quinta-feira, 12 de maio de 2011

Algumas notas sobre o que eu observei no episódio da morte de Bin Laden

A morte
A morte de Bin Laden trouxe consigo uma série de revelações que jamais imaginaríamos, nem mesmo os defensores das mais alucinadas teorias da conspiração. Quem diria que ele estava numa casa relativamente confortável, localizada num bairro "nobre" de uma importante cidade do Paquistão? Nem a CIA. Segundo consta, já há cerca de seis meses o serviço secreto dos EUA vinha observando a residência de Osama e, durante esse período, não conseguiu uma imagem sequer dele.
Tão logo conseguiu a informação, os EUA agiram do seu jeito pitoresco de sempre: atiram, depois perguntam. Diga-se: o episódio foi um completo desrespeito às normas e convenções internacionais, mais uma vez. A América dos estadunidenses invadiu o Paquistão, chegou atirando, aliás, explodindo, não informou nem sequer ao mais íntimos dos aliados nada do seu plano. Eles são eles. Depois o mundo vem e chancela tudo o que eles fazem. Há quem diga que foi um ato de "justiça".
Não tenho nada a favor de Bin Laden, mas o seu assassinato foi um ato de brutalidade. Isso mesmo, brutalidade, brutalidade, fixe-se. Vou me dar ao direito de ser bem redundante agora: matar alguém é brutal em qualquer hipótese. Os bons mocinhos morreram aos milhares no World Trade Center e isso foi igualmente reprovável e brutal. Não se paga brutalidade com mais brutalidade e isso já há muito foi convencionado pelos mais tenros resquícios de civilização.
Em última análise, na cabeça de Osama e da Al Qaeda, o atentado às Torres Gêmeas foi uma resposta às brutalidades que há décadas os americanos dos EUA executam no Oriente Médio, mais especificamente na Palestina.
Isso não justifica nada, só torna os envolvidos na questão ainda mais brutos do que têm sido.
Antes que eu me esqueça, inclua Israel nisso de ser brutal também.

Barack Obama
Já disse diversas vezes: felizes éramos quando tínhamos um quadrúpede chamado George Bush na presidência dos EUA. É mais fácil lidar com burros. Os inteligentes são cheios de ardis, de artimanhas, de sacadas rápidas e perigosas e no final ainda deixam todos iludidos, apaixonados.
Obama é inteligente, desperta paixão. Lembram-se de como ele anunciou ao mundo a morte de Bin Laden? "Não estamos em guerra contra o Islã, ao contrário, estamos do seu lado. Nossa guerra é contra o terror". O homem é safo mesmo. O mundo o aplaude, sua popularidade vai às alturas, mas matou Osama num ato de invasão ao Paquistão, humilhou o país asiático perante o mundo e executa a mesma política de sempre no Oriente Médio. O Iraque continua estuprado, o Afeganistão prostituído e a Palestina, coitada, fuzilada. Algo mudará? Dificilmente, pelo menos no curto prazo.

Os americanos estadunidenses
A cultura americana estadunidense é fascinante, já diria um certo integrante da Enterprise (tô inspirado). Eles são contra a adoção de um sistema público de saúde por que não querem pagar mais impostos e não admitem que o Estado influencie nada em suas vidas. Eles são individualistas, cada um cuide de si. O país só têm dois partidos no poder há séculos e são, sem maiores questionamentos, a democracia mais sólida do mundo. Cada estado tem suas leis, não admitem em hipótese alguma a intromissão do governo federal em seus assuntos internos, mas jamais cogitam o separatismo. Os EUA são a terra da liberdade dentro de suas fronteiras, mas do terror para os seus vizinhos nem tão vizinhos assim: o resto do mundo.
Saíram às ruas numa euforia coletiva que não foi planejada e não teve líderes. Foi, simplesmente, espontânea. Todos estavam felicíssimos, alucinados, parecia que tinham conseguido um grande feito de progresso, mas estavam mesmo era comemorando o seu poderio militar e o uso da força bruta nas relações internacionais.
Estavam enlouquecidos de alegria por causa de uma morte. Digno de nota.

6 comentários:

  1. Olá Raul, tudo bom? Vi em um dos materiais dado por você aos alunos do CPP que você tinha esse blog, então resolvi entrar para acompanhar alguns tópicos sobre atualidade, e logo na primeira leitura vejo uma crítica aos EUA o que me faz lembrar do velho e bom professor Raul do tempo do Mater Christi. Abraço.

    ps: Depois posto minha humilde opinião sobre a morte de Bin Laden.

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  2. Grande professor Raul primeira que acesso seu blog
    gostei muito do texto e também concordo com vc não se combate brutalidade com mais brutalidade...
    um abraço professor

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  3. EU me pergunto se realmente ele morreu, ora os EUA diziam que foi para lua eu não acreditei, bobagem isso é jogo político.

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  4. Olá Raul, por motivos lógicos eu concordo de forma geral com seu texto, mas faço uma análise diferente em alguns pontos.

    A morte

    Que os Estados Unidos agiram com brutalidade e que não se deve combater violência de forma brutal isso é indiscutível. Entretanto de todas as opções citadas por críticos dos Estados Unidos que vi em tele-jornais ou li na internet, nenhuma me convenceu que seria melhor do que a praticada pelo estadunidenses (melhor para eles, claro). A prisão iria gerar gastos (transporte, segurança, custódia e julgamentos de Osama) e problemas futuros (possíveis atentados). Enterrá-lo também não seria uma boa opção, afinal em que país enterra? E mesmo que algum fosse escolhido esse local deveria ter seguranças por um bom tempo e mesmo assim ainda haveria a possibilidade de virar local de peregrinações ou outros atos, enfim, para nós brasileiros, que não estamos diretamente envolvidos, é fácil pedir mais compaixão e respeito aos direitos humanos para os militares norte-americanos, mas eles agiram de forma técnica e buscando maior proteção para seu país.

    Se eles tivessem avisado aos paquistaneses sobre a operação e a mesma tivesse falhado, hoje estaríamos aqui comentando como eles foram ingênuos em confiar na policia do Paquistão, mas como não fizeram estamos os caracterizando como anti-diplomáticos.

    Outra coisa que o mundo deseja, em especial os brasileiros, é ver as fotos de Bin Laden morto para título de comprovação. Mas será que na análise da relação bônus versus ônus da divulgação isso seria viável aos estadunidenses?!


    Barack Obama

    Não podemos negar que ele foi o grande favorecido dessa ação, ela não gerou somente aumento na sua popularidade, gerou um aumento na confiança dos americanos de que Obama pode cumprir outras promessas feitas por ele na campanha eleitoral passada, e isso pode render um novo mandato em 2012.


    Os americanos estadunidenses

    Sair às ruas para festejar a morte de uma pessoa não é uma atitude salutar, mas eu não ouso criticar um povo que viu o fim daquele que provocou tanta tristeza em seu país.

    Para nós brasileiros é difícil entender completamente o significado de ser atacado, graça a ausência desses atos em nosso território, mas se tivéssemos contato com alguma pessoa que estava em Nova Iorque ou até mesmo no EUA em 11 de setembro de 2001 iríamos entender porque a palavra terrorista deriva de terror. E talvez também entender o porquê de tanta comemoração pela morte de uma pessoa.

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  5. Olá, Rômulo.

    Primeiramente, obrigado pelos comentários e pela participação no blog. Suas considerações são bem factíveis e reais, embora, como ficou claro no texto, discorde em partes dela.
    Suas idéias foram muito bem expostas, concatenadas e expressam uma boa capacidade de se colocar no lado de lá, mas eu optei por vê-los do lado de cá. Não há uma crítica nisto, apenas uma constatação.

    Abraço.

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  6. parabens,que excelente texto ,o mais incrivel veridico e com todas as bibliografias possiveis.acredito como os pais do comunismo diziam o capitalismo e´ fase aquecimento ,estabilidade e depois colapso o dos americanos ja começou.

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