quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Abuso de liberdade de imprensa

por Heyde Lima


Fico pensando, amiúde, se estou andando em um meio social que distorce a realidade e, por vezes, até mesmo mente. Esse meio social a que me refiro são as nossas “revistas” semanais, lideradas pela Veja, Isto é, e Época, e a ínfima população brasileira que se enquadra nos 4% que acha o atual governo federal ruim ou péssimo.
Assino essas revistas para me informar e descubro que tentam dilacerar-me intelectualmente. Subestimam a inteligência de um operário, à luz de um sociólogo cujas privatições não tiveram a finalidade devida: educação e saúde, e esse “operário bêbado” provou que é bem possível fazer a inclusão social com o crescimento econômico. E onde se encaixa a minha primeira crítica? Nos veículos de comunicação brasileiros, em sua grande parte, que conseguiram suas concessões na televisão brasileira na época da Ditadura Militar, portanto conservadorismo até a alma.
Quem deseja mais mudança? Roberto Civita, rico, italiano e presidente da Editora Abril? Ou Ireneu Marinho, dono da Rede Globo? Dá para acreditar nessas revistas preconceituosas que não aceitam um homem de história humilde e passado socialista na Presidência?
Antes Lula não poderia ser Presidente porque era “analfabeto” e não tinha experiência política. Ele foi lá, sem rebater críticas, e calou a boca de muitos com um recorde de aprovação em TODAS as classes sociais e TODOS os níveis de educação. Agora querem crucificar a “mulher”. Apelam com tudo, desde seu passado na ditadura, que deveríamos nos orgulhar, até sua aparência física, como se isso fosse importar de muito.
A cereja negra desse sundae amargo são os e-mails que recebo todos os dias inventando, literalmente, estórias pífias de nosso presidente. Tive a oportunidade de viajar, recentemente, a Europa e senti orgulho de meu país. As pessoas conhecem nosso Presidente e, mais do que isso, admiram-no. Não é por acaso que ele cotado para ser o próximo Secretário geral da ONU.
Não vou ficar parafraseando dados verídicos que estão disponíveis em sites oficiais. Essas pessoas e revistas que acusam o nosso Presidente deveriam ter certo respaldo. Falam tanto da liberdade de imprensa, um mérito claro em um país democrático, mas se devia discutir o abuso dessa liberdade. Afinal, é muito fácil utilizar-se de um direito e uma posição privilegiada para manobrar o povo em prol de seus próprios interesses.

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3 comentários:

  1. Concordo plenamente com o conteúdo do texto, Heyde. Até hoje a imprensa e a sociedade mais conservadora não conseguiram digerir bem a idéia de ter Lula como Presidente do Brasil. Eu só gostaria de ressaltar que é imprescindível termos uma imprensa completamente livre e que, por isso, não considero jamais haver "abuso de liberdade de imprensa". Nesse ponto, aplico o que diz constituição: A imprensa é livre, mas o anonimato é proibido e quem publicar asneiras, responsabilize-se por elas. Para concluir, se tivéssemos uma sociedade mais educada poderíamos até caminhar pra termos meios de comunicação abertamente favoráveis a um candidato ou a outro, como é em algumas democracias. Cada um optaria o que assistir, mas já saberia de cara qual a linha editorial do jornal ou da tv que está consumindo.

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  2. O abuso a que me refiro, Raul, não é uma imprensa não livre. O que quero dizer é que publicam aqui inverdades. Por isso, creio que é importante uma fiscalização no que se fala por aí. Nem todos no Brasil tem uma capacidade de discernimento, por isso os veículos de comunicação deveriam respeitar a imparcialidade. E deixar a críticas, que são importantes, para as colunas e editoriais.

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  3. Eduardo Sidney - Direito - UERN1 de setembro de 2010 11:20

    Uma imprensa livre se constitui num dos pilares do Estado democrático, mas como diriam Adorno e Horkheimer - pensadores da escola de Frakfurt- é difícil instituir uma liberdade de pensamento numa sociedade onde o intelectualismo se encontra em poucas mãos.

    Rousseau afirmava que um Estado consiste numa "vontade comum" e não numa vontade de todos(que geraria uma balburdia ao invés de sociedade). Um povo, no entanto, sem poder de discernimento, vai exercer nada mais do que o papel de ventríloquo nas mãos de uma imprensa tendenciosa e egoísta. A vontade comum não se consusbstancia num sociedade em que poucos fazem escolhas.

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