domingo, 20 de setembro de 2009

Presidente da Rússia diz ter garantias de que Israel não atacará o Irã

da Reuters, em Moscou
da Folha Online
.
Israel garantiu à Rússia que não lançará um ataque contra o Irã, disse o presidente russo, Dmitry Medvedev, em entrevista à rede americana de TV CNN transmitida neste domingo (20). Ele descreveu tal ataque como "a pior coisa que se pode imaginar". Medvedev sustentou que o presidente israelense, Shimon Peres, fez o comentário em agosto durante uma reunião na localidade russa de Sochi. "Quando me visitou em Sochi, o presidente israelense Peres disse algo importante para todos nós: 'Israel não planeja lançar nenhum ataque contra o Irã. Somos um país pacífico e não faremos isso'", disse Medvedev.
As chances de um acordo com os EUA sobre um novo pacto para reduzir os fins estratégicos de armamento até o fim deste ano continuam sendo "bastante altas", afirmou Medvedev na entrevista gravada na terça-feira, segundo uma transcrição do Kremlin.
Na última segunda-feira (14), o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que chegou o momento de endurecer as sanções contra o Irã, após o grupo de seis potências --Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha-- terem definido para 1º de outubro a data da primeira reunião com representantes do governo iraniano sobre o programa nuclear do país. "Eu acredito que agora é o momento de iniciar sanções mais duras contra o Irã. Se não agora, quando? Estas sanções podem ser efetivas", afirmou Netanyahu à comissão parlamentar das Relações Exteriores e de Defesa de Israel.
O Ocidente afirma que o programa nuclear do Irã tem como objetivo a produção de armas nucleares, acusação que Teerã nega. Especialistas afirmam que há grandes chances de Israel lançar um ataque contra as plantas nucleares do Irã em ação para se defender de uma ameaça de ataque nuclear.
"Eu acredito que a comunidade internacional pode agir efetivamente", disse Netanyahu, citado por um assessor. "O regime iraniano é fraco, o povo iraniano não vai apoiar o regime se eles souberem que há um risco ao seu regime e esta seria uma nova situação", disse.
.
Minha opinião
O Oriente Médio é um daqueles lugares dos quais pode se esperar de tudo. Dali tudo é possível, sobretudo com focos de tensão tão fortes quando Israel e Irã vivendo ali, lado a lado. Recentemente li que os EUA e Israel irão fazer uns testes com novos mísseis de longo alcance. Ninguém duvida de que isso é uma mensagem clara ao Irã, aliás, claríssima. Por outro lado, Medvedev não está fazendo piada ao dizer que Israel é um país pacífico - ironia pura. Está, sim, dizendo que é assim que Israel deve se comportar, ou seja, está dizendo: Não toque no Irã. O jogo geopolítico ali é crítico demais. Você tem de um lado os EUA, Israel e as tradicionais potências ocidentais e do outro o Irã, a Rússia e, por vezes, a China, querendo dar uma de gente grande, com os olhos gordos em cima do petróleo da região.

sábado, 19 de setembro de 2009

Genealogia de Chávez

Até que ponto o fenômeno Chávez vai perdurar? Embora tenha substituído Fidel Castro no panteão dos heróis vivos, Hugo Chávez não é Castro.

BÓRIS FAUSTO
COLUNISTA DA FOLHA

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, converteu-se nos últimos anos numa figura central da cena política latino-americana.Depois que Fidel Castro envelheceu e perdeu o brilho, depois que Lula -seu entusiástico admirador de outros tempos- guardou distâncias, em boa hora, Chávez se converteu no novo super-herói de uma certa esquerda, se é que a expressão se aplica a esse contingente. Exemplos do encanto chavista se revelam nos encontros do Fórum Social Mundial ou, para tomar um exemplo recente, no apoio que o presidente venezuelano recebeu, no Brasil, de organizações como o PT, o MST e o PSOL diante da medida de cassação [da concessão] da rede de TV RCTV, numa demonstração de nítido desprezo pela liberdade de expressão.Neste texto, trato de me concentrar na biografia de Chávez e nos pontos mais relevantes de sua ideologia. A referência básica é o livro de dois jornalistas venezuelanos, Cristina Marcano e Alberto Barrera Tyszka, com o título "Hugo Chávez sem Uniforme - Uma História Pessoal" [ed. Gryphus]. Publicado em 2004, sem o conhecimento, portanto, das novas e mais profundas escaladas chavistas, a análise dos autores mantém, entretanto, a atualidade.Chávez nasceu num povoado, Sabaneta de Barinas, nos "llanos" venezuelanos [planícies do norte e noroeste do país], filho de um modesto professor, sendo o segundo entre seis irmãos.A condição social e a proveniência geográfica lhe permitiram construir um imaginoso mito de origem, ao qual se refere com freqüência em suas falas, recordando a vida simples, as histórias de infância, as músicas da cidade natal. Consta que Sabaneta de Barinas, fundada antes de Caracas, foi um centro dramático das guerras da Independência, a ponto de sua população de 10 mil habitantes ter-se reduzido apenas a 600 pessoas no fim dos conflitos. A opção do presidente venezuelano pela carreira militar não representou necessariamente uma vocação, mas uma das poucas alternativas abertas para um jovem de sua origem.A socialização nesse âmbito, as amizades e lealdades que aí forjou são importantes para entender o personagem que emergiu da obscuridade com a tentativa do golpe de abril de 1992.

