sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O machado de Dilma Rousseff toca no osso

Jornal El País, da Espanha

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, enfrenta uma rebelião no Congresso que ameaça paralisar uma das maiores economias emergentes do mundo. A recente saída da coalizão de governo do Partido da República (PR), com 48 deputados e seis senadores - aliado do Partido dos Trabalhadores (de Lula e Rousseff) desde 2003 -, é um claro sintoma das dificuldades que a presidente tem para manter firme o timão do gigante sul-americano.
É que Rousseff, de caráter firme, embarcou em uma luta contra a corrupção que já lhe custou atritos dentro do PT, o divórcio do PR e péssimas relações com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o grupo político mais poderoso do país e sem o qual a governabilidade do PT é impossível.
Em apenas sete meses de mandato, Rousseff forçou a demissão de três ministros importantes: os da Casa Civil (chefe de gabinete), da Defesa e dos Transportes. Os dois primeiros eram homens de Lula e o último, do PR. Embora o da Defesa, Nelson Jobim, não tenha se demitido por acusação de corrupção, sua saída e a nomeação de um sucessor malvisto pelos militares acabou por abrir outra frente crítica para a presidente.
A situação põe em pé de guerra os congressistas do partido do governo e dos aliados. Isto é, Rousseff tem o inimigo em casa. O líder do PMDB no Congresso, Henrique Eduardo Alves, declarou que a agenda legislativa ficará bloqueada até que o Congresso receba "o respeito que merece". "A falta de clareza, de franqueza e de respeito para com o Parlamento está causando uma grande insatisfação", acrescentou Alves à imprensa.
O bloqueio legislativo impedirá a reforma do complexo sistema fiscal brasileiro, a regulamentação das concessões para exploração de petróleo e o novo quadro legal para o setor de mineração, entre outras medidas, todas fundamentais para manter o ritmo de crescimento.
A crise é tal que se levantaram vozes que põem em dúvida que Dilma Rousseff consiga terminar seu mandato de quatro anos. No entanto, os eleitores acabam de dar à presidente uma aprovação de mais de 70%, igual ou maior que a registrada pelo carismático Lula nos primeiros sete meses no poder.
Paradoxalmente, as duas maiores críticas que seus aliados lhe fazem se transformam em virtudes para a opinião pública, inclusive para os que reconhecem não ter votado nela. A primeira é que é excessivamente dura e exigente com os ministros, congressistas e assessores, aos quais corrige em público, sem contemplações.
A segunda, que está sendo severa demais com as acusações de suposta corrupção dentro de seu governo, sem esperar que a justiça atue. Também é censurada pela falta de tato para lidar com os partidos aliados, acusados exatamente pela população de "fisiológicos", porque não os consideram aliados de um "projeto de Estado" nem de um "programa de governo", senão partidos de aluguel que oferecem seu apoio em troca de cargos no Estado. Daí os altos índices de corrupção.
O próprio Lula se mostrou mais de uma vez preocupado com a insatisfação dos partidos aliados, que antes também foram seus. O ex-presidente aconselhou Rousseff a dialogar mais com eles. O dilema da primeira mulher presidente do Brasil não é fácil. A impressão que transmite aos analistas políticos é de que gostaria de dar uma sacudida na velha política de alianças de conveniência para dar lugar a um estilo de governar mais gerencial, mais técnico e com maior rigor ético e moral na gestão do dinheiro público.
A pergunta é se ela - a quem não faltou coragem para enfrentar os militares durante a ditadura - será capaz agora de lidar com os velhos hábitos de uma política que foi realidade durante tantos anos e que hoje é condenada pela opinião pública.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Por que um resfriado nos EUA é uma pneumonia na economia do resto do mundo

