quinta-feira, 29 de abril de 2010

Algumas poucas linhas sobre o caso de Belo Monte

Eu jamais entenderei alguns que se profissionalizam em ser do contra, tampouco aqueles que, a despeito de toda a pobreza e atraso do nosso país, insistem em se apoiar em discursos ambientais ocos que beiram o xiitismo. Até agora, a exemplo do que ocorreu com a transposição do São Francisco, não ouvi nenhum argumento realmente válido e forte o suficiente para me demover da minha posição e me tornar contrário a essas obras que geram renda, crescimento e desenvolvimento para o Brasil, tão necessitado de mais riqueza e igualdade.
O fato é que para poder continuar mantendo taxas de crescimento econômico na casa de 5% ao ano, precisaremos fazer investimentos continuados e sistemáticos em infra-estrutura, sobretudo na área de transportes e de energia. Assim, Belo Monte, no Rio Xingu, Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, são obras vitais para o Brasil. Os que se posicionam contrariamente tem que buscar outros argumentos e não só o ambiental, uma vez que todas essas obras tiveram um minucioso estudo de impactos e contém, já no seu custo, previsões para as chamadas mitigações e compensações.
No caso de Belo Monte há um agravante recorrentemente citado pelos que são contrários: a questão indígena. A resposta, pra mim, é clara: A lei diz que em casos de áreas onde há decretação de interesse público, haverá desapropriação e ressarcimento. Os índios, quer queiram, quer não, são tão brasileiros quanto eu e todos os outros, assim, estão debaixo da mesma lei. A área de Belo Monte é de interesse público, mais do que isso, é estratégica, se há índios lá é só realocá-los da mesma forma como se realocaram os ribeirinhos do RN quando da construção da barragem de Assu, Armando Ribeiro Gonçalvez. Só a título de informação, uma cidade inteira, São Rafael, que contava com mais de cinco mil habitantes à época, foi removida e a obra, vital para a segurança hídrica do estado e para potencializar as atividades fruticultoras do Vale do Assu, se fez. Belo Monte é vital para a segurança energética do país, é mesmo imprescindível na minha visão.
Os que são contrários têm a obrigação de apontar saídas, não tiradas de HQs de ficção científica, mas reais, factíveis e menos onerosas. Energia solar, eólica, biomassa, maremotriz e todas as outras ditas alternativas ainda são inviáveis e caras. Qualquer solução que queira contar com elas, infelizmente, não pode se fazer para agora, mas para daqui há muitos anos. É preciso fazer pesados investimentos em pesquisa e o Brasil não está mal nesse ramo, pois basta dizer que somos um dos mais avançados do mundo em energia eólica, perdendo apenas para os EUA. Aqui há planos de instalação de parques eólicos no RN e no CE, inclusive, já há alguns em funcionamento. O problema é que os custos são muito elevados. Se não sair Belo Monte, sairá outra hidrelétrica ou pior, sairá alguma térmica à gás, carvão ou diesel, todas muito mais poluentes e caras. Talvez os contrários também se deliciem com a hipótese de mais vinte usinas nucleares próximas às suas casas, afinal, não querem uma hidrelétrica na Amazônia.
O Brasil aproveita cerca de metade do seu potencial hidrelétrico e só há novas áreas de expansão na Amazônia, portanto, esse desafio o país terá de vencer. Se quer crescer, gerar emprego, desenvolvimento, menos desigualdades, terá de produzir mais energia. Se é na Amazônia, que seja, qual o problema? Lá é um território tão brasileiro quanto São Paulo o é. A questão é que a pressão internacional em cima de qualquer coisa que o Brasil venha a fazer na Amazônia é muito grande, mas não por interesse ambiental. O interesse é outro, é econômico. A comunidade internacional não vê com bons olhos o nosso crescimento e não tem interessee de ver a ocupação e o uso, por nossa parte, de um território que ela pretende seja dela no futuro.
Já há muito se planeja uma internacionalização daquele que é o maior repositório de toda a sorte de recursos naturais do mundo, a Amazônia. Eu não tô pregando aqui uma destruição da floresta, pelo contrário, eu quero a sua preservação. Mas a mim não interessa milhões de árvores em pé se elas não geram riqueza para o país. Nós temos que avançar lá e procurar formas sustentáveis de ocupação daquele território, se for com hidrelétricas, que seja. Manter a floresta em pé sim, mas rendendo riqueza para o Brasil. O que não pode é fazer como estamos fazendo, ficando sem a floresta, mantendo-nos pobres e atrasados e fazendo com que uma área que equivale a 50% do nosso território participe somente com 5% do nosso PIB. Isso é a imagem do atraso brasileiro.
Encerro dizendo que concordo em gênero, número e grau com a Governadora do Pará, Ana Júlia, no que ela diz na postagem abaixo.
Espero que os xiitas ambientais não procurem me bater na rua, mas é isso que penso.

3 comentários:

  1. belo Monte está servindo mais aos telejornais que podem ter diferentes materias com um certa "imparcialidade", sim , a sociedade brasileira tem que ser a favor da usina precisamos de para de depender de usinas nucleares e outras muito mais poluentes, mas vale ressaltar a questão indigena temos de tratá-los com o respeito que merecem e mostrá-los que a usina pode ser um enorme beneficio para eles também, e devemos ter cuidado com declarações como a da governadora do Pará, temos de respeitar as opiniões de todo e tentar extrair as boas ideias.

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  2. Claro, Sr. Anônimo, guardo muito respeito pelos índios, no entanto, tenho uma posição clara quanto a este assunto. Inclusive, o próprio STF já decidiu que em áreas indígenas onde há a prevalência do interesse nacional poderá haver desapropriação e remarcação em outras áreas. É preciso convencê-los de que haverá vantagens para eles também, no entanto, esta é uma tarefa árdua. De toda forma, o interesse nacional é maior do que eu, vc, os índios e todos os outros.

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  3. Heyde Costa Lima9 de maio de 2010 23:51

    Bom, acredito que se trata de um asssunto de extrema delicadeza. Ao contrário do que sugere o artigo do Prof Raul, a relocação de indígenas é muito complicado e não é um processo rápido, pois estamos falando de toda uma comunidade que se apoia numa determinada região para sobreviver. No entanto, muito me agradou as comparações utilizadas neste artigo. No que cerne a Amazônia, é uma região que pouco contribui para o PIB brasileiro, mas que tem um enorme potencial para isso. Acredito, ou até mesmo afirmo, que se pode haver um desenvolvimento sustentável na Amazônia. A construção de Belo Monte é de suma importância para o crescimento do País, haja vista a correlação entre crescimento econômico e geração de energia. Ainda mais agora, com o aumento do preço da energia excedente de Itaipu que compramos do Paraguai. Desse modo, a visão apresentada pelo Prof Santo procede. O discurso ambientalista não pode atrapalhar o desenvolvimento de uma região, afinal a Amazônia é infinitamente devastada pelas madereiras enquanto estamos aqui discutindo. Pouca é feita para pará-las. Por que então ir contra Belo Monte? O discurso de parar essa hidrelétrica é de quem tem miopia...

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