Animal político
Seria, porém, insuficiente querer explicar a figura de Chávez apenas pela formação militar. No livro citado, Barrera e Marcano acentuam que, acima de tudo,Chávez é um "animal político", dotado de uma grande intuição, de um grande olfato. Nesse ponto, é preciso qualificar melhor.Sem dúvida, Chávez vive e respira política, mas seu olfato e sua intuição cedem muitas vezes lugar a uma agressividade sem limites, que só lhe cria problemas.Os exemplos são muitos. O mais recente é o das ofensas dirigidas ao Senado brasileiro -que pode ser tudo, menos "papagaio de Washington"-, forçando o presidente Lula a demonstrar desagrado e um distanciamento mais nítido do companheiro de tempos atrás. Guardadas as diferenças, Chávez lembra os generais nacionalistas convictamente autoritários, inimigos da velha oligarquia, que vicejaram na América Latina. Não é ocasional sua admiração pelo general Velasco Alvarado, presidente do chamado "Governo Revolucionário das Forças Armadas do Peru" (1968-75), resultante de um golpe militar.

Revolta bolivariana
Proveniente de uma família humilde, Velasco Alvarado esteve à frente de um governo reformista autoritário, que nacionalizou a indústria petrolífera peruana e promoveu uma reforma agrária. Chávez, a princípio, foi influenciado também por ex-guerrilheiros de proa, como Douglas Bravo e Teodoro Petkoff, antes de chegar ao poder. Entretanto, tanto Bravo quanto Petkoff romperam com ele por razões políticas, e este último está hoje no campo da oposição democrática esclarecida, como político e jornalista.O presidente venezuelano, inegavelmente, tem o talento de recorrer ao passado ao construir sua imagem de líder incontrastável. Antes de chegar ao poder, escreveu um livro intitulado "El Libro Azul - El Árbol de Tres Raíces", em que define seu Movimento Revolucionário Bolivariano como "um modelo ideológico autóctone, enraizado no que há de mais profundo de nossa origem e no subconsciente do ser nacional".As três raízes do título referem-se a Bolívar [1783-1830], em primeiríssimo lugar, depois a Ezequiel Zamora, líder em meados do século 19 de uma insurreição camponesa, e a Pedro Pérez Delgado, bisavô de Chávez, mais conhecido como "Maisanta", tido como um combatente guerrilheiro contra a ditadura de Juan Vicente Gómez nos primeiros anos do século 20.Mas é Simón Bolívar o grande personagem do panteão de Chávez, que, como se sabe, mudou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela.Com o culto a Bolívar, Chávez magnifica uma tradição patriótica, centrada na figura do "pai da pátria", herói das guerras da Independência latino-americana.A Venezuela não é um país que tenha uma enraizada cultura política democrática ou mesmo liberal. Entre 1830 e 1958, o país foi governado por civis durante nove anos apenas.Só a partir dessa data se abriu um período democrático, que resultou numa sucessão de presidentes regularmente eleitos, associados, porém, com algumas exceções, a uma calamitosa corrupção. Esse quadro, acrescido da crise econômica, acabou por desmoralizar a democracia e abrir caminho para o golpismo "purificador".Esses antecedentes explicam o fato de que o golpe militar de abril de 1992, liderado por Chávez, tenha fracassado, mas não tenha sido derrotado. Desde os primeiros dias de uma prisão que duraria menos de dois anos, ele se tornou um personagem admirado por amplas camadas da população -e não apenas pelas classes populares. Seu acesso à televisão, já preso, pouco após o golpe, revelou ao grande público os traços de um personagem decidido, dotado de um imenso poder de comunicação.Num cenário sociopolítico de massas, que caracteriza os pleitos eleitorais, que torna cada vez mais indispensável a capacidade de se comunicar com o grande público, Chávez utiliza seus dotes com maestria.Em toda a América Latina, os mais pobres parecem estar cansados dos discursos bem articulados, mas que transpiram uma distância entre o governante e a massa popular.

