domingo, 22 de maio de 2011

A problemática relação Brasil x Argentina: O caso dos automotivos

Para além do futebol

Nutrimos uma rivalidade histórica que vem desde o século XIX, nas disputas pelos territórios da região do Prata, mas, para o bem e para o mal, nestes tempos de globalização do século XXI, estamos umbilicalmente ligados. Somos os dois maiores sócios do Mercosul e este bloco irá para onde decidirmos que ele deve ir. O problema, já de há muito alardeado, é a diferença entre as economias. O desnível entre Brasil e Argentina é gritante. Basta dizer que a economia dos hermanos representa cerca de 25% da nossa. Quase metade de tudo o que eles exportam vem pra cá. Nós somos o maior parceiro comercial deles e eles o 4º nosso.
O comércio com a Argentina é especialmente importante para o Brasil por que a pauta de exportações é baseada, sobretudo, em produtos de valor agregado, manufaturados, ao contrário do que se passa com a China, por exemplo, país para o qual vendemos produtos primários, sobretudo.
As assimetrias entre os dois sócios têm forçado a Argentina, em alguns momentos, a tomar atitudes contrárias ao livre comércio que se pretende instalar na região, como a taxação de produtos brasileiros e a instauração de barreiras não-tarifárias. Os setores mais atingidos têm sido o de máquinas e implementos agrícolas e o da chamada "linha branca". Isso tem irritado os produtores brasileiros, mas, de certa forma, até entendo os argentinos. Nossa economia é muito mais vibrante, competitiva e agressiva. Se se abrirem descontroladamente poderão se desindustrializar e isso não é interessante para ninguém.
Por outro lado, cada um defende a posição em que está e o Brasil deve defender a sua. Na relação entre países a comunicação não se faz por palavras, mas sim por atos. O Presidente Lula sempre foi muito complacente com os argentinos. Dilma, segundo consta, não será. Resolveu, como diz o clarín atacar onde mais dói: os automotivos, principal produto de exportação deles para cá.
Com isso foi dito o seguinte: Argentina, você precisa mais de mim do que eu de você. Se quiser continuar brincando de dificultar o comércio, vamos ver até onde você vai aguentar.
A mensagem foi poderosa.
Vários analistas argentinos saíram-se dizendo que eles sofrem de uma coisa chamada de "Brasil dependência" e que seria pior para a Argentina se ela endurecesse a relação. O nosso ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Fernando Pimentel, mandou correspondência para a sua similar argentina dizendo que estava certo de que ambos os países trabalharão para a construção de um comércio livre na região e que, se ela quisesse, poderia vir a Brasília a qualquer hora para resolver a questão. Tradução: Se quiser, venha aqui. Se não, deixe tudo como está.
A repercussão em toda a América do Sul foi geral. Uma lida rápida nos principais jornais dos países vizinhos nos dá a clara impressão de que eles entenderam a mensagem, o Brasil, ao que parece, não será mais tão complacente.


Um comentário:

  1. e issu ai DILMA chega de ser neutro e vamos mostrar nossa força e imprimir respeito na america latina e no mundo , afinal ja geramos mais riquezas que a Inglaterra.

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