domingo, 29 de novembro de 2009

Crise com Arruda abala o Democratas

Por Fernando Rodrigues
UOL
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O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), pode até demorar para acabar deixando o cargo. Pode até resistir e ficar na cadeira até o final do mandato. Pode dizer que o dinheiro era para comprar panetones para os pobres. Mas a sua carreira política está comprometida para sempre –para não dizer, acabada. E o seu partido, o Democratas, sobre um fortíssimo abalo.
O Democratas, como se sabe, chamava PFL. Nasceu de uma costela desmembrada do antigo PDS (ex-Arena, o partido de sustentação da ditadura militar). O Democratas escolheu esse nome (quase uma piada pronta para quem apoiou a ditadura) porque desejava renovar a imagem, pois há anos só via encolher seu poder, influência e tamanho.
Arruda é o único dos 27 governadores brasileiros filiado ao Democratas. Nem era um quadro histórico. Foi no passado do PSDB. No início da década, chegou a ser líder do governo tucano de FHC no Senado. Mas acabou renunciando ao mandato para não ser cassado –depois que ficou evidente seu envolvimento no caso de violação do sigilo do painel de votação da Casa.
Meticuloso, Arruda foi reconstruindo sua carreira em Brasília e achou porto seguro no PFL (agora Democratas). Chegou até a ser citado como possível candidato a vice-presidente numa chapa para o Planalto, em 2010, encabeçada pelo PSDB.
Agora, o Democratas terá apenas um “meio governador”, pois não há como imaginar que Arruda tenha condição de sair do atual escândalo com algum prestígio. Nem que possa ter alguma influência maior na sucessão em 2010. Pior ainda, o DEM passa agora a ter de conviver com o termo que mais usava para atacar o governo Lula no plano federal: mensalão. Sim, porque o que se passou no Distrito Federal, segundo todos os indícios disponíveis, foi algum esquema de pagamento ilegal, regular, para políticos aliados ao governo local. Em outras palavras, um “mensalão do DEM”.
E a política brasileira que já teve o mensalão do PT e o mensalão do PSDB (este, com origem em Minas Gerais), agora vai demonstrando que a tecnologia é usada de maneira quase generalizada entre as legendas maiores.
Mas quem está no foco agora é o DEM. Um partido em fase descendente e cada vez mais sem rumo nem muito futuro eleitoral.
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sábado, 28 de novembro de 2009

Arruda recusa renúncia, fica no governo e vai se defender

Fernando Rodrigues
UOL
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O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), decidiu neste sábado (28.nov.2009) que vai permanecer no cargo e se defender. Acusado de patrocinar um “mensalão do DEM” para pagar regularmente com propinas seus aliados (detalhes nos posts abaixo), ele analisou 3 hipóteses possíveis com seus assessores –ficar no cargo, pedir uma licença ou renunciar.
Arruda decidiu-se pela permanência na função depois de considerar o seguinte:
1) se renunciar ou pedir licença, correria risco real de ter sua prisão decretada. Estaria acabado politicamente ainda de maneira mais rápida;
2) muitos políticos estão implicados nas apurações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, inclusive o vice-governador, Paulo Octávio, e cerca de uma dezena de deputados distritais. Como é a Câmara Legislativa do DF (equivalente às Assembléias Legislativa nos Estados) que vai decidir sobre um afastamento ou impeachment, haveria uma certa margem para manobrar o cenário político por algum tempo;
3) a linha de defesa será a de tentar desqualificar o ex-secretário de Relações Institucionais de Brasília, Durval Barbosa, que gravou uma conversa com Arruda em 21.out.2009 . A defesa do governador de Brasília argumentará que Durval tentou induzir o governador a mencionar pessoas no momento de dividir os R$ 400 mil que estavam à mesa na hora da conversa. Por exemplo, no diálogo a seguir, Durval começa a mencionar nomes de pessoas para as quais valores seriam supostamente entregues: “... Só veio pro Valente. Deu 60 pro Valente, 60 pro Gibrail mais o Fábio Simão [chefe de gabinete de Arruda], que são donos da área financeira, né? E não pode... e não tem jeito. Aí, fico...sobrou 78”. Na sua resposta, Arruda muda de assunto e não confirma nem nega esses valores que teriam ido para os bolsos das pessoas citadas. A defesa vai se apegar a essa filigrana para dizer que houve um jogo de indução. É um argumento, por óbvio, muito frágil. Mas os advogados de Arruda acham que podem ganhar tempo. Vão também dizer que o governador se sentia ameaçado por Durval Barbosa e o mantinha no governo com medo de represálias por conta de negócios passados.
O consultor jurídico do governo do Distrito Federal, Eduardo Roriz, um procurador de carreira há 22 anos, diz não ver "motivos para a retirada do governador". Para Eduardo Roriz (nenhum parentesco dom Joaquim Roriz, só uma coincidência de nomes), "trata-se de uma apuração a ser feita no âmbito administrativo e todas as providências serão tomadas e publicadas no Diário Oficial de 3a feira". A publicação será só na 3a feira porque 2a feira é dia do evangélico, um feriado local em Brasília. "Vamos colaborar com as apurações. O importante é isso", afirma Eduardo Roriz.
Por mais surreal e absurda que possa parecer a defesa de Arruda, essa é a linha adotada: ficar no governo e resistir. Já quanto ao futuro político-eleitoral do governador poucos têm dúvida. É unânime a opinião de que o único governador do Brasil filiado ao Democratas chegou a um ponto final. No ano que vem, Arruda não deve ser candidato a nada, mesmo que consiga ficar no cargo até lá.
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Minha análise
A política brasileira é desestimulante para quem ainda idealiza práticas limpas, claras e não corruptas. Constantemente nos vemos em volta de um escândalo político desta natureza. Este blog é um espaço onde se debate idéias, sobretudo de discussões políticas. Assim, um dos seus objetivos é o de esclarecer as pessoas, de torná-las mais críticas e mais informadas sobre o que se passa em nosso país para, assim, poder intervir e ajudar a construir cenários mais desejáveis. Enquanto a nossa sociedade continuar votando como vota, não haverá progresso sustentável, o Congresso continuará sendo sede de escândalos e os escassos e valiosos recursos públicos continuarão se esvaindo pelas mãos dos inaptos para a boa política. Somos nós quem temos de resolver isso. José Agripino, José Sarney, Fafá, Fábio Faria, Arruda, Collor e tantos outros, são responsabilidade nossa. Nós quem os colocamos lá. Se há quem vota por dinheiro ou interesses escusos, depois não se pode reclamar. O negócio é esperar passar os quatro anos de mandato e tentar mudar um pouco o atual triste cenário.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vitrines do novo mundo

