domingo, 29 de maio de 2011

Balanço da visitação do blog, segundo o google analytics

Enquanto o tempo não me deixar escrever sobre o novo Código Florestal, vou repassando alguns dados sobre o blog, segundo o google analytics:
- A média de visitação diária é sempre algo em torno de 100 a 120 visitas, chegando a picos de 150;
- Os estados que mais nos leem são Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Norte, meu estado de origem, é apenas o terceiro;
- A cidade que mais visita o blog é Fortaleza, seguida de Natal e João Pessoa. Mossoró é apenas a quarta;
- Portugal é responsável por cerca de 20 visitas diárias;
- Outros países de línguas as mais variadas também nos visitam: EUA, Dinamarca e até o Japão;
- A média de tempo gasto no blog por cada visitante é de 7,3 minutos. Isso significa que os visitantes realmente leem o blog, gastam tempo aqui;

Dados interessantes.
Abraço a todos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Informando

Até o final deste mês de maio estarei envolvido em várias atividades que me tomam muito tempo. Por isso, infelizmente, ficarei afastado do blog neste período. Tão logo possível, retorno às postagens.
Já tenho tema definido para o próximo post: O Novo Código Florestal.

domingo, 22 de maio de 2011

O fenômeno Amanda Gurgel

Essa moça tem me encantado com a forma como organiza seus pensamentos e os transforma em discursos inflamados, concatenados e incisivos. Em apenas oito minutos na Assembléia Legislativa do RN ela falou tudo o que todo Professor do país tem vontade de dizer. O melhor de tudo é que foi dito diretamente aos deputados e à secretária de educação do estado. Foi tudo perfeito para se gerar grande repercussão.
Em nosso meio da educação ela tem sido assunto constante nos últimos dias, no entanto o meu foco neste post não é a pessoa de Amanda Gurgel em si, mas o fenômeno que ela representa. Oradora nata, fala com emoção e empolga a todos pela propriedade com que aborda a temática. Por isso ela é algo para estudo. Ela conseguiu trazer a sociedade brasileira para dentro do debate que nós professores já há muito fazemos.
Sempre vi as pessoas muito letárgicas e conformadas com o fato de nossas escolas públicas analfabetizarem os seus filhos. Greves e mais greves dos professores vão e vêm, mas ninguém de fora do meio jamais se importou com isso, nem o debate nacional jamais foi despertado. Os governos dos estados, por vezes mais preocupados em usar os escassos recursos públicos de forma inapropriada, fazem o que querem e ninguém diz nada. Aqui no RN a governadora anuncia orgulhosa que gastará um milhão de reais com o ABC, o América e o Alecrim, times de futebol da capital, e ninguém se toca que esse dinheiro seria melhor investido na estrutura das escolas que mais parecem prédios abandonados caindo aos pedaços. Isso é revoltante.
Por isso Amanda é um fenômeno. Ela trouxe a sociedade pro debate. Todos querem ver o seu discurso e nos procuram para saber o que achamos. A sociedade tem que saber que as coisas só mudam se ela se envolver. É preciso aproveitar esse momento para falarmos mais, para mostrarmos como as escolas públicas são ruins e o quanto isso é danoso para um país que se pretende grande, como nos pretendemos.
Não investir na educação é atitude contraproducente, um crime. É nos jogar no atraso. Vamos falar, nos revoltar e cobrar. Temos de dizer aos políticos claramente: Queremos uma educação de qualidade, não transigimos. Não nos conformamos mais em sermos um país de analfabetos, como somos.
Isso só se muda com investimento e investimentos só se fazem se cobrarmos. Façamos isso.