Apelo popular
Tal como o presidente Lula, Chávez sabe muito bem disso. Deixa de lado discursos escritos, opta por falar de improviso -embora seja possível que o "improviso" já venha decorado-, diz disparates ou lança ameaças que seus seguidores acolhem com entusiasmo.O traço principal da fala de Chávez é a confrontação. Nessa linha, investe contra o "Grande Satã do Norte", no melhor estilo islamista, ofende o presidente [dos EUA, George W.] Bush com os epítetos mais grosseiros.A paciência de Bush -diga-se de passagem- não deriva da caridade cristã, mas principalmente do fato de que o presidente venezuelano vem cumprindo os contratos de fornecimento de petróleo aos EUA.No plano interno, Chávez refere-se com o maior desprezo aos privilegiados, entre os quais não se incluem, entretanto, os fíéis "boliburgueses" [adeptos abastados da "revolução bolivariana"] que vicejam à sua sombra, promovendo toda sorte de negócios.Contando com um grande apoio ao alcançar o poder nas eleições de 98, alienou a classe média e boa parte das elites, por adotar a linha de confrontação e escalar no rumo da implantação de um regime autoritário.É forçoso convir, ao mesmo tempo, que a oposição facilitou em muito seu caminho, com seus preconceitos arraigados e, mais ainda, com suas ações desastrosas. Para ficar num só exemplo, a fracassada tentativa de golpe antichavista de abril de 2002 manchou as supostas credenciais democráticas de certos opositores, provenientes de círculos empresariais e de setores militares.A íntima relação entre a figura de Chávez e as grandes massas não é feita apenas de palavras, embora as palavras sejam muito mais do que simples fumaça que se esgota no ar.A rede assistencial constituída pelas chamadas "misiones" [programas de saúde, alfabetização etc.] nada tem de desprezível, combinando o auxílio, sob variadas formas, às camadas mais pobres da população, com a constituição de uma poderosa rede de fiéis seguidores.Como em outras partes, também aí a lógica dos benefícios materiais se combina com a lógica simbólica.Até que ponto o fenômeno Chávez vai perdurar? Embora tenha substituído Fidel Castro no panteão dos heróis vivos, Hugo Chávez não é Castro. Os tempos são outros, e a Guerra Fria, pelo menos tal como se definia no passado, se foi.

Revolução exportada
Na política externa, ainda que algumas vezes chegue a falar em transformações de efeito planetário, Chávez busca construir uma hegemonia na América Latina pela via dos favores que o petróleo permite, pela construção de uma entidade exótica, a chamada Alba -Alternativa Bolivariana para as Américas-, por propostas que vão desde a formação de uma rede de TV continental, para opor-se à ideologia imperialista, até a construção de um grandioso gasoduto, cortando a América Latina de norte a sul.Mas seu ímpeto político -a "exportação da revolução" de outrora, transformada na tentativa de intervir na política interna em países do continente- tem provocado mais resistências do que apoios, como se viu no caso do Peru, do México, do Brasil e do Chile, no governo socialista do presidente Ricardo Lagos.É claro que um fator desencadeante do declínio de Chávez seria uma queda vertiginosa dos preços do petróleo -hipótese, porém, bastante remota.Melhor será apontar os pontos mais frágeis de seu governo, como a inflação, o elevado grau de corrupção -que ele mesmo admite e diz combater-, o estado de abandono da infra-estrutura material do país, a crise de gêneros alimentícios.Se todos esses fatores combinados têm influência, o mais importante me parece ser o baixo índice de coesão social.A Venezuela é hoje um país dividido ao meio, e uma nova oposição democrática parece desenhar-se, superando, na medida do possível, os erros do passado.Em poucas palavras, os propósitos de Chávez de se reeleger indefinidamente, quem sabe até 2021, devem frustrar-se bem antes do que alguns imaginam.