El País

É o abraço do anjo com o diabo. Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente que transformou o país do futuro na potência do presente, admirado e idolatrado nas capitais ocidentais, se abraça sem escrúpulos com o presidente déspota e embusteiro que os aiatolás fundamentalistas puseram à frente da República Islâmica do Irã, esse maldito Mahmoud Ahmadinejad que ameaça Israel com um novo holocausto e para isso prepara uma arma nuclear em seus silos secretos.Não são, portanto, Obama em Pequim ou o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, no jantar de Estado da Casa Branca os protagonistas das imagens que melhor refletem hoje as novas relações internacionais. Não houve grandes notícias nem, portanto, imagens de alto significado na viagem asiática de Obama há duas semanas em relação a seus antecessores.

Como também não houve no tratamento protocolar máximo recebido nesta terça-feira pela Índia em sua complexa e cada vez mais estreita relação com Washington. Sendo ambos muito significativos na decolagem das novas relações internacionais da Washington obamiana, o que prima antes de tudo é a continuidade. Com a China, já remota, desde a semente plantada em 1972 por Kissinger e Nixon. Com a Índia, mais imediata, culminando já com Bush filho a virada ou mudança de alianças desde as estreitas relações com Moscou até as atuais quase perfeitas com Washington.O novo é essa foto, de calibre ainda proibido no resto do mundo, que expressa as pressas e o adiantamento que o Brasil está tomando em sua ação internacional em relação a outros jogadores mais conservadores ou frágeis.

Uma foto que não se deve examinar isolada, mas no álbum presidencial, onde aparecem os recentes e correspondentes abraços com o presidente israelense, Shimon Peres, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.

O Brasil não é somente uma nova potência econômica e o maior ator no cenário latino-americano. Agora mostrou cartas de maior calibre: quer jogar nos dois conflitos mais envenenados do novo cenário, em um passo com o qual Lula aposta em adotar posições próprias e nem sempre em perfeita sintonia com seu aliado Barack Obama, como demonstram as diferenças em relação à solução da crise hondurenha.A jogada está cheia de riscos. Não é estranho o contraste entre o abraço e as palavras severas de Lula em relação aos princípios, talvez mais duras e diretas do que as que os chineses tiveram de escutar da boca do presidente norte-americano: "A política externa brasileira está ancorada no compromisso com a democracia e o respeito à diversidade. Defendemos os direitos humanos e a liberdade de escolha de nossos cidadãos com a mesma veemência com que repudiamos todo tipo de intolerância e de recurso ao terrorismo". O abraço e a advertência. Os interesses e os princípios.

A jogada de risco e a garantia para se cobrir. Finalmente, Lula só pode ceder na imagem se conseguir ganhar nos fatos, algo que não está nada claro mas que vai em seu próprio interesse de credibilidade como potência.Para jogar no novo tabuleiro global é preciso ter cartas de todos os naipes. O papel que o Brasil está imaginando agora se recorta sobre o que vinha desempenhando a Europa. E ocorre no exato momento em que a União Europeia estreia um tratado e remoça sua cúpula dirigente. Mas essas cenas de mudança contam apenas como vitrines do novo mundo. Expressam o ensimesmamento europeu diante da fome de bola dos emergentes. Não são resultado da vontade, mas de sua falta.

As nomeações dos novos cargos e, sobretudo, a substituição de Javier Solana, o político europeu com maior experiência no cenário internacional, pela baronesa Upholland, sem qualquer experiência diplomática, se encontram nas antípodas do gesto arriscado de Lula.Não é mais a teoria do mínimo denominador comum o que levou Durão Barroso a renovar seu mandato como presidente da Comissão tão prematura e frescamente antes da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, e que depois fossem nomeados para os dois novos altos cargos os que menos incomodam os grandes da UE. As três nomeações são fruto da ausência de vontade e de objetivos por parte dos líderes dos 27 e, sobretudo, dos maiores, de forma que, afinal, ganha quem passa mais despercebido. É a eleição por defeito.

Exatamente o contrário da energia que move as jogadas protagonizadas pelos que realmente estão jogando a partida: EUA, China, Brasil, é claro, mas também Rússia, Irã ou Venezuela. A política internacional também é um esporte de risco e de contato, no qual, para vencer, de vez em quando é preciso abraçar o diabo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ford investirá R$ 4 bilhões para aumentar produção no Brasil

UOL
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A Ford planeja investir R$ 4 bilhões no Brasil para aumentar a produção, diante do aumento da demanda por carros por conta dos juros nas mínimas recordes e de uma recuperação na maior economia da América Latina, disse nesta sexta-feira (20) o presidente da companhia para as Américas, Mark Fields.
A maior parte dos recursos, R$ 2,8 bilhões, será direcionada a duas fábricas, no Ceará e na Bahia, disse Marcos de Oliveira, presidente-executivo da montadora para o Brasil e o Mercosul. A Ford espera que os investimentos criem 1.000 empregos e aumentem a produção das fábricas no Nordeste do Brasil dos atuais 250 mil para 300 mil veículos, acrescentou.Como parte do plano de investimento, divulgado numa cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo ampliará benefícios fiscais estaduais e federais para a Ford.A montadora é a quarta maior em vendas no Brasil e ocupa o segundo lugar nos Estados Unidos, atrás apenas da General Motors.O Brasil é um importante mercado para montadoras globais, como a italiana Fiat, a alemã Volkswagen e as norte-americanas GM e Ford. Companhias automobilísticas da Ásia e da França também estão demonstrando confiança crescente em que o Brasil compense a queda nas vendas em seus mercados locais.
O Brasil continua sendo visto como um local estratégico para montadoras globais, que sofrem muito mais nos principais mercados como Estados Unidos e Europa. Estima-se que as vendas de automóveis no país cresçam a um nível recorde em 2009, ajudadas por incentivos fiscais do governo que reduziram os preços dos veículos e atraíram consumidores às concessionárias.A isenção fiscal (IPI reduzido) deve acabar no fim de dezembro, mas a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) espera que as vendas cresçam mais de 9% em 2010.
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Minha análise
Depois que o "The economist" publicou a matéria "O Brasil decola" e que o mercado reviu a previsão de crescimento do país neste ano para 1,5% e, para 2010, 6,2%, nenhuma notícia sobre aumento dos investimentos é mais novidade. Petrobras, Vale e Embraer já fizeram anúncios desse tipo. Fiquei especialmente feliz com essa informação quando soube que a maior parte dos investimentos serão aqui no Nordeste. Seria muito interessante novas montadoras aqui no Rio Grande, na Paraíba, no Piauí e de preferência nos interiores. É preciso criar empregos longe das capitais para desafogá-las e impedir que se tornem ainda mais caóticas. Precisamos urgentemente de mais riqueza, precisamos crescer. Claro que a problemática ambiental será sempre um gargalo, mas a inteligência nacional tem que se pôr a serviço dessa causa, afinal desenvolvimento sustentável é possível. Aliás, falando sobre a inteligência nacional, esta tem que aparecer mais e deixar os medíocres distantes dos holofotes e principalmente da direção do país.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Vinte anos das eleições de 1989