Esse é um tema um tanto complexo de se falar por que envolve uma série de informações relacionadas às teorias da macroeconomia, mas eu vou tentar passar as linhas gerais.
Primeiro, como devem se lembrar, os EUA tiveram dificuldades de pagar os juros de sua dívida externa por que os republicanos, reacionários, preconceituosos e conservadores, até hoje não engoliram a vitória de Obama e tentam ao máximo dificultar o seu governo. Dessa forma, o mundo se viu numa encruzilhada nunca antes vivida. Explico-lhes: Assim como o ouro é uma reserva de valor por todos reconhecida, o dólar também o é. Logo, se algum país tem excedente de riqueza, deve transformá-la num ativo que tenha valor internacionalmente, para poder guardá-la. No mundo de hoje, esse ativo é o dólar. Então os países vão e compram títulos da dívida pública americana, em dólar, com remuneração em dólar. Equivale a comprar ouro com remuneração em ouro. Como para os EUA basta fazer dinheiro para pagar os juros de sua dívida, seus títulos sempre foram considerados 100% seguros. Por isso a China, maior credor americano, colocou seus quase 03 trilhões de dólares em reserva lá nos EUA, assim como fez o Brasil, quarto maior credor, com os seus quase 400 bilhões.
O que isso significa? Que o mundo financia os EUA. Os países produzem excedente e o empresta para os americanos. Em troca, a Casa Branca pinta moeda e paga juros baixíssimos. Assim se tornaram a maior potência de todas. Ótimo negócio, desde Bretton Woods.
O risco de "default" ou "moratória", nomes bonitos para calote, do Tesouro Americano, significou, simplesmente, um possível fim do mundo. Ora, se todo o sistema financeiro mundial está ancorado em dólar e, de repente, a casa forte do mundo não paga os juros, o sistema desmorona como um castelo de areia. Simples e trágico assim.
Nossas reservas se tornariam papéis podres, assim como as chinesas, alemãs, e todas as outras.
Por sorte houve acordo, só não sabemos até quando.
A saída todos sabem. Tem de se estabelecer uma cesta de moedas, dentre elas, com certeza, estaria o nosso real, que se tornariam elas as novas âncoras de valor do mundo.
Claro está que o dólar cambaleia. É um risco manter o sistema funcionando como está.
Não vou nem falar do euro e das crises das dívidas européias. A situação lá é triplamente complicada. Em outro post falarei disso.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Reforçando um convite de sempre

Qualquer um que lê este blog e tem interesse de publicar qualquer texto nele, sinta-se à vontade. Só não será publicado se contiver desrespeitos pessoais, mas se for de opinião, qualquer que seja, publico.
Meu e-mail é "raul.santos@ifrn.edu.br".

sábado, 13 de agosto de 2011

Desemprego e decadência urbana explicam revolta na Inglaterra e sua semelhança com tumultos na França