BORIS FAUSTO é historiador e preside o conselho acadêmico do Gacint (Grupo de Conjuntura Internacional), da USP. É autor de "A Revolução de 1930" (Companhia das Letras). Ele escreve mensalmente na seção "Autores", do Mais!.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Brasil pós-crise

Ontem, assistindo ao programa canal livre, da band, tive a oportunidade de observar um debate de alto nível sobre a economia do Brasil e o aniversário de um ano da crise mundial. Na oportunidade, também foi ao ar uma entrevista com o Pres. Lula para a BBC, que será exibida na Inglaterra. É incrivel como nós nos saímos bem. É consenso entre os analistas que, se esta crise tivesse se passado há dez anos, o Brasil teria ido para o espaço. No entanto, hoje, já se fala em crescimento acumulado de 2% para a economia este ano. Neste trimestre nós já saímos da recessão e, conforme notícia publicada logo abaixo, estamos voando a quase 2%. Isso é incrível se você observar que economias maiores terão recessão. Mais incrível, ainda, se nos lembrarmos que houve quem dissesse que nós fecharíamos 2009 em recessão de 1%. Para 2010 os prognósticos são os melhores possíveis: crescimento de 5%. Para 2011, há quem fale em 6% e, se não houver nenhum outro cataclisma mundial, vamos conhecer anos a fio de forte e sustentado crescimento econômico. Quem sabe não alcancemos 7%, seria ótimo. Mais emprego, mais renda, menos pobreza. É preciso, antes, resolvermos os gargalos que nos impedem de crescer. A carga tributária é muito alta, os juros praticados sufocam o investimento e o consumo, a infra-estrutura deficitária desanima qualquer investidor. É preciso buscarmos marcos regulatórios claros e concisos, para isso, o Senado tem que deixar de nos envergonhar e começar a trabalhar.
Em meio a tudo isso, temos que trazer para a agenda debates sobre os velhos temas de saúde, educação e segurança pública. A população tem que sentir no cotidiano a melhora dos indicadores econômicos do país, caso contrário, não fará sentido algum.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Com quem deve ficar os recursos do Pré-sal? Estados ou União?

Tenho sido, ultimamente, instado sobre essa questão da partilha dos recursos do pré-sal. Há grande questionamento sobre se o dinheiro deveria ir para o estado produtor ou para todos os demais. O fato é que, claro, os estados produtores têm que ter retorno econômico daquilo que se explora em sua área geográfica, claro. Não fosse assim, eu seria contra aos roaylties que a petrobras paga ao RN e a Mossoró. No entanto, há de se observar que as reservas só foram encontradas por que a petrobras tem uma das tecnologias de prospecção em áreas oceânicas mais avançadas do mundo. De quem é essa tecnologia? De São Paulo, Sta Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro? Por óbvio que não. O 'know-how' é do Brasil, desenvolvido com recursos brasileiros e por brasileiros de todos os estados. Além da prospecção, haverá anos de investimentos para se encontrar uma melhor tecnologia de exploração, que potencialize os ganhos e minimize os gastos. A petrobras, com certeza, fará isso muito bem, mas o fará com recursos da capitalização que a União (Governo Federal) irá fazer na empresa.
Isto posto, penso restar claro a minha posição: Os estados têm direito a um retorno econômico do que é explorado em sua área geográfica, como já disse, mas a União tem que, também, ter parte nos recursos. Minha opinião é esta não por que eu sou fã do centralismo administrativo do Brasil, mas, sim, por que os recursos do pré-sal devem trazer retorno para todo o país e não só para os estados produtores.