A problemática relação Brasil x Argentina: O caso dos automotivos

Para além do futebol

Nutrimos uma rivalidade histórica que vem desde o século XIX, nas disputas pelos territórios da região do Prata, mas, para o bem e para o mal, nestes tempos de globalização do século XXI, estamos umbilicalmente ligados. Somos os dois maiores sócios do Mercosul e este bloco irá para onde decidirmos que ele deve ir. O problema, já de há muito alardeado, é a diferença entre as economias. O desnível entre Brasil e Argentina é gritante. Basta dizer que a economia dos hermanos representa cerca de 25% da nossa. Quase metade de tudo o que eles exportam vem pra cá. Nós somos o maior parceiro comercial deles e eles o 4º nosso.
O comércio com a Argentina é especialmente importante para o Brasil por que a pauta de exportações é baseada, sobretudo, em produtos de valor agregado, manufaturados, ao contrário do que se passa com a China, por exemplo, país para o qual vendemos produtos primários, sobretudo.
As assimetrias entre os dois sócios têm forçado a Argentina, em alguns momentos, a tomar atitudes contrárias ao livre comércio que se pretende instalar na região, como a taxação de produtos brasileiros e a instauração de barreiras não-tarifárias. Os setores mais atingidos têm sido o de máquinas e implementos agrícolas e o da chamada "linha branca". Isso tem irritado os produtores brasileiros, mas, de certa forma, até entendo os argentinos. Nossa economia é muito mais vibrante, competitiva e agressiva. Se se abrirem descontroladamente poderão se desindustrializar e isso não é interessante para ninguém.
Por outro lado, cada um defende a posição em que está e o Brasil deve defender a sua. Na relação entre países a comunicação não se faz por palavras, mas sim por atos. O Presidente Lula sempre foi muito complacente com os argentinos. Dilma, segundo consta, não será. Resolveu, como diz o clarín atacar onde mais dói: os automotivos, principal produto de exportação deles para cá.
Com isso foi dito o seguinte: Argentina, você precisa mais de mim do que eu de você. Se quiser continuar brincando de dificultar o comércio, vamos ver até onde você vai aguentar.
A mensagem foi poderosa.
Vários analistas argentinos saíram-se dizendo que eles sofrem de uma coisa chamada de "Brasil dependência" e que seria pior para a Argentina se ela endurecesse a relação. O nosso ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Fernando Pimentel, mandou correspondência para a sua similar argentina dizendo que estava certo de que ambos os países trabalharão para a construção de um comércio livre na região e que, se ela quisesse, poderia vir a Brasília a qualquer hora para resolver a questão. Tradução: Se quiser, venha aqui. Se não, deixe tudo como está.
A repercussão em toda a América do Sul foi geral. Uma lida rápida nos principais jornais dos países vizinhos nos dá a clara impressão de que eles entenderam a mensagem, o Brasil, ao que parece, não será mais tão complacente.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um pouco mais sobre a inflação: O aumento que vem de fora

Como esse é um tema meio complexo, com muitas informações, resolvi falar dele em mais de um post para não ficar um texto só, muito grande e massante.
Atualmente não é só o Brasil que vem passando por um certo descontrole das taxas de inflação. Se observarmos, países como a Inglaterra, que há muitos anos não tinham inflação acima de 2%, hoje estão com taxas de 4,5%. Há ainda a Alemanha, a França e a China, todos com taxas acima de suas respectivas metas.
Segundo os economistas, esse aumento de preço está ocorrendo por que as comodities, produtos primários exportados por países como o Brasil, têm tido altas sucessivas. Como elas são base dos produtos industriais, causam o aumento também destes e, assim, um ciclo inflacionário se cria. Como a economia está globalizada, a inflação também é globalizada.
Os EUA entraram em crise em 2008, todos entramos. Agora as economias voltam a crescer, demandam mais produtos primários, eles sobem e todos os países mais relevantes do planeta têm uma onda inflacionária em conjunto.
O que assusta, no caso do Brasil, é a indexação de nossa economia, como expliquei no post logo abaixo, e nossa longa cultura inflacionária. Muitos atores econômicos, quando percebem que há uma onda de aumento de preços, especulam e aumentam os seus, mesmo que não haja motivos aparentes que justifiquem essa atitude. Assim foi com a gasolina, por exemplo. Subiu no Brasil todo, mas a Petrobrás não remarcou os preços. Alguns usaram o aumento do preço do álcool para justificar, mas o percentual de álcool que têm na gasolina brasileira (25%) não era suficiente para uma remarcação tão grande e em cadeia, como a que houve.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os riscos da volta da inflação