UOL notícias

Com várias noites de violência, cinco mortos, comoção nacional e prejuízos que ultrapassam 200 milhões de libras, os tumultos urbanos na Inglaterra começam a ser comparados às insurreições que sacodem a França de maneira recorrente.
De fato, tomando somente os últimos dez anos como referência, houve insurreições graves nos subúrbios e nas cidades francesas em 2003, 2005, 2007 e 2010. Sem contar incidentes isolados. Assim, calcula-se que 350 carros são incendiados por vândalos todas as noites na França. Alguns especialistas apontaram as semelhanças e as diferenças entre as sublevações nos dois países.
Do lado das semelhanças há o detonador que, tanto na França em 2005 e 2007, como agora na Inglaterra, originou-se num enfrentamento em que a polícia, voluntária ou involutariamente, causou a morte de um jovem vivendo numa zona urbana desleixada pelos poderes públicos. Em seguida, há também a reação dos governantes e da maioria da mídia que, na França de ontem e na Inglaterra de hoje, negam prontamente a responsabilidade policial e o mal-estar social dos jovens.
Na Inglaterra, o primeiro-ministro David Cameron declarou, ao abandonar suas férias na Itália para vir cuidar da crise e dos tumultos em Londres, que isto é "criminalidade, pura e simplesmente". Enquanto isso, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg alegava que os protestos nas ruas "não tinham nada a ver", com a morte de Mark Duggan, de 29 anos, abatido pela polícia em Totenham, um bairro pobre e multiétnico de Londres. Tais declarações das autoridades revoltam jovens que se identificam com a vítima e provocam mais incidentes. Enfim, tanto na Inglaterra como na França, o panorama de degradação social influencia os acontecimentos.
De fato, por trás das revoltas há o desemprego, a decadência de áreas urbanas, a falta de perspectivas para jovens saídos de famílias europeias modestas ou de comunidades de imigrantes instalados na França e na Inglaterra. Este último ponto, levou a extrema-direita -- e não só ela -- a atribuir a responsabilidade dos tumultos às minorias étnicas e aos estrangeiros.
Na realidade, os processos dos envolvidos na baderna em Londres têm mostrado que a esmagadora maioria dos acusados tem a nacionalidade britânica. A mesma constatação foi feita na França em 2005 e 2007: os condenados por vandalismo eram majoritariamente franceses. Aliás, mesmo quando são estrangeiros na Inglaterra, muitos dos acusados são cidadãos de outros países da União Europeia. Dispondo assim de livre acesso e estadia no território inglês.
No final das contas, as razões mais profundas do mal-estar social e das revoltas parecem residir na falta de cuidado e diálogo das autoridades locais com as comunidades de jovens deixados de lado pelo mercado de trabalho e pelos serviços públicos. Segundo estudos feitos sobre os motins franceses de 2005 e 2007, nas cidades suburbanas onde os vereadores, os representantes sindicais, comunitários e os serviços públicos e culturais tinham presença ativa, a situação social não se alterou. Nestas cidades, a participação eleitoral continuava sendo elevada, mesmo tomando em conta o fato de que o voto não é obrigatório. Ao contrario do que ocorria em cidades vizinhas, desprovidas deste tecido social e atingidas por distúrbios generalizados. Indo mais longe, muitos especialistas apontam o declínio dos sindicatos e dos partidos políticos de extração popular como um dos fatores que contribuem para a eclosão de revoltas urbanas movidas pela violência.
De todo modo, a Inglaterra é agora o teatro de uma discussão de editorialistas, universitários e homens políticos que debatem este ponto essencial: como explicar e solucionar o mal estar social que suscita estas revoltas? No "Guardian", diário londrino de centro-esquerda, um editorialista escreveu: "o que nós estamos vendo agora nas ruas da cidades da Inglaterra é o reflexo de uma sociedade tomada pela estupidez, e um fracasso perigoso da política e da solidariedade social".
No meio da discussão, reapareceram os comentários sobre o primeiro estudo feito pela Unicef, a agencia da ONU especializada na infância, sobre as crianças dos países desenvolvidos do Ocidente (acessível online aqui). Num artigo cuja primeira versão foi publicada em 2007 e que circula atualmente pela blogosfera (acessível aqui), Maria Hampton comenta as conclusões do relatório na parte referente ao Reino Unido. Em quase todos os itens, o relatório mostra que os jovens ingleses estão num processo de “deseducação”, bebendo quatro vezes mais que os jovens italianos e possuindo o maior índice de mal-estar subjetivo dentre os jovens de todos países estudados.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A perfeição de Londres-2012 e a tragédia de Londres-2011

Não vou entrar aqui no mérito sobre a preparação da cidade Londres para os jogos olímpicos de 2012, não. O eixo central deste post é a diferença de tratamento que a imprensa internacional dá a eventos da mesma natureza, se acontecidos em países distintos.
O que diriam todos se, há menos de um ano das olimpíadas de 2016, o Rio estivesse vivendo um clima de verdadeira guerra civil, como agora está Londres? Imagine ônibus queimados nas ruas, incêndios generalizados, tumultos, mortes e saques acontecendo, tudo ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro.


Com certeza, se a imagem acima fosse aqui em agosto de 2015, a imprensa internacional e, mesmo, a nacional, criticaria pesadamente o Rio e logo taxariam: O Brasil não tem condições de sediar os jogos, é um país bárbaro, corrupto e atrasado. As Olimpíadas só devem ocorrer nos países civilizados do Norte.
Como vemos, nem nós somos tão incultos, nem eles são tão perfeitos. Somos todos humanos vivendo em sociedades onde há conflitos. Cada sociedade deve procurar as soluções para os seus problemas, veja o caso das UPPs, no Rio.
No caso de Londres, oficialmente, até agora, o que sabemos é que os protestos se iniciaram por que Mark Duggan, de 29 anos e habitante de um bairro pobre e marginalizado da cidade, foi morto, aparentemente sem motivos, por policiais de uma brigada anti-drogas.
O incidente gerou a revolta da comunidade e deu início ao show de horrores por qual passa Londres.
Lembremo-nos, também, que há poucos anos houve coisa muito parecida em Paris, nos chamados "guetos", onde há levas enormes de imigrantes marginalizados e não integrados à sociedade francesa.
A Europa não parece viver os seus melhores dias.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Nelson Jobim, o Ministério da Defesa e suas colocações infelizes