PIB do Brasil cresce 1,9% no 2º trimestre, e país sai da recessão

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro. Com isso, o país pôs fim a um ciclo usualmente chamado de "recessão técnica" - caracterizada pela queda do PIB por dois trimestres seguidos. Não significa que a economia já tenha se recuperado da crise, mas sim que se encerrou um momento de retração.
Recessão ocorre quando a atividade econômica (produção, consumo, emprego) está em baixa. A crise econômica global está causando recessão em diversos países do mundo, inclusive nos ricos. No primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira havia caído 0,8%, logo após uma queda de 3,6% observada no quarto trimestre de 2008.
A notícia de que o Brasil saiu da recessão já era esperada pelo mercado, pois o governo já dava sinais de otimismo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na semana passada que o crescimento do PIB seria de 1,8% a 2% entre abril e junho e também afirmou que em julho e agosto o país deu um salto na atividade econômica motivado pela produção industrial, que voltou a expandir-se, e pelas medidas de incentivo ao consumo.
Segundo pesquisa com 25 economistas feita pela Reuters, a expectativa era que o PIB crescesse 1,6% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas mostrasse queda de 1,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Componentes do PIB
No segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,1%, enquanto os gastos do governo caíram 0,1%. A formação bruta de capital fixo, ou investimento, permaneceu estável, sem variação. As exportações cresceram 14,1% e as importações subiram 1,5%.
Comparado com igual período de 2008, apenas o setor se serviços apresentou crescimento, de 2,4%. A indústria teve queda de 7,9% e a agropecuária registrou perda de 4,2%.
O consumo das famílias cresceu 3,2%, a 23ª expansão neste tipo de comparação. Segundo o IBGE, contribuiu para este resultado a alta de 3,3% no rendimento real dos salários no segundo trimestre de 2009. Ainda, as operações de crédito para pessoa física cresceram 20,3% no período.
O gasto do governo expandiu-se 2,2%, mas o investimento recuou 17%, a maior queda desde o início da série, em 1996. A redução é explicada pela redução na produção interna de máquinas e equipamentos.
As exportações caíram 11,4% e as importações decresceram 16,5%.

Previsões
Para o fim do ano, o mercado espera, segundo boletim Focus divulgado pelo Banco Central, que o PIB brasileiro termine com queda de 0,16%. Para 2010, a previsão é bem mais positiva, de expansão de 4%.
Mais otimista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera uma expansão de 5% para a economia brasileira no ano que vem, impulsionada pelo aumento do emprego no país.

PIB no mundo
O Brasil é um dos poucos países que conseguiram sair rapidamente da recessão. Entre os resultados que já foram divulgados, o PIB do Canadá caiu 3,2% no 2º trimestre, o PIB dos EUA recuou 1%, o PIB espanhol desceu 1,1% (somando 4 trimestres consecutivos de baixa) e o PIB da zona do euro caiu 0,1%.
Por outro lado, no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) de Japão, Alemanha e França voltou a subir no período de abril a junho, 0,6%, 0,3% e 0,3%, respectivamente, fato que marca o fim da recessão. Os três países são, nesta ordem, a segunda, a quarta e a quinta maiores economias do mundo.

Jornais argentinos falam em 'corrida armamentista' após acordo Brasil-França

bbc Brasil
.
O acordo militar entre o Brasil e a França que envolve a compra de cinco submarinos e 50 helicópteros, além das negociações para a aquisição de 36 aviões de combate, é um dos principais assuntos da mídia argentina nesta terça-feira.

"Corrida armamentista. Brasil também planeja comprar fragatas, corvetas e mísseis. Assim, o Brasil teria a maior força naval da América Latina", escreveu o jornal Clarín, na manchete da editoria de internacional.

O jornal La Nación publicou reportagem na mesma linha.

"Corrida armamentista regional. Uma nova compra reforça a aliança de Lula e Sarkozy. Brasil negocia a fabricação de caças franceses para vendê-los na América Latina".

Por sua vez, o Página 12 afirmou que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, voltou a Paris "de malas cheias". Uma referência ao anúncio de que o Brasil comprará aviões caças Rafale, da empresa francesa Dassault.

Na segunda-feira, dia da assinatura dos acordos em Brasília, o pacto militar também foi um dos principais assuntos das emissoras de rádio e de televisão do país.

"Acordo militar histórico entre Brasil e França", disse o canal de notícias C5N. "Brasil assina acordo que supera gastos da Venezuela e da Colômbia", informou a TV América.

Em um artigo publicado nesta terça-feira no Clarín, o analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, diz que o acordo confirma que o Brasil é um país "com vocação de poder" e o "único da América do Sul que tem vocação de ator global".

Procuradas pela BBC Brasil, autoridades do governo da presidente Cristina Kirchner preferiram não comentar o entendimento entre Brasil e França. Também não foram realizados comentários públicos do governo sobre os acordos.

Impacto
Analistas internacionais ouvidos pela BBC Brasil disseram que esta aproximação na área militar e estratégica entre Brasil e França terá "impacto significativo" na América do Sul.

O professor de Relações Internacionais da Universidade San Andrés, de Buenos Aires, Juan Gabriel Tokatlian, afirmou que o "acordo militar é o mais amplo na América do Sul nas últimas quatro décadas".

