segunda-feira, 21 de março de 2011

Anotações sobre...

... o caso da Líbia
Como todos sabem, este é um caso que se insere no contexto das chamadas revoluções do mundo árabe, ávido por democracia e por mais liberdade. Kadafi é um ditador asqueroso, capaz de fazer Hugo Chávez parecer um homem sério. Segundo consta, a Líbia tá dividida e o ditador, que já esteve encastelado, está ou estava a um passo de reconquistar o controle total do país, o que significaria um balde de água fria na revolução. Usando o argumento de defender o povo, os aliados do Ocidente estão patrocinando uma tal área de exclusão aérea que, na prática, é uma guerra. Todos afirmam que não haverá invasão por terra, mas eu tenho as minhas dúvidas.
Sobre essa questão, duas são as minhas impressões:
Primeiro, observem, a Europa está mais envolvida do que os EUA e foi a França que deflagrou o processo. Claro, o petróleo líbio é de alta qualidade e é largamente usado na Europa como insumo para o refino. Os EUA pouco ou quase nada compram da Líbia, daí seu pouco envolvimento direto.
Segundo, embora o conteúdo de uma guerra seja sempre o mesmo, a sua forma pode mudar. Quando vivíamos em tempos do burro Bush, os EUA se viam no direito de invadir e pronto, mas, dessa vez, notamos uma sensível mudança de comportamento dos que estão a frente do processo. Percebam que estes ataques foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU e isso faz toda a diferença, pelo menos para legitimar as ações.
Para concluir, não precisávamos de mais uma guerra no mundo árabe, mas o Brasil pode findar levando uma certa vantagem disso, por irônico e pouco humano que isso pareça ser. Em breve seremos produtores de petróleo e, diferentemente dos países islâmicos, somos estáveis e mais confiáveis para se comprar. O pré-sal agora, mais do que nunca, vai sair.

... a visita de Obama ao Brasil
Acompanhei cada detalhe do que se passou em Brasília e no Rio de Janeiro e pude perceber, claramente, que o Brasil agora é tratado completamente diferentemente do que costumava ser há pouco tempo. Nós agora importamos e isso é claro de perceber.
Essa visita, apesar do alto simbolismo político, teve um cunho altamente econômico. Obama esteve aqui procurando investimentos do Brasil e isso é sinal dos tempos, do vigor de nossa economia. Só para ilustrar o que estou falando, dos cinco maiores frigoríficos que atuam nos EUA, três são de capital brasileiro e a terceira maior produtora naquele país é a brasileira Gerdau.
Não é à toa que Obama quer também vender mais para o Brasil e incentivar investimentos americanos aqui. Isso é, por si só, ótimo. Basta que nós deixemos de nos ver como inferiores e nos portemos como um país altivo, capaz de ser realmente uma das maiores economias do mundo, em breve.
Gostei muito da posição da Presidente Dilma. Ela foi firme ao elencar para Obama as nossas demandas. Tocou na questão do aço e do algodão, além de ter falado na guerra cambial. Obama reconheceu e prometeu trabalhar junto ao Congresso de seu país na solução desses problemas. Aguardemos.
No mais, vejam esse vídeo:


Tem só três minutos e explica muito bem o que eu falei sobre a visita de Obama.
Em breve voltarei ao tema, ainda há mais pra ser dito.

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