sexta-feira, 6 de maio de 2011

O STF na vanguarda dos acontecimentos

Em um Estado laico, onde a moral religiosa não é a diretriz principal, a sociedade se desenvolve a partir de princípios de respeito à individualidade e à liberdade de cada um, conforme previsto no art.5º de nossa Constituição Federal. Em nossa República há muitas forças conservadoras que tentam barrar o avanço de certos temas, basta nos lembrarmos das últimas eleições presidenciais em que o obscurantismo reinou. Nem Dilma, nem Serra, tampouco Marina Silva, foram capazes de se posicionar claramente sobre o aborto, por exemplo, por que isso foi tratado como se todos estivéssemos assistindo a uma missa ou a um culto protestante. O pior é que também não se discutiram temas de fato relevantes para o país, como a Amazônia, o Pré-Sal, dentre outros.
Ontem, a despeito das igrejas de modo geral e do atraso religioso que sonha em nos remeter a todos de volta à idade média, o STF resolveu fazer algo que há muito já deveria ter sido feito: reconhecer o direito que pessoas têm de constituir família, qualquer família que acharem por bem formar. É isso foi que dito no julgamento de ontem. Não se trata de homossexuais, heterossexuais, pansexuais ou qualquer coisa do gênero, mas de pessoas que, como tais, têm o direito de fazer consigo próprio o que melhor lhes aprouver. Ninguém perdeu ontem, mas a sociedade brasileira ganhou por que se tornou mais democrática, mais tolerante.
Religião se discute nas igrejas, em casa com a família, com os amigos, mas não no Congresso Nacional, no STF ou na Presidência. Essas instituições são laicas, por que laico é o Estado ao qual elas fazem parte. Andou bem o STF ontem.
Reforço minha opinião no sentido de ser favorável à descriminalização do aborto, à maior facilitação do acesso ao divórcio, da menor participação do Estado na vida pessoas e da afirmação cada vez maior das liberdades individuais de forma geral.

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