sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sudão do Sul improvisa para independência

Fonte: Folha de S Paulo

Prestes a se tornar o mais novo país da África, quando proclamar sua independência amanhã, o Sudão do Sul enfrenta desafios inusitados.
Vencer algumas das piores estatísticas sociais do mundo é tarefa árdua, mas a burocracia da criação do Estado é o primeiro empecilho.
O Sudão do Sul votou em janeiro pela separação do Sudão, com quem esteve em guerra durante décadas.
Sem indústria própria, o novo país precisou encomendar da China centenas de bandeiras de seis cores (antigo emblema do Exército de Libertação do Povo do Sudão -SPLA, na sigla em inglês)
Por falta de tempo, o país ainda não terá moeda própria. Até que o desenho da nova moeda seja finalizado, o Sudão do Sul manterá a libra sudanesa, herança do sistema financeiro de Cartum, capital do norte.
A boa nova é que o embargo dos Estados Unidos e da União Europeia contra o atual Sudão (acusado de patrocinar terroristas) não se aplicará ao novo país.
É um voto de confiança da comunidade internacional para atrair os investidores externos.
A ONU, desde 2005, com a assinatura dos termos de um acordo de paz com o norte, apoia a criação do novo Estado, mas a sala da Assembleia Geral não tem lugar para festejar a independência.
Não há assento para mais um país. Técnicos da ONU estão agora estudando onde criar novas instalações no fórum em Nova York, EUA.
Na internet, o Sudão usa o domínio ".sd", a ex-União Soviética (USSR) ficou com o ".su" e o Sudão do Sul quer o ".ss". No entanto, o país não deve obtê-lo porque a sigla faz referência à SS ("Schutzstaffel"), a polícia nazista.
Para construir a capital planejada, o governo tem um projeto arquitetônico ousado, inspirado nas formas de um rinoceronte.
Pela falta de instalações apropriadas, os times do sul têm treinado em meio às cabras em campos de terra e grama. Estádio de futebol e quadras de basquete estão sendo reparadas em Juba, a atual capital. Mas o país tem esperanças ambiciosas, incluindo chegar às Olimpíadas de 2012 em Londres.
E para assegurar que todos saibam entoar o hino nacional, cantores do governo foram despachados pelo país para ensinar a canção.
Apesar de o país já possuir administração autônoma desde 2005, com Constituição interina, ainda deve ratificar tratados internacionais, como a Convenção contra Tortura.

Um comentário:

  1. Olá Raul, sentir falta no blog de um post sobre o caso Battisti. Talvez você, com seu conhecimento e tendência a concordar com Lula/Dilma possa mostrar algum benefício dessa atitude do governo brasileiro de não extraditar.

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