Neste mês está se completando vinte anos das primeiras eleições diretas à presidência do Brasil, em 1989, aquela que elegeu Fernando Collor presidente. Embora a grande mídia quase não tenha abordado o tema, trata-se de algo da mais alta relevância para a história brasileira por se tratar, justamente, do nosso primeiro suspiro democrático pós-ditadura, já na vigência da atual constituição. A História é uma ferramenta de fundamental importância para o reconhecimento de um povo e para a sua autoconscientização. Saber como o hoje se construiu e poder fazer comparações entre o que se passou há 20, 30 ou 200 anos e o que se passa atualmente, é, por demais, válido para atestar em que pontos o país evoluiu e em quê outros ainda precisa dar grandes saltos de qualidade.
Isto posto, a impressão que eu tenho ao rever os debates presidenciais que se travaram à época, as propostas dos candidatos e as suas posturas frente ao processo eleitoral, é a de que nós, a despeito de tudo, evoluímos muito. Se hoje eu sempre reclamo e chamo a atenção de que nós não estamos discutindo os temas de que precisamos discutir para fazer o Brasil avançar, à época a situação era dramaticamente pior. Basta lembrarmos que o mais grave problema do momento, a então eminente hiper inflação, quase não era discutida e, quando o era, não se ouvia nenhuma proposta concreta para combatê-la. Só para se ter uma ideia de como era delicada a situação, a inflação anual do país, hoje, é de cerca de 5%, mas em 89 era algo próximo a 2000% e cerca de 70% ao mês. Situação precaríssima. As estruturas do próprio Estado Brasileiro estavam se dissolvendo e o governo não tinha dinheiro sequer para pagar a folha de pagamento de seu funcionalismo. A dívida externa estava em moratória e, diferentemente do momento atual, quando somamos mais de 230 bilhões de dólares em reservas, naquele momento não se juntava nem 10 bilhões. Se hoje as condições macroeconômicas do país nos possibilitaram passar por uma das mais violentas crises financeiras da história sem grandes sobressaltos, há 20 anos não era assim e tudo parecia caminhar rumo ao caos.
Estava se concluindo ali um período determinado de "a década perdida", quando o Brasil percebeu que o crescimento econômico de outras épocas, sobretudo do pretenso "milagre econômico" militar, havia se dado de forma insustentada e agora nos custaria muito caro repor ordem na casa. Era preciso reequilibrar as finanças, promover um pesado ajuste fiscal, estabilizar a economia, melhorar as ainda piores condições sociais do povo, equilibrar a dívida externa e fomentar o crescimento econômico num novo contexto geopolítico que surgia: a então "Nova Ordem Mundial" e a globalização - O muro de Berlim havia caído há poucos dias antes da eleição. O quê disso foi discutido nos debates? Nada ou quase nada. Basta lembrar que Collor, quando perguntado sobre a sua proposta para combater a inflação, respondeu que resolveria o problema com um rifle na mão, uma mira certeira e uma bala só. Isso era uma piada, não era? Era realmente para rir. Depois descobrimos que essa tal bala era o confisco das poupanças. A ordem, então, era chorar. Muitos se mataram, inclusive. Meses antes das eleições, num pronunciamento à nação, o então Presidente da República, José Sarney, enxergando um paraíso que só ele era capaz de ver, dava o tom do nível de proposição política que se fazia naqueles tempos, dizendo aos brasileiros: “... a inflação baixará, retomaremos o crescimento econômico, o país irá recuperar a sua confiança, os preços ficarão estabilizados, os investimentos públicos não inflacionários voltarão, voltarão também os investimentos privados, as eleições desse ano serão tranqüilas, o futuro presidente, eleito em novembro, encontrará o Brasil em condições de dar um novo e grande salto para o futuro...”. Simples assim. Se alguém lhe perguntasse como isso poderia ser possível, ele talvez respondesse: “Não sei, só sei que será assim”. É, Sarney, está certo que o Presidente é, em essência, um otimista profissional, já dizia FHC, no entanto, faltou-lhe somente argumentar seriamente como essas operações todas iriam se transcorrer. Faltou-lhe também dizer que ações efetivas o governo dele estava tomando para tanto. Aquela era uma situação de crise como as gerações mais jovens de hoje, especialmente as adolescentes, não têm condições de vislumbrar. O país precisava de ação, não de otimismo, meramente.
Tratava-se aquela da primeira eleição presidencial em trinta anos, aquela geração não tinha o hábito democrático como temos hoje. Aquele foi o primeiro debate presidencial da história do Brasil. É mesmo natural que as coisas se processassem daquela forma. Somente a prática democrática nos ensina como é possível aprender com o erro. O desfecho da história das eleições de 89 aconteceu em 91, com o então Presidente Collor sofrendo um penoso impeachment. A partir daí assumiu o seu vice, Itamar Franco, e, em 94, FHC, à época Ministro da Economia, lança o plano real e cria as bases do que seriam oito anos de governo seus. Logo após Lula seria eleito presidente e o resto da história todos sabemos.
Ao revisitar a história recente do Brasil, saio com a profunda convicção de que, embora tenhamos ainda imensos problemas que jamais poderão, tampouco deverão, ser negados, este país já mostrou que é capaz de superar os seus percalços, de aprender com eles e de melhorar. Hoje somos estáveis, a inflação é matéria de livros de história e as perspectivas futuras que se fazem sobre nós são as melhores possíveis.
Próximo ano haverá eleições presidenciais. Pela primeira vez, desde 89, Lula não será candidato. O país estará entrando numa outra fase de seu debate político, mais maduro e com mais disposição de realmente discutir os seus maiores problemas. Cada um de nós é parte disso. Temos que dar a nossa contribuição. Estejam atentos no que dirão Serra, Dilma, Ciro e Marina. Não aceitem respostas ocas, inócuas. O populismo barato a la Chávez, de quem tanto tenho falado ultimamente neste blog, é um mal que merece ser varrido da vida política, sob pena de se cultuar o atraso e a ignorância. Precisamos tomar a decisão mais acertada para o nosso país, de forma crítica, livre, independente e consciente.
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Viva à estabilidade democrática!

