quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

É para rir ou para chorar?

Por Eliane Cantanhêde
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BRASÍLIA - A crise política -ou policial?- da capital da República evolui de tragédia para um pastelão de matar qualquer um de "indignação e vergonha", até Joaquim Roriz, que se disse escandalizado na TV.
Logo ele, a origem de tudo e candidatíssimo a um quinto mandato ao governo. É muita cara de pau.
Além dessa, outras cenas chocantes são a falsa arguição de suspeição sendo protocolada no Supremo contra Marco Aurélio de Mello no caso Arruda e o novo governador, Wilson Lima, se aboletando no "Buritinga", mistura de Buriti (árvore do cerrado que dá nome à sede do governo, em reforma) com Taguatinga (centro industrial do DF, se é que se pode chamar assim).
Deputado distrital e empresário, Lima registra uma invejável versatilidade no seu currículo de "vendedor de picolé, frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus".
Substitui Paulo Octávio, que não precisou desarrumar as gavetas, porque nem tivera tempo de arrumá-las, e José Roberto Arruda, que vai ficando na cadeia. Passou o Carnaval, já estamos entrando em março e lá está ele, enfim um troféu para a Justiça, cansada de só perder a corrida para a opinião pública.
O habeas corpus de Arruda é uma história paralela no pastelão. Um dos advogados tinha certeza de que o ministro Fernando Gonçalves (STJ) não iria mandar prender o governador. O outro, de que Marco Aurélio, o acatador-mor de habeas corpus, não iria negar justamente o de Arruda. Erraram feio. E ficaram mais desconfiados e racharam.
Daí o pedido de adiamento da votação de hoje do HC. Sabiam ou intuíam que Arruda iria perder mais essa e, perdido por um, perdido por mil. Melhor ganhar tempo para encorpar os argumentos jurídicos e diminuir os holofotes políticos.
Arruda na cadeia por mais uma semana no mínimo, Paulo Octávio expelido, o tal Wilson se empavonando, Roriz voltando. A crise não só continua. Piora a olhos vistos.

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