Quando Dilma ganhou as eleições e anunciou o seu ministério, fiquei muito satisfeito ao ver que Nelson Jobim, ex-Presidente do STF, seria mantido no cargo de Ministro da Defesa. Sempre o admirei pela clareza como expunha os seus pensamentos, como também pela sua assertividade e competência. Vale lembrar que Jobim assumiu o ministério em pleno apagão aéro que ocorreu entre o final do primeiro e o início do segundo mandato do ex-Presidente Lula. Com altivez, resolveu a questão e começou a implantar algumas mudanças estruturais no Ministério da Defesa.
Aliás, tecerei alguns poucos comentários sobre essa pasta.
O Ministério da Defesa, no Brasil, reúne o comando das três forças militares, exército, marinha e aeronáutira. É sempre chefiado por um civil e, por óbvio, traça a política de defesa, bem como eventuais estratégias geopolíticas de interesse do país. A simples existência desse ministério, por si só, já simboliza grande maturidade institucional do Brasil, pois os militares, em qualquer país civilizado e democrático do mundo, não devem ter o controle de qualquer política nacional. Essa deve ser uma tarefa dos civis. Às três forças, portanto, cabe executar a política estabelecida pela Presidência da República e gerenciada pelo Ministro da Defesa.
FHC, o Presidente que criou a pasta, sempre fala da dificuldade que foi implatá-la. É que os militares sempre gostarem de mandar, de estar no poder. De repente, sair assim não é do agrado deles.
Jobim cometeu atitudes muito deselegantes com a Presidenta. De público disse que não votara nela e, para piorar, ainda saiu atirando contra Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, respectivamente Ministras das Relações Institucionais e da Casa Civil. Isso tornou a sua manutenção à frente de qualquer atividade do governo impraticável.
Mantê-lo como Ministro da Defesa geraria enorme desgaste e perda de autoridade da Presidenta da República, ela não teve saída, no entanto, cabe o registro, entendo que o Brasil perdeu. Jobim é um ótimo quadro para qualquer governo.
Em tempo, a indicação de Celso Amorim, apesar de bastante contravertida pela oposição, me agradou. Aguardemos para ver o seu desempenho.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A razão de ser da greve dos Institutos Federais

Como todos sabem, eu sou professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, recém transferido do IFPB. Embora meu vínculo atual seja de cerca de ano e meio, já fui substituto por dois anos no Campus Mossoró em 2007/2009, experiência por demais gratificante. Ando pelos Institutos Federais há quase quatro anos.
Já disse por algumas vezes, em outros posts sobre a temática da educação, que eu sou professor há 10 anos. Já ensinei em várias escolas particulares, na rede estadual e na municipal. Posso lhes dizer com segurança: Nenhuma rede de escolas do Brasil se aproxima do que é um Instituto Federal, nenhuma. Aliás, não sou nem eu quem diz isso, são os números.
Lá, os alunos têm a oportunidade de se depararem com situações que em nenhum outro lugar se deparariam. Os meninos e meninas dos IFs do Brasil aprendem cedo a organizarem seu tempo e a realmente estudarem porque sabem que lá só há um caminho para boas notas: estudo.
Os professores dos Institutos Federais, em regra, gostam de ensinar lá. Pelo menos pra mim, isso é um motivo de orgulho imenso. Eu valorizo o meu trabalho e o levo a sério. Por isso eu e meus colegas nos empenhamos o máximo para termos os conteúdos de cada matéria contemplados até o final do ano, só para citar um exemplo. De uma forma geral, buscamos, nós docentes, nos garantirmos de que os alunos, de fato, aprendam.
Nos IFs não há o assédio moral que há outras instituições. Por aí, alunos não estudam e passam sem preparo algum por que têm de passar, por que tem de se produzir números falsos para o MEC e para a sociedade. No IF isso não existe. Se o aluno passar, é por que estudou. O resultado disso é que a quase totalidade de meus ex-alunos hoje estão ou muito bem empregados ou fazendo faculdades superconcorridas em Universidades Federais pelo Brasil.
Isso que é um IF.
Eu não vou nem falar da estrutura de laboratórios, da inserção à pesquisa, das bolsas profissionais, dos projetos de extensão que desenvolvemos, não. Se eu for fazer isso, esse post ficará imenso.
Minha gente, no IF as coisas funcionam, educação existe e todos gostamos de participar da instituição.
Claro que há exceções, nem tudo é um paraíso. Nós que estamos lá sabemos das brigas que cotidianamente temos para não deixarmos a qualidade baixar. Educação no Brasil é assim, se não brigarmos muito, vira palhaçada.
Há dois anos, nós professores não temos aumentos em nossos salários. Nem em 2010, nem em 2011. Tampouco há previsões de aumento para 2012. Sabem o que isso significa? Defasagem. Se juntarmos as inflações de 2010/2011 e fizermos uma progressão para 2012, veremos que nossos salários perderam cerca de 20% do seu poder de compra. Sabe qual será o caminho se não nos mobilizarmos? Sucateamento, perda de qualidade do próprio ensino.
Eu gosto de ensinar no IF por uma série de fatores, mas, fundamentalmente, porque o salário é bom, claro. Bons profissionais têm de ser bem remunerados. Eu sei do meu trabalho e da importância que ele tem para a sociedade. Professores têm de ser bem pagos, isso é uma premissa da qual não abro mão.
Oficialmente estamos em greve a partir de hoje, 01/08/2011. Durante essa semana todos os Campus dos IFs do Brasil se reunirão e decidirão pela adesão ou não ao movimento de greve. De antemão já lhes digo que sou a favor e que eu entrarei em greve por tempo indeterminado, até que o governo federal se sensibilize e nos ofereça resposta.