EUA reiteram que não tem "intenções de agressão" na América Latina

Agência EFE
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Washington, 17 nov (EFE)- Os Estados Unidos reiteraram hoje que não têm "intenções de agressão" na América Latina, diante das reiteradas acusações da Venezuela de que as tensões na região têm origem no acordo militar assinado entre Washington e Colômbia.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly, rejeitou hoje de novo este argumento e voltou a pedir que Venezuela e Colômbia a resolvam suas diferenças através do diálogo bilateral.O embaixador dos EUA na Colômbia, William Brownfield, afirmou na segunda-feira que Washington está disposto a mediar para que Colômbia e Venezuela, através do diálogo, superem sua crise diplomática e comercial, que se agravou nos últimos dias.
O porta-voz reiterou hoje sua chamada para que Colômbia e Venezuela resolvam suas diferenças."Somos a favor da cooperação nesta região e estamos preparados para ajudar, se pudermos ter um papel de apoio ou de mediação", acrescentou Kelly.
Sobre as acusações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de que a origem das tensões na região está na política dos EUA para a América Latina e, precisamente, no acordo militar assinado com a Colômbia, visto por Caracas como uma ameaça, o porta-voz disse que Washington "não está de acordo"."Respaldamos uma maior cooperação, um maior diálogo. Não temos nenhuma intenção de agressão na América do Sul. E fazemos uma chamada ao diálogo", insistiu Kelly.Mas o porta-voz não considerou necessário que os Estados Unidos proponham um encontro entre Colômbia e Venezuela."Não tenho certeza de que isso seja necessário. O que é necessário é que a Colômbia e a Venezuela se sentem e resolvam seus problemas por conta própria", disse, acrescentando que os dois países não pediram a ajuda americana."No entanto, se pudermos ser de ajuda, certamente estamos dispostos a ajudar", concluiu Kelly.
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Minha análise
Os EUA não são nenhum santo, longe disso. Todo esse discurso de não intervenção acontece pelos motivos já explicados por mim aqui neste espaço em outras oportunidades. A América Latina é o continente que abriga México, Brasil, Argentina e Chile. Países economicamente importantes. Estes são emergentes, integrantes do G-20. Nenhuma grande potência da atualidade tem o interesse de se contrapor belicamente a um emergente. Nenhuma. Motivos: globalização, interdependência.
E só para não perder o costume, Chávez é um analfabeto geopolítico.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Estabilidade será mantida seja qual for sucessor de Lula, diz 'Economist'

BBC Brasil
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A estabilidade econômica e política brasileira, "conquistadas com muito esforço", devem ser mantidas independentemente de quem vença as próximas eleições para presidente, de acordo com as previsões para 2010 da revista britânica The Economist.
A publicação diz que os dos principais prováveis candidatos à sucessão de Lula, Dilma Russeff e José Serra, são "tecnocratas" e "bem preparados para as tarefas que vão enfrentar".Mas quem quer que seja eleito presidente deve herdar um país com maior projeção internacional e uma economia mais forte do que quando Lula assumiu o poder em 2003, afirma a publicação.
O futuro presidente, por outro lado, também terá dificuldades, diz a revista. De acordo com a publicação, o governo vem gastando cada vez mais com o setor público e isso seria o tipo de política difícil de ser revertida.
O próximo governo também ainda não deve se beneficiar do dinheiro proveniente do pré-sal, embora vá definir como ele será gasto."Isso significa que existe um grande risco de que o debate sobre o futuro do país seja prejudicado por negociações particulares (sobre como empregar as verbas do pré-sal), impedindo que o Brasil aproveite ao máximo esse 'presente de Deus', como Lula o definiu."
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Minha análise
O que esta revista de grande circulação mundial publicou é o que de mais claro há atualmente. O Brasil, felizmente, destaca-se dentre os BRICs como sendo o mais estável política e economicamente. A próxima eleição presidencial, que eu aguardo ansiosamente, será marcada pela civilidade, sem sobressaltos, sem espetacularização. Pelo menos é o que se espera.
O nível do debate deve ser alto, pois tanto Serra, quanto Dilma, Ciro e Marina, têm profundo conhecimento de Brasil, todos são bastante experientes e preparados. Esta será, de longe, a eleição presidencial mais centrada e séria dos últimos anos. "Séria", aqui nesse caso, é no sentido de que promessas popularescas impossíveis de serem cumpridas ou discursos estapafúrdios a la Chávez não se farão presentes. Isso é muito bom, sobretudo se considerarmos que temas importantes, como a regulamenteção do pré-sal, a reforma política e tributária, a solução para os gargalos de infra-estrutura, dentre outros, precisam ser seriamente debatidos.
Para concluir, é bom deixar claro que não se espera um debate ameno. PT e PSDB irão se digladiar. O debate será acalorado, mas sério.
Nisso espero que ganhemos todos e saibamos tomar a opção mais acertada para o Brasil.

