sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um pouco do que tenho visto da eleição

O meu recorte aqui é a eleição presidencial, uma vez que este blog é lido em diversos lugares e não só no RN e na PB. Dito isto, começarei logo atestando que, por enquanto, o debate tá morno. Parece-me que os candidatos não estão dispostos a fazer reflexões mais profundas, o que é de se esperar de qualquer candidato, mas não dos jornalistas. A imprensa tem que suscitar o debate e tocar o dedo no meio da ferida, este é o seu papel. Alguém tem que perguntar a Marina se ela realmente pretende fazer um governo juntando o PSDB e o PT numa grande aliança nacional, como ela afirmou em sua entrevista no Jornal Nacional, coisa que qualquer um mais atento sabe não ser possível na atual conjuntura. Quem governa precisa de alianças, fato inegável em uma democracia. Que alianças são possíveis de se fazer, discute-se. Nem sempre se fazem as ideais, mas a possíveis. Se o povo der Renan Calheiros e outro membro do clã Sarney de presente para o país lá no Senado, o próximo Presidente, seja Marina, Dilma ou Serra, terá de reconhecer essas lideranças como legítimas e negociar com elas. Qualquer coisa diferente disso é conto de fadas e Marina precisa deixar isso claro para os seus eleitores.
Já José Serra tem mesmo é azar, como tem dito Lula. Serra é um bom candidato. É conhecedor dos problemas nacionais e é, de longe, o mais experiente nessa campanha. Tem se saído muito bem nas entrevistas e no debate que ocorreu até agora. O problema é que ele tá disputando com a candidata que é apoiada por um governo com mais de 80% de aprovação popular. É muito remota a possibilidade de Serra ganhar essa campanha.
Já Dilma Roussef, em quem votarei, peca pela inexperiência em campanhas, fato normalíssimo para quem nunca disputou uma. Trata-se de uma mulher muitíssimo bem preparada. Conhece a fundo os meandros da administração federal e tem uma característica que eu acho fundamental: Não é nada, nada populista. Aliás, nenhum dos três candidatos é, mas Dilma me impressiona ainda mais nesse quesito. Seu jeito sério me cativa. Gosto de seriedade. Acho que, embora ela deva sempre reconhecer e alardear que é a candidata do Presidente Lula, ela deve também mostrar que tem personalidade própria e que é, como eu acredito, mais do que apta pra ser Presidente.
Bem, meus queridos leitores, em linhas gerais é assim que tenho visto a campanha. Estou, como já há muito venho dizendo, ávido por debates mais profundos. Espero que a sociedade se envolva mais a fundo nestas questões, afinal, é do nosso país que estamos tratando.
Desculpem-me a longa ausência.



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