Alunos do IFBA deflagram greve. Servidores paralisam atividades na segunda

Por Juliana Ribas

Os estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), deflagraram greve nesta sexta (29), num “ato de protesto aos ataques que a educação pública e a população brasileira vêm sofrendo por parte do governo”, destaca em nota o Grêmio Estudantil InterAção do IFBA – Conquista.
A paralisação foi votada em assembleia ocorrida nesta quinta com os alunos dos três turnos e de todas as modalidades (integrada, subsequente e PROEJA) suportadas pela instituição e que são representadas pelo Grêmio Estudantil InterAção. Foram 64,58% de votos a favor da greve, contra 28,92%, 4,48% de abstenções e 1,99% de brancos ou nulos.
A greve foi deflagrada também em apoio ao movimento dos servidores/professores da Rede Federal de Ensino da Educação Básica, Profissional e Tecnológica que também paralisarão as suas atividades no dia 1º de agosto. Em nota, o InterAção apontou como bandeiras de luta levantadas nesta greve: “a exigência de que se invista 10% do PIB já para educação; ir contra o atual e futuro PNE, contra a expansão desenfreada dos institutos federais sem que haja uma estrutura de qualidade, contra o Novo Código Florestal e a Usina de Belo Monte.”
A mobilização dos servidores é organizada pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Segundo o sindicato, o objetivo da paralisação é “construir um intenso processo de pressão que venha impor ao governo um novo patamar nas relações com os servidores/as da nossa Base e com o nosso Sindicato Nacional. Não podemos permitir que continuemos sendo tratados com tamanho descaso e desrespeito”. As reivindicações também estão pautadas no Plano Nacional de Educação (PNE), votado de dez em dez anos. Segundo a categoria, o PNE traz “uma série de absurdos imensamente prejudiciais para a educação pública brasileira.”
O sindicato expõe em nota, que houve várias tentativas, no conjunto das Entidades Representativas dos Servidores Federais, de fazer com que projetos que tramitam na Câmara e no Senado sejam paralisados e que haja abertura de diálogo sobre projetos que modificam estruturalmente o estado brasileiro e as relações trabalhistas com os Servidores Federais. Eles informam, porém, que o governo não tem negociado com a categoria e justificam a greve quanto à ausência de perspectiva de uma negociação para 2011 e 2012. “É preciso que todos/as entendam que a Greve hoje é a única ferramenta que possuímos para gritar e questionar toda ordem de absurdos que continuam acontecendo neste “novo governo”, informa em nota o Sinasefe.