"Seu efeito e impacto serão significativos. É o fim do que alguma vez foi uma relação militar privilegiada entre Brasil e Estados Unidos. Isso não significa nenhum tipo de tensão entre Brasília e Washington, mas a confirmação de que o Brasil procurará uma política crescente de autonomia militar", diz Tokatlian.

Na opinião do analista, o Brasil deverá ser "muito responsável" com esse acordo, especialmente em relação à Argentina.

"Os acordos de defesa e nucleares entre Argentina e Brasil, de fevereiro de 2008, de muita importância para o governo argentino, terão um teste com este compromisso francês-brasileiro", diz Tokatlian.

Para ele, ou o Brasil deseja "legitimar" seu poder (militar) e contribuir para que seus vizinhos, especialmente a Argentina, se "sintam seguros" e "beneficiados com esse acordo", ou o Brasil escolheu "o caminho da autonomia militar individual".
.
Potência
Para outro analista do setor, Jorge Battaglino, professor da Universidade Di Tella, apesar deste pacto superar as compras realizadas pela Venezuela e pela Colômbia no setor de armamentos, "não há motivos para preocupação".

Segundo Battaglino, o equipamento militar brasileiro precisa de uma atualização e as aquisições do Brasil junto à França fazem parte "de um maior protagonismo global do Brasil e a crescente autodefinição do país como potência emergente".

Battaglino afirmou que, em sua opinião, o Brasil está ampliando seu setor de defesa não por se sentir ameaçado por algum inimigo, mas para proteger seus recursos naturais e atualizar o papel de suas Forças Armadas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Próximas postagens

As próximas postagens já estão prontas, mas irei colocando-as aqui gradativamente. A pedidos fiz uma análise sobre o governo Obama e sobre o Senado. Depois, seguindo, ainda, os grandes eventos desta e da última semanas, vou discutir a questão da transferência de tecnologia militar da França para o Brasil e vamos ver como é que fica o cenário aqui na América do Sul. Os jornais venezuelanos e argentinos não noticiam outra coisa. Há quatro postagens e as publicarei até domingo (13/09/09).
Tenho estado muito feliz com a frequência de pessoas inteligentes que visitam este espaço. Aliás, não só feliz como lisonjeado. De acordo as medições, desde agosto nós não temos menos de 09 visitas num dia, chegando num ápice de 37 visitas diárias. As pessoas permanecem em média 7 minutos no blog, o que significa que realmente leem o seu conteúdo. Isso é muito bom. Farei o máximo, para, na medida do meu tempo, mantê-lo sempre atualizado. Divulguem este espaço e venha para a discussão, só temos todos a crescer.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Embaixador: Caças qualificam Brasil como potência

Notícias Terra
.
Os 36 caças Rafale que o Brasil vai comprar da França, além de helicópteros, cargueiros, submarinos convencionais e tecnologia para fabricação de modelo nuclear, não é gasto excessivo, diz o ex-embaixador do Brasil na França, Marcos Azambuja. É, completa, o necessário para que o poder militar nacional seja compatível com o tipo de país que o Brasil já é e quer ser: uma potência mundial.

"O Brasil não se faz ameaçador, ele apenas não se torna mais um país militarmente inexistente", considera o ex-embaixador, que além de Paris, atuou na Argentina. Tornando-se a maior potência bélica da América Latina, com a aquisição dos novos equipamentos, o país não dispara uma corrida armamentista no continente, analisa Azambuja na entrevista que se segue.

Azambuja é membro da Comissão de Armas de Destruição em Massa, integra o Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). É Presidente da Fundação Casa França-Brasil. Foi Secretário-Geral do Itamaraty de 1990 a 1992, entre outros.

Terra Magazine - Compra dos caças franceses pelo Brasil é uma estratégia de aproximação dos dois países?
Ajuda, facilita, reforça o que já existe. Na verdade, o Brasil já comprou equipamento militar francês várias vezes. Os Mirage tão aí, os porta-aviões estão aí. É um reforço de uma relação que já é densa.

A relação tem se intensificado desde quando?
A França tem sido um parceiro que busca, primeiro, negócios com o Brasil que tem tecnologia a vender e depois, a trocar. De modo que tem vantagens importantes.