Oposição admite que não tem votos para barrar entrada de Venezuela no Mercosul

Folha On Line
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A oposição reconhece que terá dificuldades para barrar o ingresso da Venezuela no Mercosul. O assunto deve ser analisado pelo plenário do Senado nesta semana.
Embora os governistas tenham dissidências contrárias à adesão do país vizinho ao bloco econômico, senadores do DEM e PSDB admitem que não terão número suficiente de parlamentares para derrubar o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul.
"Se todos os nosso vierem, e isso é difícil porque sempre tem um que viaja, um que está doente, conseguiremos 32 votos. Como o [presidente do Senado] Sarney não vota, calculo que fica em 48 a 32 para eles. Não é uma grande vitória, mas eles ganham", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Os governistas prometem colocar em pauta quarta-feira, no plenário, o protocolo de adesão da Venezuela no Mercosul. Mas contabilizam, nos bastidores, se terão apoio suficiente para aprovar a matéria. A disposição da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é colocar a matéria em análise somente se houver um placar favorável ao protocolo de adesão.
O governo adiou a votação nas últimas duas semanas por não ter certeza da vantagem sobre a oposição. Líderes governistas admitiram que as recentes declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de que os líderes militares da Venezuela devem estar preparados para a "guerra" no continente, poderiam colocar em risco a aprovação da adesão do país ao Mercosul.
Chávez fez as declarações há duas semanas, o que dificultou as negociações dos governistas para a votação do ingresso da Venezuela no Mercosul. A oposição trabalha para adiar a votação do protocolo de adesão até que haja um compromisso do governo venezuelano de que não há uma "situação de guerra" no continente.
Na sessão plenária, a oposição promete realizar uma série de longos discursos na tentativa de suspender a sessão --como estratégia para adiar, novamente, a análise do protocolo de adesão.
DEM e PSDB temem que Chávez, no comando da Venezuela, traga instabilidade à democracia no Mercosul --por isso são contrários à aprovação da matéria.
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Aprovação
A CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado aprovou no final de outubro o ingresso da Venezuela no Mercosul. Apesar da pressão de senadores oposicionistas contra a adesão do país presidido por Hugo Chávez no bloco econômico, o governo tinha maioria na comissão para garantir a aprovação do voto em separado do senador Romero Jucá (PMDB-RR) --favorável ao protocolo de ingresso do país no Mercosul.
Antes de aprovar o voto de Jucá, a comissão rejeitou o relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul. A oposição critica a adesão da Venezuela no bloco por considerar que Chávez impôs um regime antidemocrático no país --o que poderia colocar em xeque a democracia na América do Sul.
No texto, Jucá não reconhece atitudes antidemocráticas no governo de Hugo Chávez ao considerar que isso é fruto de distorção da imprensa sensacionalista e de organismos internacionais. O líder governista também argumentou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da oposição, foi quem deu início às negociações para a adesão da Venezuela ao Mercosul.
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Minha análise
Eu reconheço que este tem sido um tema muito repetitivo por aqui nos últimos posts, mas, em virtude da relevância do tema, é por demais importante estar de olho nos acontecimentos a ele relacionados. Vou aqui declarar decididamente a minha posição contrária à adesão da Venezuela ao Mercosul. Chávez é um fator de instabilidade para a região e acredito que o país pode aguardar um pouco mais até um dia as coisas se normalizarem, de preferência com o retorno da ordem democrática à Venezuela.
Nunca é demais ressaltar, para as pessoas que vão fazer prova de atualidades em algum concurso, a Venezuela até esta data não é integrante de Mercosul, ainda.

domingo, 15 de novembro de 2009

Ainda sobre a Venezuela

Sempre que leio sobre as atitudes de Hugo Chávez, eu penso como é bom não ser venezuelano. Na leitura da reportagem do The New York Times há uns tópicos abaixo, fica muito claro como há um verdadeiro desgoverno na Venezuela. É impressionante. Os temas de maior relevância para o país, como a problemática energética, a produção de alimentos e a busca por uma menor dependência do petróleo, simplesmente, não são debatidos. Ao invés disso, Chávez elança o seu povo num danoso e vicioso ciclo de ignorância. Na Venezuela o abastecimento de água está seriamente comprometido, enquanto o governo gasta bilhões com uma política armamentista totalmente infundada e apartada da atual realidade geopolítica. Tudo piora quando vc pensa que isso se passa ao mesmo tempo em que o Presidente chama o seu ignorante e sofrido povo para uma guerra descabida contra os EUA e a Colômbia. Paciência! A isso dá-se o nome de populismo. Na América do Sul e, daqui há uns dias, no Mercosul, Chávez será um grande fator de instabilidade. Políticos como ele prestam, em fato, um enorme desserviço a sua nação. Felizmente, o risco de nós aqui no Brasil termos um próximo Presidente ao estilo de Chávez é mínimo, quase zero. Felizmente.

Curiosidades

Estive, através do google analytics, observando o perfil dos visitantes deste blog e fiquei impressionado com algumas informações. Por exemplo, a maioria dos leitores não é daqui de Mossoró, mas de Natal. Até hoje este blog foi visitado por quase quatrocentas pessoas. Destas, 113 são de Natal e 63 de Mossoró. Incrível, isso é quase o dobro! A terceira cidade no ranking é São Paulo e João Pessoa, minha próxima residência, figura em quinto lugar. Também já fomos lidos nos EUA, em Portugal, na Espanha, na Argentina e na Dinamarca, embora por cerca de somente uma ou duas pessoas em cada um desses países. A média de permanência de cada visita é de cerca de 7 minutos. Muito bom! Isto é sinal de que os visitantes são, de fato, leitores. O tópico mais lido até hoje foi o que fala sobre o movimento separatista no Brasil. A maioria dos leitores deste blog tomam conhecimento de sua existência através dos sites de busca, sobretudo do google.
Estes fatos só nos provam que a internet é, de longe, o mais democrático dos meios de comunicação. Noutros espaços a informação é produzida para a massa, aqui na web ela é produzida pela massa, ou seja, pessoas comuns e anônimas informando outras tão comuns e anônimas quanto elas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Na Venezuela rica em energia, Chávez diz ao povo para economizar

The New York Times
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Este país pode ser um colosso de energia, com as maiores reservas convencionais de petróleo fora do Oriente Médio e um dos mais poderosos sistemas hidrelétricos do mundo, mas isso não a impediu de sofrer sérios problemas de falta de eletricidade e água que parecem estar piorando.O presidente Hugo Chávez está enfrentando protestos da população nas últimas semanas devido a cortes de energia elétrica que, após seis apagões nacionais nos últimos dois anos, estão interrompendo o fornecimento de eletricidade por horas a cada dia nas áreas rurais e em cidades industriais como Valencia e Ciudad Guayana. Agora, o racionamento de água foi introduzido aqui na capital.


