sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Proposta brasileira no G20 encontrará forte resistência, dizem especialistas

UOL Economia
.
O Brasil levará à reunião do G20, neste fim de semana na Escócia, uma proposta que, se aceita, poderia amenizar a forte entrada de dólares no país e evitar a formação de uma possível bolha econômica. Mas essa ideia sofrerá forte resistência, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.
A sugestão brasileira é que, para evitar desequlíbrios cambiais, todos os países do grupo adotem a política de câmbio flutuante, em que a relação entre oferta e demanda de dólar determine o valor da moeda americana em relação à local.
O grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo, 12 emergentes e a União Europeia terá um encontro de ministros da Economia e presidentes de bancos centrais neste fim de semana, no Reino Unido.
“A proposta do Brasil vai encontrar forte resistência, não por parte dos países desenvolvidos, mas pelos países em desenvolvimento”, avalia o professor Matias Spektor, coordenador do MBA de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ele se refere principalmente à China, que adota o sistema de câmbio administrado, em que o governo determina o valor da moeda local em relação ao dólar.
O objetivo do Brasil é tentar conter uma entrada artificial de capital estrangeiro no país. Com a crise internacional, as economias desenvolvidas têm mantido suas taxas básicas de juros em patamares historicamente baixos, o que leva investidores a tirarem parte de suas aplicações nesses países e investirem nos emergentes, que têm taxas maiores e perspectiva de crescimento.

Câmbio artificial na China
Mas os investidores têm certa aversão à China porque o país asiático mantém um câmbio artificialmente baixo. Com isso, “o capital estrangeiro acaba preferindo o Brasil, em função da característica cambial”, afirma o professor Otto Nogami, do Insper (ex-Ibmec-SP).
“Pode-se estar artificialmente criando uma bolha no mercado brasileiro, por isso o [ministro da Fazenda, Guido] Mantega decidiu pôr o IOF de 2% [sobre entrada de capital estrangeiro]. Agora a proposta é que a China flexibilize o câmbio. Essa é a grande preocupação”, avalia Nogami.
Desde o início do ano até o fechamento do pregão de quinta-feira, o dólar já se desvalorizou 26,2% em relação ao real.
Para o professor de macroeconomia Fábio Kanczuk, da USP, essa proposta não vingará. “Faz pelo menos três ou quatro anos que existe essa história, essa pressão (para que a China adote câmbio flutuante). Agora o Brasil entrou nessa, mas no final é a China quem decide, entra por um ouvido e sai pelo outro”, comenta Kanczuk.
Já Nogami é mais otimista: "a desvalorização do dólar não para. Isso começa a preocupar muito os bancos centrais. Nesse sentido, acredito que em curto intervalo de tempo começarão a surgir medidas efetivas".
A ideia de flexibilização do câmbio chinês já vinha sendo defendida pelos Estados Unidos e outros países desenvolvidos. A China, por sua vez, propõe a substituição do dólar por outra moeda nas transações internacionais, fato que encontra resistência justamente nos EUA.

Pressão sobre FMI e Banco Mundial
Além da proposta do câmbio flutuante, o G20 discutirá a necessidade de regulamentação do mercado financeiro internacional. Dentro desse aspecto, a expectativa, segundo os especialistas consultados, é de que o grupo de países defenda reforma no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial, incluindo uma participação maior de países emergentes nas decisões.
No entanto, “o G20 é um fórum político. Não é tanto um produtor de medidas práticas. Quem toma as medidas são os países. O G20 serve para colocar as idéias sobre a mesa e tentar encontrar uma compreensão comum (acerca dos problemas discutidos)”, analisa Spektor, da FGV.
Essa “compreensão comum”, no entanto, não será alcançada neste fim de semana. Os assuntos discutidos voltarão à tona em junho de 2010, quando o grupo se reunirá no Canadá, e em Novembro, na Coreia do Sul.

Minha opinião
Primeiramente o que me chama atenção é a relevância do Brasil no contexto do G-20. Nós não só não somos mais meros ouvintes, como agora somos um importante proponente. Tenho lido em alguns jornais, inclusive no Financial Times, que o Brasil terá uma participação cada vez mais crescente. Isso é fato. Falar nisso, só a título de informação, o FT, junto ao jornal Valor Econômico, promoveram um fórum de debates sobre o Brasil e sua dinâmica e emergente economia, na Inglaterra. Lula tava até lá palestrando.
Sobre a problemática do câmbio, essa é uma questão delicadíssima tanto interna quanto externamente. Nós aqui corremos o risco de nos desindustrializar. Como o processo agora é globalizado, caso o Brasil deixe de ser atraente para o investimento produtivo, as indústrias se desmontam aqui, entram num contêiner e embarcam rumo à China ou outro lugar com condições de competitividade mais adequada. Por outro lado, não basta resolver o câmbio desvalorizando o real. É preciso resolvermos outros gargalos para o nosso crescimento:
  • Irritante burocracia - A lei ambiental foi pra proteger o meio ambiente. Termina não fazendo isso e sendo um dos entraves ao crescimento. Fora a lei de licitações. Aquilo sim é uma lei chata e feita para deixar tudo mais moroso;
  • Infra estrutura - Nossas rodovias são esburacadas, os portos insuficientes, não há ferrovias, tampouco hidrovias;
  • Mão-de-obra - No Brasil a força de trabalho é pouco ou nada condizente com as exigências da Terceira Revolução Industrial. Culpa disso? Sistema educacional que deseduca e, por vezes, emburrece mais. Aqui quem tá falando é um professor da rede pública. Eu posso falar;
  • Juros altos - Embora, é verdade, a taxa Selic esteja no patamar mais baixo de sua série histórica, os juros reais do Brasil são um dos mais altos no mundo. O terceiro, salvo engano.
  • Carga tributária - Precisa falar? Pagamos 40% do PIB em impostos. Pra quê? Pra patrocinar os mensalões e mensalinhos da vida. Falar nisso, o município aqui de Mossoró terá um aumento de arrecadação de 40 milhões de reais para o próximo ano e a prefeita anda desafiando a inteligência de todos dizendo que haverá queda de arrecadação. Não é verdade. Cresceu menos do que esperado, é verdade, mas cresceu.

Durma-se com um barulho desses. Próximo ano tem eleições, vamos começar a mudar isso um pouco, não é? Já tá mais do quê na hora. Sobre o tema central do texto extraído do UOL economia, lembrar aqui aos meus alunos de atualidades que é algo da mais alta relevância para eles. A CESPE cobra coisas desse nível.

Um abraço a todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário