quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O perigoso jogo do poder na Península das Coréias

Eu quero, antes de falar sobre as Coréias, explicar alguns pontos importantes para a compreensão do que se passa naquela parte do mundo.
Primeiro, diga-se: A geopolítica dos dias atuais só pode ser compreendida se levarmos em consideração que as nações do globo vivem num perigoso círculo de interdependência mútua que as amarra e as força a jogarem juntas. Nenhum evento de grande relevância prescinde desta compreensão, fique claro. Assim, uma crise num país relevante - por relevante, leia-se: central ou emergente - é uma crise em todo o mundo e suas soluções precisam ser conjuntas.
Segundo, esclareça-se: Vivemos uma geopolítica claramente diferente da que vivíamos em 1960, época de Guerra Fria, mas a história não é retilínea, ao contrário, ela é cheia de idas e voltas. Explico melhor: É plenamente possível nos dias de hoje encontrar lugares onde as coisas funcionam como eram há 50 anos. O nome disso, corrijam-me os historiadores, é anacronismo.
Compreenderam bem o que expliquei acima?
Ótimo. Passemos adiante e comecemos a debulhar o caso das Coréias.


Esse é um ponto nervoso do mapa mundial. A península das Coréias está localizada entre o Japão, a China e a Rússia, quer mais? Três das maiores economias do planeta. Além disso, à exceção do Japão, todos são grandes potências militares. Se os países da região se regessem somente pelo pensamento da atual geopolítica - aquela que diz que todos são interdependentes -, a China e a Rússia diriam para a Coréia do Norte - sua pequena criação - deixar de experimentações tolas. Não se brinca de arma nuclear em uma área tão importante do mundo, principalmente por que a maior economia de todas, os EUA, é diretamente ligada a questão. Por que motivo? Economicamente nenhum, mas geopoliticamente, digamos, uma forte pitada de saudades da Guerra Fria. Aliás isso é comum a todos os envolvidos. Se vocês me perguntarem por que a China e a Rússia apóiam tão veemente a Coréia do Norte, não lhes saberei responder. Aliás, o bom senso não sabe.
Ocorre que o mundo não tem o mínimo interesse no acirramento dos ânimos entre as Coréias, não por elas em si, mas pelas consequências que se transcorreriam em todo o globo. Uma guerra - embora os EUA pareçam duvidar - nunca é bom pra ninguém e se esta houvesse envolveria gente demais. E, diferentemente do que ocorre na Ásia Central e África - guerras entre desimportantes -, essa seria entre cachorros super grandes. A situação econômica que já é ruim, se tornaria pior. Até o Brasil poderia ter sérias complicações.
A Coréia do Norte em si, desculpem-me os românticos socialistas, não tem mais nem sequer razão de ser. Pra ela melhor seria um reintegração à Coréia do Sul. Só assim poderia desfrutar de um pouco de progresso e desenvolvimento econômico. Isso é o normal de acontecer, mas fósseis não somem tão facilmente.
Desculpem-me o tópico longo.
Tem mais coisas para serem ditas, mas estas deixo para vocês leitores dizerem ou perguntarem.

2 comentários:

  1. Raul...
    Meu amigo, eterno professor e adversário político, queria umas palavras do senhor sobre o Ministério de Dilma e do Secretariado da Rosa. Quero saber o que o senhor achou das escolhas delas (ou deles... Vc me entende!)

    Saudações... Victor

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  2. Farei no próximo post um comentário sobre o ministério de Dilma, mas confesso não estar acompanhando tão de perto o secretariado estadual aqui do RN.

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