segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os riscos da volta da inflação

Talvez quem tem até 20 anos não tenha noção do que é inflação, mas não se enganem, este é um gravíssimo problema para qualquer nação. Segundo a maioria dos economistas, trata-se do aumento generalizado e contínuo dos preços gerais de uma determinada cesta de produtos. Nossos pais e avós a conhecem como a velha e péssima carestia. O contrário disso, ou seja, preços caindo continuamente, chama-se "deflação".
Só para termos noção, até 01 de junho de 1994, a inflação média no país era de cerca de 80% ao mês. Em 1993, a inflação acumulada do ano foi algo em torno de 3.000%. À época chamávamos esse fenômeno de "hiper-inflação". Ninguém podia ter dinheiro em casa, pois a desvalorização era rápida. O que se comprava por mil cruzeiros reais, de manhã, não se comprava mais à noite. O preço, simplesmente, subia e o valor da moeda se corroía. Se hoje estamos há 17 anos com uma só moeda, entre 88 e 94, seis anos, tivemos o cruzeiro, o cruzado, o cruzado novo, o cruzeiro novamente, e o cruzeiro real até chegarmos finalmente ao real. Longa caminhada rumo à estabilização.
Numa economia capitalista estável, como a nossa hoje, os preços são definidos pela equação entre a oferta e a demanda. Quanto maior a oferta de um produto, menor será o seu preço, haverá, então, deflação. Ao contrário, quanto maior a demanda, menor oferta, logo maior o preço, maior inflação.
Como a economia brasileira está aquecida, as pessoas estão com dinheiro e demandam muito, por isso é normal haver uma certa inflação. Segundo o Banco Central, o ideal seria um taxa de 4,5%, com uma variação máxima de 1,5% para cima ou para baixo. Ocorre que hoje as taxas já estão acima do chamado teto da meta, 6%. Se compararmos esses números com o que tínhamos antes do real, veremos que não é nada comparado ao que já vivemos, mas se observamos certos outros indicadores da economia, veremos que já há com o que se preocupar.
No Brasil, segundo dizem os economistas, ainda há em nós uma certa cultura inflacionária que se reflete através do que eles chamam de indexação da economia. Funciona mais ou menos assim: Se a inflação é de 6%, diversos preços que sobem ou descem segundo o ritmo de alguns índices atrelados às taxas de inflação, serão reajustados. Por exemplo, os aluguéis são corrigidos segundo o IGP-M. Se a inflação sobe, sobe o IGP-M, sobe o aluguel. Ora, se sobe o aluguel, sobe a inflação. Perceberam? A indexação corrige a inflação, mas alimenta a inflação futura por que gera também aumento de preços.
No Brasil há ainda vários índices que indexam vários preços. Se a inflação passar de 6% esse ano, segundo Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, nós já temos projetados uma inflação de 10% para o próximo. Assim, podemos ter um descontrole geral dos preços de forma gradativa. Isso seria péssimo para todos.

2 comentários:

  1. Professor realmente a nossa inflação atual não chega nem aos pés das grandes crises inflacionárias que tivemos antigamente, mas também não justifica a grande proporção de aumentos, nas vezes penso se eles mesmos querem criar a inflação, pois que ganha são eles, um grande exemplo é o barril de petróleo que está em alta, aproximadamente 110 doláres isso é mito, o Brasil não pensa na população e sim quantos bilhões e trilhões entram por mês ou ano. Agora pergunto tendo ou não inflação sendo ela alta ou baixa, sempre existe um pensamento estratégico e não conhecido?

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  2. Isso o que vc disse aí chama-se "especulação". Muita gente sabida faz isso e o país é quem se dá mal.

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