domingo, 3 de abril de 2011

Situação de fácil previsibilidade

Quando a tal zona de exclusão aérea começou a funcionar na Líbia, mesmo com as promessas de que não haveria invasão por terra e de que as tropas internacionais estavam lá só pra defender o povo líbio de Kadaffi, todos sabíamos que a situação facilmente poderia sair do controle. Pois bem, se não já saiu, tá muitíssimo próximo. Nisto digo: Em breve poderemos estar vendo algo muito assemelhado com o que está agora se passando no Iraque e no Afeganistão, ou seja, verdadeiros flagelos humanos, guerras sanguinolentas, caras e pouco eficientes. Motivo: Os ocidentais metidos a saberem de tudo, simplesmente não têm know-how para agirem no mundo árabe. Não me refiro a know-how bélico, mas social, político e cultural.
Aos nossos olhos todos os povos árabes são iguais, mas não são. Existem interrelações tribais, religiosas e culturais muito intricadas, às vezes de intelecção quase impossível para nós. Meter a mão naquele barril de pólvora é pedir para se queimar.
Um exemplo prático: Obama tem falado em armar os rebeldes contra Kadaffi. Esta ação se baseia na premissa de que o ditador líbio representa o mal incorrigível e os rebeldes o bem divino. Enganam-se todos redondamente. Apostam quanto que, tão logo estejam no poder, os rebeldes adotarão hábitos muito próximos aos de Kadaffi? É capaz de daqui há 10 ou 20 anos haver outra guerra para tirá-los do poder. Foi assim com o Talebã, por exemplo, e olhem no que deu.
Quem lê este blog sabe que eu sou um entusiasta das rebliões pró-democráticas nos países islâmicos e que jamais defenderia Kadaffi ou qualquer outro ditador, mas acredito que a posição da chamada "comunidade internacional" tem de ser a da não intromissão. Tirar um governo e botar outro no lugar não é garantia de estabilidade, democracia e paz, conjugadas, mas, ao contrário, pode significar mais ódio e sangue.
O que a ONU, a OTAN e a Comunidade Internacional têm de fazer é evitar um genocídio, só isso. Deixe que os líbios cuidam de sua situação política da forma como melhor lhes aprouver.
Para concluir direi a coisa mais óbvia do mundo, eu sei, mas não posso me furtar disso: Ninguém nos países ricos tá nem aí para os rebeldes, para Kadaffi ou paro povo líbio. Os europeus querem segurança energética (petróleo) e os EUA estabilidade na região pra continuar seu negócios (petróleo).
É isto.

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