A deterioração dos serviços causa perplexidade para muitos aqui, especialmente porque o país se acostumou a água e eletricidade baratas e abundantes nas últimas décadas. Mas enquanto o boom do petróleo enriquecia seu governo e Chávez assumia maior controle sobre as empresas de utilidade pública e outros setores nesta década, os serviços públicos pareciam apenas se deteriorar, aumentando as frustrações dos moradores.Com o declínio da receita do petróleo e a desaceleração econômica, não parece haver solução rápida para o problema.
O governo anunciou algumas medidas de emergência nesta semana, incluindo limites às importações de aparelhos de ar condicionado, aumentos de tarifas para os grandes consumidores de energia e a construção de novas usinas a gás, que só ficarão prontas na metade da próxima década.Ceticismo também persiste em torno de outro plano - o desenvolvimento de um programa de energia nuclear - porque exigiria o gasto de multibilhões de dólares e extenso treinamento dos cientistas venezuelanos em um momento de déficits orçamentários e queda da produção de petróleo. A resistência diplomática potencial a uma cooperação da Venezuela com o Irã em assuntos nucleares poderia atrasar ainda mais essas ambições."Nós estamos pagando pelos erros deste presidente e seus administradores incompetentes", disse Aixa Lopez, 39 anos, presidente do Comitê das Vítimas de Apagão, que organizou protestos em várias cidades.
Em algumas cidades, os manifestantes abandonaram aparelhos domésticos na entrada das companhias elétricas do Estado.Em resposta, Chávez está embarcando em sua própria cruzada: pressionar os venezuelanos a economizarem, ridicularizando seus hábitos de consumo. Ele iniciou suas críticas no mês passado, com o tempo que os cidadãos gastam sob seus chuveiros, dizendo que banhos de três minutos eram suficientes. "Eu contei e não terminei fedido", ele disse. "Eu garanto."Então ele foi atrás dos motéis e shopping centers da Venezuela, os acusando de desperdício. "Comprem seu próprio gerador", ele ameaçou, "ou cortarei sua luz".
Ele igualmente culpou os "oligarcas", um insulto usado com frequência aqui para os ricos, por consumo excessivo de água nos jardins e piscinas.Chávez até mesmo investiu contra a cintura em expansão dos seus conterrâneos: "Fiquem de olho nos gordos", ele disse no mês passado, citando um estudo apontando um aumento da obesidade. "É hora de perder peso por meio de dieta e exercício."Enquanto Chávez ataca esses problemas, o declínio dos serviços públicos da Venezuela oferece o que pode ser um exemplo da "maldição de recursos": a ideia de que alguns países com recursos naturais abundantes apresentam sociedades atrapalhadas por discórdia política, crescimento atrasado e ineficiências clamorosas.
No papel, pelo menos, a Venezuela deveria estar nadando em energia excedente. O país possui reservas imensas de petróleo e gás natural, além de depósitos consideráveis de carvão. Seu complexo hidrelétrico de Guri, construído com as riquezas de petróleo nos anos 60, continua sendo um dos maiores projetos hidrelétricos do mundo.Guri fornece à Venezuela até três quartos de sua eletricidade e, igualmente crucial, permite à Venezuela exportar cerca de 500 mil barris de petróleo por dia, que caso contrário seriam necessários para atender à demanda por eletricidade.Mas economistas de energia daqui dizem que uma combinação de negligência e mau planejamento levaram Guri ao seu limite nesta década, enquanto outros projetos de eletricidade, incluindo vários construídos nos últimos anos para serem alimentados por gás natural, permanecem completa ou parcialmente ociosos.
O governo Chávez culpa as chuvas relativamente baixas deste ano pelo nível baixo das águas em Guri e pelo declínio do fornecimento de água em Caracas. Mas ex-funcionários do governo Chávez, entrevistados aqui, disseram que os problemas são maiores do que apenas falta de chuva.Eles disseram que o presidente encorajou o consumo com um decreto de 2002, que congelou as tarifas de eletricidade e outros serviços de utilidade pública. Uma mudança de fuso horário promovida por Chávez em 2007, atrasando os relógios em meia hora, também levou a um aumento de consumo (o anoitecer chega mais cedo aqui do que antes).Enquanto isso, a nacionalização na prática suspendeu os projetos de energia renovável, como o plano da AES Corp., que costumava controlar a principal companhia elétrica em Caracas, para um projeto de energia eólica na península de Paraguana. Apesar do grande potencial de energia eólica e solar da Venezuela, a energia renovável aqui permanece insignificante.Mais importante pode ser o fracasso do governo em usar suas imensas reservas de gás natural, as segundas maiores do hemisfério, atrás apenas das dos Estados Unidos, para alimentar as usinas elétricas existentes.O gás da Venezuela é tecnicamente difícil de extrair, porque 90% dele estão associados ao petróleo, mas grandes projetos foram abandonados enquanto o vizinha da Venezuela, Trinidad, explora as reservas de gás adjacentes com facilidade.
A Venezuela depende da Colômbia, país com o qual mantém laços cada vez mais tensos, para importação de gás.Como resultado, há uma desconexão entre o potencial de energia da Venezuela e sua capacidade de manter as luzes acesas. Outdoors aqui enaltecem uma "revolução do gás natural" e a proeza demonstrada por um satélite colocado em órbita no ano passado, com ajuda da China, enquanto apagões diários atormentam as áreas pobres onde o satélite supostamente deveria ajudar a fornecer serviços de telefonia e Internet."O problema não é falta de dinheiro", disse Victor Poleo, um ex-ministro da Energia de Chávez. "É um militarismo irresponsável e corrupto que substituiu o profissionalismo no setor."Enquanto isso, lares e empresas por todo o país se adaptam ao fornecimento errático de energia e, aqui em Caracas, de água. As vendas de pequenos geradores, velas e tanques de água estão aumentando. Refletindo o desconforto da base industrial já em dificuldades, que se desenvolveu em torno do acesso a energia barata e abundante, a Sidor, uma siderúrgica em Ciudad Guayana, disse que desativaria suas fornalhas cinco horas por dia devido aos cortes."Se esta crise nos ensina algo", disse Fernando Branger, um especialista em energia do Instituto de Estudos Superiores de Administração, em Caracas, "é que a imensidão de nossas reservas de energia não significa nada se não podemos nem mesmo extraí-las do solo".