Talvez quem tem até 20 anos não tenha noção do que é inflação, mas não se enganem, este é um gravíssimo problema para qualquer nação. Segundo a maioria dos economistas, trata-se do aumento generalizado e contínuo dos preços gerais de uma determinada cesta de produtos. Nossos pais e avós a conhecem como a velha e péssima carestia. O contrário disso, ou seja, preços caindo continuamente, chama-se "deflação".
Só para termos noção, até 01 de junho de 1994, a inflação média no país era de cerca de 80% ao mês. Em 1993, a inflação acumulada do ano foi algo em torno de 3.000%. À época chamávamos esse fenômeno de "hiper-inflação". Ninguém podia ter dinheiro em casa, pois a desvalorização era rápida. O que se comprava por mil cruzeiros reais, de manhã, não se comprava mais à noite. O preço, simplesmente, subia e o valor da moeda se corroía. Se hoje estamos há 17 anos com uma só moeda, entre 88 e 94, seis anos, tivemos o cruzeiro, o cruzado, o cruzado novo, o cruzeiro novamente, e o cruzeiro real até chegarmos finalmente ao real. Longa caminhada rumo à estabilização.
Numa economia capitalista estável, como a nossa hoje, os preços são definidos pela equação entre a oferta e a demanda. Quanto maior a oferta de um produto, menor será o seu preço, haverá, então, deflação. Ao contrário, quanto maior a demanda, menor oferta, logo maior o preço, maior inflação.
Como a economia brasileira está aquecida, as pessoas estão com dinheiro e demandam muito, por isso é normal haver uma certa inflação. Segundo o Banco Central, o ideal seria um taxa de 4,5%, com uma variação máxima de 1,5% para cima ou para baixo. Ocorre que hoje as taxas já estão acima do chamado teto da meta, 6%. Se compararmos esses números com o que tínhamos antes do real, veremos que não é nada comparado ao que já vivemos, mas se observamos certos outros indicadores da economia, veremos que já há com o que se preocupar.
No Brasil, segundo dizem os economistas, ainda há em nós uma certa cultura inflacionária que se reflete através do que eles chamam de indexação da economia. Funciona mais ou menos assim: Se a inflação é de 6%, diversos preços que sobem ou descem segundo o ritmo de alguns índices atrelados às taxas de inflação, serão reajustados. Por exemplo, os aluguéis são corrigidos segundo o IGP-M. Se a inflação sobe, sobe o IGP-M, sobe o aluguel. Ora, se sobe o aluguel, sobe a inflação. Perceberam? A indexação corrige a inflação, mas alimenta a inflação futura por que gera também aumento de preços.
No Brasil há ainda vários índices que indexam vários preços. Se a inflação passar de 6% esse ano, segundo Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, nós já temos projetados uma inflação de 10% para o próximo. Assim, podemos ter um descontrole geral dos preços de forma gradativa. Isso seria péssimo para todos.

domingo, 15 de maio de 2011

Pífio

Acabei de ver um post no twitter, da governadora Rosalba Ciarlini, dizendo que o estado do RN irá patrocinar os clubes potiguares que disputam campeonatos estaduais. Sinceramente, isso é ridículo. Um estado pobre como o nosso, com escolas e hospitais públicos caindo aos pedaços, anunciar que irá pôr dinheiro público em instituições privadas que nada fazem para a melhoria das condições econômicas do RN, é um insulto à mínima inteligência dos cidadãos.
Gosto de futebol, torço pelo potiguar de Mossoró, quero que ABC e América façam boas participações em seus campeonatos, mas sem dinheiro público. Ocorre que os clubes são pessimamente mal administrados, não têm inteligência para lançar mão de estratégias de arrecadação de dinheiro junto à iniciativa privada e nós, cidadãos potiguares, seremos onerados. Nossos impostos que, com certeza teriam melhor destinação se fossem usados para privilegiar, realmente, o interesse público, findam parando em fins pouco úteis à coletividade.
Isso é ridículo, inaceitável, revoltante.
No twitter ensaiei o início de uma campanha para, pelo menos, gerar o debate. Chama-se "#contradinheiropúbliconosclubesdefutebol". A hashtag é grande, eu sei, mas se você concordar com isso, entre também na campanha.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Algumas notas sobre o que eu observei no episódio da morte de Bin Laden

