quarta-feira, 14 de abril de 2010

FHC e a atual política externa brasileira

O ex-Pres. Fernando Henrique, em quem já votei e por quem guardo grande admiração intelectual, embora discorde de boa parte das coisas que ele diz e pensa, esteve recentemente dando uma palestra no Rio sobre o centenário da morte de Joaquim Nabuco, renomado abolicionista do final do século XIX. FHC não deixou de fazer, ironicamente, uma referência a Lula. Lembrou que Nabuco, após conhecer de perto a realidade dos Estados Unidos como diplomata brasileiro no país no início do século 20, defendeu maior alinhamento do Brasil com os americanos. Veja o que disse o ex-Presidente:
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"Que o presidente Lula não me ouça, e não estou falando do Irã, mas, quem sabe, Nabuco não estivesse já delineando naquela época para o Brasil uma relação mais estreita com os Estados Unidos, que desse espaço para o país se afirmar mais em sua área de influência naquela época, exercendo uma ação de moderação na América Latina"
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Com essa passagem está mais do quê claro o que é que o PSDB pensa para a nossa política externa: menos independência e mais alinhamento com os EUA. Isso significa, por exemplo, que nós não deveríamos ter sido tão incisivos na rodada de Doha. Talvez o Brasil não devesse sediar uma cúpula dos BRICs, aliás, nem os BRICs deveriam existir. Procurar novos mercados na África, no Oriente Médio e em outros pontos do planeta para tentar ficar menos dependente do combalido mercado americano, talvez, não seja também uma boa opção. Nada de viagens ao Irã, à China, à Índia, mas só à Europa e aos EUA. Grosso modo é isso que pensa o presidente FHC.
Pra variar, discordo totalmente e concluo me perguntando quais as propostas de Serra para o tema. Aguardemos o debate.

5 comentários:

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  2. Concordo no aspecto da relação estreita com os EUA. Sem dúvida, boa parte dos países capitalistas do mundo estão sobre forte influência do governo americano, então se iniciarmos uma relação estreita com essa "potência atual", poderemos ter uma alternativa viável para o crescimento externo do Brasil, sem estar dependente dos EUA para o fortalecimento do país no exterior. Mas antes de pensar nessa relação internacional, acredito que o governo atual e o sucessor já deveria pensar primeiro em como solucionar os problemas nacionais já existentes para depois solucionar a relação internacional, visto que ambos estão intimamente ligados.

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  3. E mais uma vez fica provada a tendência brasileira, de alguns, a continuar sendo uma colônia. Eu também discordo do FHC e acho que um Brasil emergente como o Brasil, deve sim procurar mais independência e um papel melhor no quadro internacional. ^^


    E quanto ao Eddie, acho que isso e óbvio. Os problemas internos do Brasil realmente devem ser solucionados. Afinal, não podemos seguir uma linha de crescimento, onde o país se torne mais rico de forma que apenas os que já têm um grande impacto na economia ganhem. Todos merecem um pedaço do bolo. Acho que uma política de descentralização é obrigatória nesse aspecto. Afinal, riqueza nós temos, agora esta está nas mãos de poucos.

    Agora, comentando o comentário do Raul. Oshi, professor. Uma propagandazinha ia bem, me chama pra sócio. qn '-'

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  4. Concordo plenamente com o pensamento do FHC. O estamos na posição de país emergente por causa dos Estados Unidos. Se houvesse o PT, desde as direta já consolidado o governo, hoje, estariamos economicamente pior que Cuba. Precisamos do dinheiro do FMI para desenvolver nossa tecnologia, nossas estradas, nossos portos. Quer queira ou não, os Estado Unidos tem uma democracia forte. Emobra eles sejam muito nacionalistas, não implica que desejam contribuir para a melhoria de outras nações. Infelizmente perdemos 8 anos de desenvolvimento. O que esse país arrecadou durante o governo petista, equipara-se a 15 anos de mandatos anteriores. Não soubemos aproveitar o momento dificil que o mundo passou e apenas nós, como emergentes e de uma economia sólida deixada pelos governos anteriores, fomos capazes de receber os beneficios. Confiou-se no país não porque era um barbudo que governava, confiou-se no país porque havia uma economia sólida e um banco central que respeita, embora sacrificando o povo brasileiro, as taxas de juros e o cambio internacional. Desu queira e o povo brasileiro vote,iremos novamente começar a história do crescimento com José Serra. Paulo Nogueira / Cabedelo -

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  5. Agradeço-lhe, Sr. Paulo Nogueira, pela participação neste blog através do seu comentário. Embora eu não concorde com uma linha do que escreveu, pelos motivos já por demais expostos neste blog, participações como as suas são sempre muito bem vindas. Um bom debate precisa de idéias opostas. Frequente sempre esse espaço e, se quiser, pode até escrever um artigo. Todos os leitores podem se sentir a vontade para isso. Este espaço não tem censura.

    Um abraço a todos.

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