quinta-feira, 31 de março de 2011

A visita de Lula e Dilma dá um respiro político a Portugal

El País

Agoniado por uma grave crise econômica e de governo, Portugal recebeu os dois pesos-pesados da política brasileira, a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, como um balão de oxigênio. O apoio dos dirigentes do gigante latino-americano à antiga metrópole tem por enquanto um conteúdo essencialmente simbólico. Um bom ponto de partida na situação desesperada de Portugal, em sério risco de ter de recorrer à ajuda financeira exterior, da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em suas primeiras declarações depois de chegar a Lisboa, na segunda-feira à noite, Lula disse que o FMI não é nenhuma solução para Portugal, "como não o foi em sua época para o Brasil", e deixou aberta a porta para uma eventual ajuda de seu país. "Isso cabe à presidente", disse sem mais precisões.
Pouco transcendeu da agenda de Dilma Rousseff em sua primeira visita à Europa desde a posse em 1º de janeiro. Uma viagem cercada de numerosas especulações em torno da possibilidade de que o Brasil compre títulos da dívida soberana de Portugal, como fez recentemente a China. O governo de Sócrates precisa desesperadamente de vias de financiamento suportáveis para enfrentar os próximos vencimentos de sua dívida pública, diante da pressão dos mercados, que mantém taxas de juros insustentáveis. O Banco Central do Brasil recebeu a proposta portuguesa para comprar bônus da dívida sob o governo Lula.
Formalmente, o principal motivo da visita do ex-presidente brasileiro e de sua sucessora tem a ver com a entrega a Lula do Prêmio Norte-Sul do Conselho da Europa, que dividiu com Louise Arbour, ex-promotora do Tribunal Penal Internacional e ex-comissária da ONU para os direitos humanos, que ocorreu na terça-feira na Assembleia da República. E com o doutorado "honoris causa" que Lula recebeu nesta quarta-feira (30) na Universidade de Coimbra.
O interesse da mídia portuguesa vai além de ambos os eventos. Os olhares estão postos em uma eventual ajuda da robusta economia da ex-colônia, hoje transformada em uma potência emergente. No atual clima de pessimismo que reina em Portugal, não passou despercebido um comentário publicado, em tom sarcástico, pelo "Financial Times", que propunha a anexação de Portugal ao Brasil como solução para todos os males.
É verdade, dizia o comentarista, que a antiga metrópole perderia status, mas a ex-colônia ofereceria crédito mais barato, um governo mais reduzido (proporcionalmente) e um colchão econômico mais cômodo. Melhor abrigo que a velha e cansada UE, concluía o "FT". Não faltaram vozes em Portugal que, meio a sério, meio de brincadeira, apoiam a sugestão

Minha análise
Particularmente é com muita atenção que acompanho a situação econômica de Portugal. O país tem um endividamento externo de quase 100% do PIB e simplesmente não tem dinheiro para pagar. É provável que vejamos em breve uma moratória, ou seja, um calote, que terá consequências não só para Portugal, como para toda a União Européia. O engraçado é que essa reportagem foi publicada pelo jornal de maior circulação na Espanha, um dos países que todos dizem será o próximo a cair em crise.
Já houve até quem dissesse que, logo logo, Portugal terá de sair da zona do euro. A crise tá pesada mesmo.
No mais, é, no mínimo, inusitado ver esse povo europeu tão rico quanto xenófobo - que até há pouco defendiam a expulsão dos brasileiros de lá - vir pedir dinheiro emprestado ao Brasil.
Quem sabe Portugal tenha de seguir o conselho do Financial Times e pedir pra ser uma colônia nossa. Não sei se é negócio aceitar não, viu...

2 comentários:

  1. concordo plenamente, isso são ossos do ofício, pra calar os partidos que nas eleições passadas publicaram cartazes convidando os estrangeiros a abandonarem o país ;) o que seria de Portugal sem a mão de obra estrangeira? sem mão de obra activa e sem previsão de tê-la por estar abaixo da taxa de reposição de gerações e mto abaixo!!?? quebra de tudo inclusive do estado previdência ;) mesmo mal, é ainda a classe estrangeira que segura as pontas por aqui ;)

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  2. Primeiramente, obrigado por prestigiar o blog, Martins.
    Sobre a crise de Portugal, o que vc falou tem muito sentido. Os europeus de forma geral demonizam os imigrantes, mas dependem muito deles. Além disso, a própria estrutura econômica da zona do euro parece estar se esvaindo. Os prognósticos não são dos melhores.

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