A morte
A morte de Bin Laden trouxe consigo uma série de revelações que jamais imaginaríamos, nem mesmo os defensores das mais alucinadas teorias da conspiração. Quem diria que ele estava numa casa relativamente confortável, localizada num bairro "nobre" de uma importante cidade do Paquistão? Nem a CIA. Segundo consta, já há cerca de seis meses o serviço secreto dos EUA vinha observando a residência de Osama e, durante esse período, não conseguiu uma imagem sequer dele.
Tão logo conseguiu a informação, os EUA agiram do seu jeito pitoresco de sempre: atiram, depois perguntam. Diga-se: o episódio foi um completo desrespeito às normas e convenções internacionais, mais uma vez. A América dos estadunidenses invadiu o Paquistão, chegou atirando, aliás, explodindo, não informou nem sequer ao mais íntimos dos aliados nada do seu plano. Eles são eles. Depois o mundo vem e chancela tudo o que eles fazem. Há quem diga que foi um ato de "justiça".
Não tenho nada a favor de Bin Laden, mas o seu assassinato foi um ato de brutalidade. Isso mesmo, brutalidade, brutalidade, fixe-se. Vou me dar ao direito de ser bem redundante agora: matar alguém é brutal em qualquer hipótese. Os bons mocinhos morreram aos milhares no World Trade Center e isso foi igualmente reprovável e brutal. Não se paga brutalidade com mais brutalidade e isso já há muito foi convencionado pelos mais tenros resquícios de civilização.
Em última análise, na cabeça de Osama e da Al Qaeda, o atentado às Torres Gêmeas foi uma resposta às brutalidades que há décadas os americanos dos EUA executam no Oriente Médio, mais especificamente na Palestina.
Isso não justifica nada, só torna os envolvidos na questão ainda mais brutos do que têm sido.
Antes que eu me esqueça, inclua Israel nisso de ser brutal também.

Barack Obama
Já disse diversas vezes: felizes éramos quando tínhamos um quadrúpede chamado George Bush na presidência dos EUA. É mais fácil lidar com burros. Os inteligentes são cheios de ardis, de artimanhas, de sacadas rápidas e perigosas e no final ainda deixam todos iludidos, apaixonados.
Obama é inteligente, desperta paixão. Lembram-se de como ele anunciou ao mundo a morte de Bin Laden? "Não estamos em guerra contra o Islã, ao contrário, estamos do seu lado. Nossa guerra é contra o terror". O homem é safo mesmo. O mundo o aplaude, sua popularidade vai às alturas, mas matou Osama num ato de invasão ao Paquistão, humilhou o país asiático perante o mundo e executa a mesma política de sempre no Oriente Médio. O Iraque continua estuprado, o Afeganistão prostituído e a Palestina, coitada, fuzilada. Algo mudará? Dificilmente, pelo menos no curto prazo.

Os americanos estadunidenses
A cultura americana estadunidense é fascinante, já diria um certo integrante da Enterprise (tô inspirado). Eles são contra a adoção de um sistema público de saúde por que não querem pagar mais impostos e não admitem que o Estado influencie nada em suas vidas. Eles são individualistas, cada um cuide de si. O país só têm dois partidos no poder há séculos e são, sem maiores questionamentos, a democracia mais sólida do mundo. Cada estado tem suas leis, não admitem em hipótese alguma a intromissão do governo federal em seus assuntos internos, mas jamais cogitam o separatismo. Os EUA são a terra da liberdade dentro de suas fronteiras, mas do terror para os seus vizinhos nem tão vizinhos assim: o resto do mundo.
Saíram às ruas numa euforia coletiva que não foi planejada e não teve líderes. Foi, simplesmente, espontânea. Todos estavam felicíssimos, alucinados, parecia que tinham conseguido um grande feito de progresso, mas estavam mesmo era comemorando o seu poderio militar e o uso da força bruta nas relações internacionais.
Estavam enlouquecidos de alegria por causa de uma morte. Digno de nota.