domingo, 8 de novembro de 2009

Chávez pede a civis e militares que se prepararem para a guerra

Agência EFE

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou hoje a subir o tom na crise com a Colômbia ao falar em "preparar-se para a guerra" diante de uma eventual agressão que, em sua opinião, poderia fazer Washington contra seu país.Ao discursar em seu programa dominical "Alô Presidente", Chávez fez um chamado aos militares e civis venezuelanos a "preparar-se para a guerra", em uma advertência aos Governos da Colômbia e dos Estados Unidos."Não se engane e ordene um ataque contra a Venezuela utilizando à Colômbia, nós estamos dispostos a tudo", disse referindo-se ao presidente americano Barack Obama.
Chávez, que em repetidas ocasiões acusou Washington de gestar um plano para desestabilizar seu Governo, ordenou em sua alocução aos membros da Força Armada Bolivariana "preparar-se para a guerra como a melhor forma para evitá-la"."Nós sempre fomos cautelosos com o triunfo do presidente Obama, mas bem cedo começamos a entender toda a verdade, que o império está aí, vivo e mais ameaçador do que nunca", disse Chávez, quem também advertiu que o conflito se estenderia além da Venezuela, a todo o continente, e duraria "cem anos".
Chávez lembrou uma afirmação do ex-presidente cubano Fidel Castro de que os Estados Unidos se juntaram à Colômbia com o tratado, e agora tem livre acesso ao continente através da permissão para que os soldados americanos utilizem as bases militares do país sul-americano.Castro, "com todo o peso de sua autoridade histórica", ressaltou o governante venezuelano, denunciou "a entrega de um país", do qual "não há precedente"."O Governo da Colômbia transformou um país irmão em uma colônia ianque", disse Chávez, antes de afirmar que não hesita em que "algum dia a Colômbia será novamente um país livre, como hoje é a Venezuela".

Minha análise
Numa só palavra: Patético. Hugo Chavez é o que de pior tem acontecido na política latina nos últimos anos. Nunca vi ninguém tão populista e tão despreparado para o cargo de chefe de Estado quanto ele. Os que gostam dele que me desculpem, mas Chávez presta, diuturnamente, um enorme desserviço à democracia de seu país e à estabilidade política da região. Seguindo os seus passos estão Rafael Corrêa, do Equador, e Morales, da Bolívia.
Tudo o que o presidente venezuelano disse é totalmente descabido. Os EUA, no atual momento, e já há muito tempo, não se arriscariam em uma aventura bélica aqui na América do Sul. Isso acontece por que a sua atenção tem sido sempre muito mais voltada para o Oriente Médio, onde estão as grandes questões mundiais. Ademais, o contexto de crise econômica simplesmente o impede de algo desse tipo. A Venezuela é um país contextualmente mais relevante do que são o Iraque e o Afeganistão, por isso atacá-la geraria um grande abalo a economias que são importantes, como o Brasil e a Argentina, e estaria aí inaugurada uma outra crise econômica com consequências em todo o mundo. Nesse instante isso é tudo o que os EUA menos querem. Alguém tem que dizer a esse populista despreparado e falacioso que isso é regra simples de globalização.
Claro que os EUA não são nenhum santo e que o acordo com a Colômbia tem interesses que extrapolam a fronteira deste país, no entanto, o que Chavez quer mesmo é desvirtuar a atenção dos reais problemas que aflingem o seu atrasado país. Lá se importa 85% do que se come e não há geração de energia suficiente para a manutenção de crescimento econômico sustentado. A bem da verdade, estão à beira de um apagão. Isso tudo por incompetência administrativa dele que não tem noção do que fazer quando é realmente necessário uma atitude importante para a sua nação. Isso também é uma regra básica do caudilhismo: quando a situação interna tá preta, arranja-se um inimigo externo comum e une-se o país contra ele.
Patético.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Um pouco do que eu penso sobre a questão política aqui em Mossoró

Eu sempre tenho esboçado a minha opinião de que Mossoró, neste aspecto político, ainda não cresceu. Continua comportando-se como uma cidadezinha de 5 mil habitantes. Os que dirigem a cidade, sejam lá quem forem, têm que ter a consciência de que administrar quase 400 milhões de reais por ano não é algo que deve se fazer às escondidas. Sobretudo quando há na cidade emissoras locais de tv e rádio, embora nós saibamos que a imprensa daqui é toda mais do quê comprometida.
Dessa forma, é preciso dar clareza aos gastos públicos e debater com a sociedade, caso haja a necessidade de alguns cortes, quais serão mais apropriados. Será que é válido um orçamento tão grande para o gabinete da prefeita e para a propaganda? Julgo que, dificilmente, a população optaria pelos indefensáveis cortes na saúde, como os que estão sendo feitos.
Quem poderia dar uma grande ajuda nesse sentido seria a Câmara Municipal que, como já dito neste blog por mim outras vezes, simplesmente se furta do seu papel de legislar e de fiscalizar o executivo. Os vereadores acreditam que estão lá para balançar a cabeça, dizendo sim, sim e sim, salvo raras excessões. Neste ensejo eu gostaria de elogiar a participação de vereadores como Genivan Vale e Lahyre Neto, embora não guarde nenhuma simpatia por este último. Ter uma oposição que se comunica é vital para o desenvolvimento da democracia. Francisco José Júnior diz ser oposição, mas não consigo vislumbrar nele uma ação tão enfática quanto a dos dois outros.
O fato é que raramente trava-se debates substantivos em nossa cidade. Prefere-se, às vezes, fazer intrigas e propagar mentiras. Todo mundo sabe que a prefeita é uma mulher sem atitude. Isso é notório. Não votei nela, como jamais votaria em políticos como ela, mas respeito o jogo democrático. Ela foi eleita e tem que saber lidar com isso. Quem tá no poder tem que aprender a ouvir. Será que é útil discutir qualquer coisa nesse momento senão a total ingerência administrativa por qual passa a nossa cidade? Todos os anos quando é aprovada a lei do orçamento da união a imprensa nacional dá ampla divulgação. Aqui em Mossoró vocês ouvem falar alguma coisa sobre isso? Falta profissionalismo à imprensa também e desinteresse da maior parte dos mossoroenses, por certo.

