domingo, 31 de julho de 2011

Para quem tiver interesse

No final de junho eu dei uma palestra no IFRN - Mossoró sobre a temática do Novo Código Florestal. Dácio, ex-aluno meu daquela instituição, gravou-a e a disponibilizou no youtube. Quem tiver interesse em vê-la, segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=CUBRTkdo5Xs

terça-feira, 26 de julho de 2011

A xenofobia norueguesa e a hipocrisia dos bons mocinhos

Talvez o leitor deste blog já tenha percebido que a temática da xenofobia é uma das quais mais me chama ao debate. Sempre escrevo sobre isso, mas não por que goste do tema, ao contrário, por que ele me enoja.
É, pra mim, simplesmente incompreensível aquilo que aquele norueguês desafortunado, para não dizer palavras piores, praticou. Sinceramente, é inaceitável e, por isso mesmo, algumas palavras têm de ser ditas sobre os pobres e bondosos noruegueses que ontem saíram às ruas para mostrar ao mundo consternação e reprovação aos atos de seu compatriota idiota, imbecil, desprezível e tudo o mais que se fizer nesses termos.
Este mesmo povo consternado deu 25% de seus votos ao partido de extrema direita ao qual o imbecil desprezível integrava. Aliás, não só na Noruega crescem os partidos neonazistas, como em toda a Europa. Na França, país da revolução que outrora pregou igualdade, fraternidade e liberdade, a candidata que nas pesquisas se coloca em segundo lugar para a próxima corrida presidencial, pertence a um partido de extrema direita que prega, dentre outras coisas, a repatriação dos imigrantes, só para começar. Portugal, aquela riqueza imensa, é, talvez, o país mais xenofóbico da Europa. Lá sempre que há um mal feito a culpa é dos imigrantes brasileiros ou angolanos. O irônico é que agora eles estão vindo pra cá atrás de bons empregos que lá já há muito há.
Os noruegueses e demais europeus deveriam, no lugar de ficarem fazendo jogos de cenas, não votar mais nesses partidos que vivem do ódio aos imigrantes e aos diferentes.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

A importância do controle social

Nos países ricos as instituições públicas funcionam muito bem, se comparadas ao Brasil. Lá não há atos imorais dos gestores públicos que não venham à tona e não gerem pesado desgaste à imagem do agente envolvido. Tudo isso ocorre, dentre outros fatores, por que as sociedades desses países exercem um rígido controle de qualidade sobre o trato com a coisa pública. Lá, pega muito mal desviar dinheiro público, enquanto aqui parece ser um modus operandi lugar comum em nossa política, aliás, em nossa sociedade. Propinas a guardas de trânsito movimentam milhões no Brasil, só pra começar com um exemplo pequeno.
Claro que esse é um exercício que demanda anos de aprendizagem democrática e um ótimo sistema de ensino público, coisas que ainda não existem no Brasil, no entanto, mesmo apesar de nossas condições adversas, entendo que nós, como povo, somos muito lenientes. Poderíamos ser mais ativos, exigir mais, cobrar mais, sermos incisivos, votar bem...
Enquanto esse dia não chega, sofreremos com escândalos como os do DNIT. O pior de tudo é saber que a Presidenta, mesmo estando certa em promover uma faxina geral e querendo aprofundar os cortes de cabeças corruptas, não poderá fazer muito mais do que isso e, em breve, terá de se conformar, se não o Congresso começa a dar o troco. Política brasileira é assim. Sem controle social eles fazem o que querem e depois se reelegem.
O controle social ao qual me refiro aqui não é o controle do Estado sobre algo, mas ao contrário, o controle da sociedade civil sobre o Estado. O Estado só existe por que é mantido por um povo que ele deve representar.
Depois, quando Paulo Bernardo, Ministro das Comunicações, diz que é difícil controlar um orçamento de 13 bilhões de reais e que, pelo seu tamanho, é quase que "normal" ter desvios, ficamos chocados. A verdade é essa mesmo, infelizmente.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dilma Roussef