Apresentador do Manhattan Connection aponta tendências econômicas para o Brasil e o mundo

Por Isabela Palhares

Câmbio, juros, tributos e a difícil arte de domar o dragão

O início de 2011 trouxe um grande e complexo desafio para o Banco Central brasileiro: desenvolver uma política econômica sofisticada, capaz de manter o ritmo de crescimento do país e diminuir os impactos da atual escalada mundial de preços, principalmente, dos alimentos. Segundo informe do Banco Central, o comportamento dos preços das commodities no exterior deslocou a inflação brasileira em 2,5% nos últimos meses, afastando-a do centro da meta.Além disso, fatores internos também colaboraram para esse aumento inflacionário, como a redução do desemprego e a elevação do nível de renda, o que pressionou o custo de serviços como transportes, energia elétrica, TV por assinatura e internet, já que a demanda aumentou bem mais que a oferta. Mas segundo a professora de economia da USP Leda Maria Paulani, “essa pressão que existe é muito mais importada do que algo que tenha a ver com a economia interna. Há um aumento de preços das commodities que acaba tendo um grande impacto no Brasil”.Seja qual for a parcela da contribuição externa, segue o desafio: conter a inflação. Nessa situação, as políticas ortodoxas recomendam uma elevação nas taxas de juros, para conter o consumo e tentar o equilíbrio entre oferta e procura, para estabilizar os preços. Mas isso contribui para uma valorização excessiva do real, já que os juros altos atraem a entrada de dólar para investimento no mercado financeiro e a oferta abundante da moeda estrangeira derruba sua cotação frente ao real. Esse quadro é bastante preocupante para o exportador brasileiro, num momento em que o dólar já está desvalorizado em todo o mundo, pois o preço das mercadorias de exportação se torna mais caro e menos competitivo na conversão de um real forte para a moeda mais usada nas transações internacionais: o dólar, que por sua vez, está cada vez mais fraco.
Para manter os juros altos e ao mesmo tempo moderar a valorização da taxa de câmbio, a saída para o Banco Central é a compra de dólares. Nos últimos anos, o acúmulo de reservas em moeda estrangeira pelos sucessivos balanços positivos na diferença entre entrada e saída de dólares – tanto nas transações comerciais quanto no capital especulativo que passa pelo sistema financeiro – foi um dos grandes trunfos da política econômica e esteve na base da excepcional resistência do Brasil perante as crises internacionais. No entanto, quanto mais altos os juros, mais custam as reservas, já que o Banco Central tem que recorrer mais vezes à compra de dólares para conter sua desvalorização.
O economista e estrategista de investimento Ricardo Amorim explica que essa política de reservas funciona como um seguro e que foi muito eficaz contra a crise de 2008, que teve consequências seríssimas em todo o mundo, mas impactos bem menores no Brasil. Paulani, da USP, concorda: “Essa política nos traz certo conforto, uma certa tranquilidade em relação a momentos como os de crise externa, em que alguns outros países com menos reservas ficaram mais vulneráveis”.
No entanto, Amorim afirma que “o custo do acúmulo de reservas é muito alto. Só no ano passado, foram gastos praticamente R$ 50 milhões, ou seja, uma despesa maior do que com, por exemplo, infraestrutura”. Ele explica, ainda, que seria mais eficaz investir em outras áreas e tornar a economia brasileira mais competitiva do que continuar pagando por essa política de seguro.
Uma outra solução que o Banco Central encontrou para conter o consumo e frear a inflação foi combinar a elevação da taxa de juros com medidas que atuem de forma mais direta sobre o crédito, como, por exemplo, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% para 3% ao ano. Essa é uma iniciativa regulatória, ou seja, que pode ser modificada a partir da normalização da oferta de crédito.
Essas medidas contribuem para a segurança do sistema financeiro, a moderação da atividade econômica e a queda da inflação. E têm a vantagem de que não reforçam os efeitos indesejáveis dos juros altos sobre a taxa de câmbio e as contas públicas. No entanto, o governo tem recebido críticas de que deveria ter sido mais agressivo nesse processo. Ricardo Amorim, ao contrário de empresários como o falecido ex-presidente José Alencar e o atual senador Armando Monteiro Neto, defende que o Banco Central deveria ter elevado os juros de forma mais rápida e forte, mas acrescenta que o governo deveria controlar os gastos para ter um instrumento de resposta.
O controle de gastos é uma importante ferramenta para contrabalançar os efeitos negativos de uma crise externa. Foi o que ocorreu em 2008: quando a crise chegou ao Brasil, o governo pôde aumentar os gastos, injetando mais dinheiro na economia, o que minimizou os efeitos da crise. Só que, desde então, os gastos públicos só têm aumentado e se houver uma nova crise internacional, não haverá condições de responder de forma tão agressiva e forte. Para evitar que a economia brasileira sofra grandes impactos em uma próxima eventual crise, é necessário que o governo diminua agora os gastos e, no momento em que for necessário, os aumente, tendo assim um espaço de manobra no caso de um cenário externo desfavorável.
O governo anunciou em fevereiro que está praticando uma política econômica contracíclica e que pode ajudar a reduzir significativamente o excesso de demanda com os cortes no orçamento. A promessa do governo é de cortar pelo menos R$ 50 bilhões no orçamento de 2011. Esse corte de gastos resulta inevitavelmente numa moderação do crescimento da economia brasileira e redução da inflação. E, nesse cenário, a estimativa do Banco Central para o PIB é a de que, após alta de 7,5% em 2010 – a maior desde 1986 –, deverá crescer apenas 4% em 2011.
Ricardo Amorim faz previsões pouco otimistas para a economia brasileira e diz que, devido a uma piora na crise europeia, o Brasil terá dificuldades para crescer. Primeiro, porque haverá uma restrição de crédito externo para o país, e com menos crédito para os bancos, isso acaba sendo repassado para as empresas e para o consumidor, o que resulta numa redução do consumo, fazendo com que a atividade econômica fique mais fraca. O segundo aspecto é que o Brasil terá dificuldades para exportar, porque a crise externa fará os consumidores internacionais gastarem menos. Mas isso é algo que, por enquanto, o planeta China e sua voracidade de consumo não deixará acontecer. O problema é a produção mundial não acompanhar o crescimento da demanda chinesa. Resultado: fica difícil controlar esse dragão!