Proposta brasileira no G20 encontrará forte resistência, dizem especialistas

UOL Economia
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O Brasil levará à reunião do G20, neste fim de semana na Escócia, uma proposta que, se aceita, poderia amenizar a forte entrada de dólares no país e evitar a formação de uma possível bolha econômica. Mas essa ideia sofrerá forte resistência, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.
A sugestão brasileira é que, para evitar desequlíbrios cambiais, todos os países do grupo adotem a política de câmbio flutuante, em que a relação entre oferta e demanda de dólar determine o valor da moeda americana em relação à local.
O grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo, 12 emergentes e a União Europeia terá um encontro de ministros da Economia e presidentes de bancos centrais neste fim de semana, no Reino Unido.
“A proposta do Brasil vai encontrar forte resistência, não por parte dos países desenvolvidos, mas pelos países em desenvolvimento”, avalia o professor Matias Spektor, coordenador do MBA de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Ele se refere principalmente à China, que adota o sistema de câmbio administrado, em que o governo determina o valor da moeda local em relação ao dólar.
O objetivo do Brasil é tentar conter uma entrada artificial de capital estrangeiro no país. Com a crise internacional, as economias desenvolvidas têm mantido suas taxas básicas de juros em patamares historicamente baixos, o que leva investidores a tirarem parte de suas aplicações nesses países e investirem nos emergentes, que têm taxas maiores e perspectiva de crescimento.

Câmbio artificial na China
Mas os investidores têm certa aversão à China porque o país asiático mantém um câmbio artificialmente baixo. Com isso, “o capital estrangeiro acaba preferindo o Brasil, em função da característica cambial”, afirma o professor Otto Nogami, do Insper (ex-Ibmec-SP).
“Pode-se estar artificialmente criando uma bolha no mercado brasileiro, por isso o [ministro da Fazenda, Guido] Mantega decidiu pôr o IOF de 2% [sobre entrada de capital estrangeiro]. Agora a proposta é que a China flexibilize o câmbio. Essa é a grande preocupação”, avalia Nogami.
Desde o início do ano até o fechamento do pregão de quinta-feira, o dólar já se desvalorizou 26,2% em relação ao real.
Para o professor de macroeconomia Fábio Kanczuk, da USP, essa proposta não vingará. “Faz pelo menos três ou quatro anos que existe essa história, essa pressão (para que a China adote câmbio flutuante). Agora o Brasil entrou nessa, mas no final é a China quem decide, entra por um ouvido e sai pelo outro”, comenta Kanczuk.
Já Nogami é mais otimista: "a desvalorização do dólar não para. Isso começa a preocupar muito os bancos centrais. Nesse sentido, acredito que em curto intervalo de tempo começarão a surgir medidas efetivas".
A ideia de flexibilização do câmbio chinês já vinha sendo defendida pelos Estados Unidos e outros países desenvolvidos. A China, por sua vez, propõe a substituição do dólar por outra moeda nas transações internacionais, fato que encontra resistência justamente nos EUA.

Pressão sobre FMI e Banco Mundial
Além da proposta do câmbio flutuante, o G20 discutirá a necessidade de regulamentação do mercado financeiro internacional. Dentro desse aspecto, a expectativa, segundo os especialistas consultados, é de que o grupo de países defenda reforma no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial, incluindo uma participação maior de países emergentes nas decisões.
No entanto, “o G20 é um fórum político. Não é tanto um produtor de medidas práticas. Quem toma as medidas são os países. O G20 serve para colocar as idéias sobre a mesa e tentar encontrar uma compreensão comum (acerca dos problemas discutidos)”, analisa Spektor, da FGV.
Essa “compreensão comum”, no entanto, não será alcançada neste fim de semana. Os assuntos discutidos voltarão à tona em junho de 2010, quando o grupo se reunirá no Canadá, e em Novembro, na Coreia do Sul.

Minha opinião
Primeiramente o que me chama atenção é a relevância do Brasil no contexto do G-20. Nós não só não somos mais meros ouvintes, como agora somos um importante proponente. Tenho lido em alguns jornais, inclusive no Financial Times, que o Brasil terá uma participação cada vez mais crescente. Isso é fato. Falar nisso, só a título de informação, o FT, junto ao jornal Valor Econômico, promoveram um fórum de debates sobre o Brasil e sua dinâmica e emergente economia, na Inglaterra. Lula tava até lá palestrando.
Sobre a problemática do câmbio, essa é uma questão delicadíssima tanto interna quanto externamente. Nós aqui corremos o risco de nos desindustrializar. Como o processo agora é globalizado, caso o Brasil deixe de ser atraente para o investimento produtivo, as indústrias se desmontam aqui, entram num contêiner e embarcam rumo à China ou outro lugar com condições de competitividade mais adequada. Por outro lado, não basta resolver o câmbio desvalorizando o real. É preciso resolvermos outros gargalos para o nosso crescimento:
  • Irritante burocracia - A lei ambiental foi pra proteger o meio ambiente. Termina não fazendo isso e sendo um dos entraves ao crescimento. Fora a lei de licitações. Aquilo sim é uma lei chata e feita para deixar tudo mais moroso;
  • Infra estrutura - Nossas rodovias são esburacadas, os portos insuficientes, não há ferrovias, tampouco hidrovias;
  • Mão-de-obra - No Brasil a força de trabalho é pouco ou nada condizente com as exigências da Terceira Revolução Industrial. Culpa disso? Sistema educacional que deseduca e, por vezes, emburrece mais. Aqui quem tá falando é um professor da rede pública. Eu posso falar;
  • Juros altos - Embora, é verdade, a taxa Selic esteja no patamar mais baixo de sua série histórica, os juros reais do Brasil são um dos mais altos no mundo. O terceiro, salvo engano.
  • Carga tributária - Precisa falar? Pagamos 40% do PIB em impostos. Pra quê? Pra patrocinar os mensalões e mensalinhos da vida. Falar nisso, o município aqui de Mossoró terá um aumento de arrecadação de 40 milhões de reais para o próximo ano e a prefeita anda desafiando a inteligência de todos dizendo que haverá queda de arrecadação. Não é verdade. Cresceu menos do que esperado, é verdade, mas cresceu.

Durma-se com um barulho desses. Próximo ano tem eleições, vamos começar a mudar isso um pouco, não é? Já tá mais do quê na hora. Sobre o tema central do texto extraído do UOL economia, lembrar aqui aos meus alunos de atualidades que é algo da mais alta relevância para eles. A CESPE cobra coisas desse nível.

Um abraço a todos.