Já se vão mais de seis meses de governo e a Presidenta, ao meu ver, já deixou bem claro qual é o seu estilo. Aliás, como observador que sempre fui dela, inclusive desde antes de ser cotada a pré-candidata, sempre percebi seu jeito assertivo de ser, para usar uma palavra que ela gosta muito.
O recente episódio da "faxina" que tem sido feita no Ministério dos Transportes é uma boa amostra disso. Como uma pessoa competente e perfeccionista, que gosta de ver as coisas andando, que impõe metas e deseja cumpri-las, Dilma tem enorme dificuldade de lidar com certos políticos. Acho que é difícil pra ela ter de entender que os ministérios têm de ser dados a partidos, sem critérios técnicos. Dilma é uma meritocrata, ou seja, ela é alguém que valoriza o mérito, não o apadrinhamento político.
Segundo alguns analistas, incluindo Cristina Lobo, de quem gosto muito, ela, a Presidenta, age como se não soubesse das possíveis consequências políticas de seus atos. Temo, realmente, ser verdade. Retaliações no Congresso costumam dificultar a vida dos governos e, às vezes, mesmo, derrubá-los. Dilma parece não se atentar a isso, por vezes.
De toda forma, entendo que o governo de uma mulher como a nossa Presidenta só pode se dar num país com a democracia madura, como a nossa. Embora os partidos discordem e chiem muito, derrubar um Presidente é fora de cogitação. Aprendemos a duras penas que só a estabilidade institucional é apta a promover o bom desenvolvimento de um país com as carências que temos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sudão do Sul improvisa para independência

Fonte: Folha de S Paulo

Prestes a se tornar o mais novo país da África, quando proclamar sua independência amanhã, o Sudão do Sul enfrenta desafios inusitados.
Vencer algumas das piores estatísticas sociais do mundo é tarefa árdua, mas a burocracia da criação do Estado é o primeiro empecilho.
O Sudão do Sul votou em janeiro pela separação do Sudão, com quem esteve em guerra durante décadas.
Sem indústria própria, o novo país precisou encomendar da China centenas de bandeiras de seis cores (antigo emblema do Exército de Libertação do Povo do Sudão -SPLA, na sigla em inglês)
Por falta de tempo, o país ainda não terá moeda própria. Até que o desenho da nova moeda seja finalizado, o Sudão do Sul manterá a libra sudanesa, herança do sistema financeiro de Cartum, capital do norte.
A boa nova é que o embargo dos Estados Unidos e da União Europeia contra o atual Sudão (acusado de patrocinar terroristas) não se aplicará ao novo país.
É um voto de confiança da comunidade internacional para atrair os investidores externos.
A ONU, desde 2005, com a assinatura dos termos de um acordo de paz com o norte, apoia a criação do novo Estado, mas a sala da Assembleia Geral não tem lugar para festejar a independência.
Não há assento para mais um país. Técnicos da ONU estão agora estudando onde criar novas instalações no fórum em Nova York, EUA.
Na internet, o Sudão usa o domínio ".sd", a ex-União Soviética (USSR) ficou com o ".su" e o Sudão do Sul quer o ".ss". No entanto, o país não deve obtê-lo porque a sigla faz referência à SS ("Schutzstaffel"), a polícia nazista.
Para construir a capital planejada, o governo tem um projeto arquitetônico ousado, inspirado nas formas de um rinoceronte.
Pela falta de instalações apropriadas, os times do sul têm treinado em meio às cabras em campos de terra e grama. Estádio de futebol e quadras de basquete estão sendo reparadas em Juba, a atual capital. Mas o país tem esperanças ambiciosas, incluindo chegar às Olimpíadas de 2012 em Londres.
E para assegurar que todos saibam entoar o hino nacional, cantores do governo foram despachados pelo país para ensinar a canção.
Apesar de o país já possuir administração autônoma desde 2005, com Constituição interina, ainda deve ratificar tratados internacionais, como a Convenção contra Tortura.