domingo, 8 de maio de 2011

Criação de novos estados no Brasil: Uma estratégia viável para o desenvolvimento nacional?

Como todos sabem, há poucos dias a Câmara dos Deputados autorizou a realização de um plebiscito no Pará, para saber se os brasileiros daquele estado aprovam a sua divisão e a conseqüente formação de duas novas unidades da federação, Carajás e Tapajós, em seu território.
Para variar, este é mais outro tema no qual o debate não se faz profundo, mas permeado pelo senso comum e por argumentos sofríveis dos que são contrários. A missão de quem se preocupa com o Brasil é estudá-lo e ir além do discurso vazio que se apresenta em todos os cantos. Este blog é completamente a favor desta empreitada e logo explicarei os motivos.
Antes, quero dizer que além desses no Pará, há ainda muitos outros projetos em andamento, como por exemplo a criação do Maranhão do Sul, de São Paulo do Oeste, do Triângulo Mineiro, dentre vários.


A maioria dos projetos fica na Amazônia e, caso todos fossem aprovados, o Brasil saltaria dos atuais 26 estados e um Distrito Federal e poderia chegar a algo em torno de 45 estados. Ressalta-se que essa não é uma prática inteiramente nova, segundo podemos perceber a partir da seqüência dos mapas abaixo:


Segundo a nossa Constituição, nós somos uma República Federativa, ou seja, adotamos um modelo de administração do território que se pretende descentralizado. Dessa forma, como somos um país-continente, as decisões mais locais não precisam chegar à Presidente, mas são resolvidas na escala mais próxima ao cidadão, no município e no estado.
O estado tem autonomia, sua própria Constituição Estadual, seu próprio orçamento, enfim, é um "mini-país" que, se administrado de forma a privilegiar o interesse público, poderá se organizar e se planejar, construindo sua própria infra-estrutura, lançando seus próprios projetos de desenvolvimento e buscando financiamento onde for necessário.
A idéia de impor novas subdivisões ao nosso território tem como principal argumento favorável o fato de propor uma nova redistribuição do dinheiro público no espaço nacional. É preciso integrar o Brasil e desenvolvê-lo como um todo, conectando e ocupando todo o seu território.
Há áreas na Amazônia, por exemplo, que são completamente isoladas do restante do país. Lá não tem hospital, escola, estrada, pontes nem cidades minimamente organizadas, mas só narcotráfico e ONGS perigosamente instaladas em territórios indígenas (quem tiver interesse leia sobre o caso da "Raposa Serra do Sol").
É preciso que levemos a estrutura do Estado para esses locais. É preciso que façamos esses territórios serem, verdadeiramente, Brasil. Embora alguns xiitas ambientais às vezes quererem dizer o contrário, a civilização não é uma coisa ruim, ninguém gosta de viver isolado.
Para desenvolver essas áreas hoje excluídas, precisamos empreender lá grandes investimentos no sentido de construir estrutura necessária, apta a atrair pessoas com identidade nacional brasileira de todas as regiões para lá morar, ocupar e desenvolver.
Isso custa caro, muito caro. Segundo consta, todos os projetos somam algo em torno de 30 bilhões de reais em cinco anos. É mesmo caro ser rico, barato é ser pobre e atrasado como somos. Esse não é um argumento válido para ser contrário à criação desses novos estados, sobretudo quando levarmos em consideração que o orçamento federal é de cerca de um trilhão de reais anuais. Há dinheiro suficiente, sem bagunçar o orçamento.
Outro argumento dos que são contrários é que os novos estados gerariam mais deputados, senadores e afins. Isso, em minha visão, é ótimo, significa mais representação política para regiões que hoje só existem no mapa e não têm voz política alguma. Não podemos ter medo da democracia.
O ruim não é ter senador, o ruim é ter Sarney, Renan Calheiros, Collor e José Agripino como senadores. Se o ponto fosse esse, então teríamos de extinguir todos os estados que já existem. Até os mais ricos, como São Paulo e Rio, enviam presentes como Maluf e Bolsonaro para o Congresso, por exemplo. A questão é a qualidade do político, não o cargo em si. A discussão é se o povo sabe votar ou não. Só saberão se houver educação e só haverá educação se houver investimento nisso. Nesta ótica, novos estados são uma boa idéia por que terão novo orçamento para investimento em educação, além de saúde, segurança, dentre outros.
É óbvio que a criação dos estados por si só, não desenvolverá nada. Mas, se feito de forma planejada, voltada para o desenvolvimento das regiões mais atrasadas, poderá, sim, ser, de fato, uma estratégia viável para o desenvolvimento mais equânime de todo o nosso território.
Deixemos de ser bairristas nesse momento. Pensemos nosso país como um todo.
Se é bom para o país, é bom para os nossos estados. Não perderemos nada, mas, ao contrário, ganharemos todos juntos.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

O STF na vanguarda dos acontecimentos

Em um Estado laico, onde a moral religiosa não é a diretriz principal, a sociedade se desenvolve a partir de princípios de respeito à individualidade e à liberdade de cada um, conforme previsto no art.5º de nossa Constituição Federal. Em nossa República há muitas forças conservadoras que tentam barrar o avanço de certos temas, basta nos lembrarmos das últimas eleições presidenciais em que o obscurantismo reinou. Nem Dilma, nem Serra, tampouco Marina Silva, foram capazes de se posicionar claramente sobre o aborto, por exemplo, por que isso foi tratado como se todos estivéssemos assistindo a uma missa ou a um culto protestante. O pior é que também não se discutiram temas de fato relevantes para o país, como a Amazônia, o Pré-Sal, dentre outros.
Ontem, a despeito das igrejas de modo geral e do atraso religioso que sonha em nos remeter a todos de volta à idade média, o STF resolveu fazer algo que há muito já deveria ter sido feito: reconhecer o direito que pessoas têm de constituir família, qualquer família que acharem por bem formar. É isso foi que dito no julgamento de ontem. Não se trata de homossexuais, heterossexuais, pansexuais ou qualquer coisa do gênero, mas de pessoas que, como tais, têm o direito de fazer consigo próprio o que melhor lhes aprouver. Ninguém perdeu ontem, mas a sociedade brasileira ganhou por que se tornou mais democrática, mais tolerante.
Religião se discute nas igrejas, em casa com a família, com os amigos, mas não no Congresso Nacional, no STF ou na Presidência. Essas instituições são laicas, por que laico é o Estado ao qual elas fazem parte. Andou bem o STF ontem.
Reforço minha opinião no sentido de ser favorável à descriminalização do aborto, à maior facilitação do acesso ao divórcio, da menor participação do Estado na vida pessoas e da afirmação cada vez maior das liberdades individuais de forma geral.