchegantes arquibancadas, "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...". Mas, convenhamos, não se trata de comparar o grau de civismo entre os dois hemisférios, e sim o grau de educação e desenvolvimento sócio-político.

    Basta compararmos os motivos que geraram os motins em Paris, bem como os hodiernos em Londres, com as guerrilhas provocadas pelo PCC e Comando Vermelho nas ruas do Rio e de São Paulo.

    As revoltas acontecidas no Hemisfério Norte, pelo menos as supra-citadas, têm origem em levantes da sociedade em prol da sociedade. O que evidenciam resquícios das civilizações que foram berço das Revoluções Francesa e Inglesa. Coisa de quem bem escutou Rousseau dizer que todo poder emana do povo.

    Sobre a capacidade de "produzir horrores", isso condiz com minha concepção Hobbesiana de ver o homem, somos lobos em qualquer hemisfério.

    No nosso amado país, infelizmente a realidade é outra. O poder paralelo do narcotráfico evidencia de fato uma instabilidade a longo prazo, uma bomba que, como bem vivos a pouco no Rio, pode explodir a qualquer momento.

    Portanto, não devemos confundir insurgência social com poder paralelo. Oxalá alcancemos até 2016 a consciência das classes europeias que vão as ruas reivindicar direitos.

    P.S. Por favor não me chamem de bárbaro, corrupto ou atrasado.

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