Vantagens para a própria França?
Para a própria França e para o Brasil. Vantagens competitivas. A França tem uma tradição de fornecer ao Brasil equipamento militar. Você sabe que nós temos uma fábrica de helicópteros que é essencialmente associada à França, à Eurocopter, a Helibras. Há toda uma tradição já que nessa hora se reforça.

Quais seriam as vantagens para o Brasil?
Primeiro, um grande país, que o Brasil é, tem que ter uma capacidade militar com credibilidade. Em outras palavras, não é um excesso, não é uma demasia, não é comprar o que não precisa, não é nada contra ninguém. Mas um grande país tem que ter uma capacidade militar crível. Em outras palavras, que tenha credibilidade, que imponha uma medida de respeito. O Brasil está, hoje, com um equipamento militar muito datado. Os nossos aviões de caça estão com 20 anos, 25 anos, 30 anos. Tudo em nós ficou muito envelhecido, de modo que é momento de fazer uma renovação e uma adaptação.

Certo...
O Brasil tem três ou quatro interesses. Primeiro cada vez mais com o petróleo offshore, não só o pré-sal, é uma grande reserva, um grande patrimônio a ser preservado. Tem todo problema amazônico, com a imensa extensão que aquilo tem. Teria a sua qualificação hoje para ser um membro do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) um país que quer jogar no primeiro time, e para jogar no primeiro time, tem que ter uma certa qualificação militar. Por tanto, essas compras nos dão isso.

O presidente Lula diz que a França tem disposição em transferir tecnologia para a fabricação de aviões passar a ocorrer em território nacional. Por que a França teria essa disposição? O que presidente quer dizer com isso?
A transferência de tecnologia tem que ver nos termos específicos do acordo para ver o que é que nós receberemos. O que eu entendo é que nós compramos uma quantidade de aviões Rafale, que é um avião competitivo com os rivais, que eram suecos, russos e americanos. Entendo que vão comprar uma série de cargueiros que a Embraer vai desenvolver agora, o K-390, que é para substituir o velho C-130, um avião que já viveu sua vida-útil. O objetivo é criar entre nós e a França uma relação de ida e volta. Quer dizer, eles (franceses) vão comprar também aviões nossos, que nós vamos desenvolver agora. E tudo isso é bom.

É bom?
O Brasil não está gastando demais. O Brasil está se equipando para ter um poder militar compatível com o tipo de país que ele já é. O Brasil cada vez mais busca ser visto como uma potência de presença regional e mundial e isso vem acompanhado de certa necessidade de equipamento.

Em relação aos outros países da América Latina, o Brasil vai se tornar a maior potência bélica.
Isso é natural. Nós somos a maior potência demográfica, a maior potência territorial, a maior potência econômica, a maior potência tecnológica. Então é natural que haja uma simetria e, também na área militar, o Brasil tenha uma capacitação compatível com sua estatura em outras dimensões. E por tanto o Brasil não será um anão armado, será um gigante com armas adequadas à sua defesa. Uma coisa que é importante que se diga: o Brasil não se capacita contra ninguém. A qualificação militar é para o Brasil ter condições gerais de tranquilidade e de segurança.

Pode-se dizer que está havendo uma corrida armamentista na América Latina?
Eu não qualificaria como corrida armamentista. A Venezuela fez investimentos grandes, importantes, esses sim muito superiores ao que a Venezuela é em termos de potência regional. O que eu queria acentuar é isso: a Venezuela gastou proporcionalmente muito mais do que o Brasil está gastando. O Brasil está apenas renovando aquilo que envelheceu, não criando novas categorias de armas. Os aviões Mirage, F-5 que nós temos, tem 25, 30 anos, esgotou-se sua vida útil. Nós temos de renová-los. A corrida armamentista é quando você amplia uma capacitação, passa a ter mais. Nós estamos apenas substituindo o velho pelo novo. O Brasil pretende também ter um submarino com propulsão nuclear, e através dessa compra, ele renova sua frota de submarinos e aprende a fazer os submarinos que terão a propulsão nuclear.

A despeito da proporcionalidade a que o senhor se refere, a empreitada do Brasil não pode reforçar a visão de que o país seja imperialista?
O imperialista tem que ter objetivos, focos. O Brasil, você sabe, não tem objetivos territoriais, não tem objetivos estratégicos. O Brasil não procura obter nem o carvão de um, nem o petróleo de outro. O Brasil apenas está se dotando de uma capacitação militar crível. Você não pode ter um poder militar tão leve, tão gasto, tão ultrapassado que não seja objeto de uma consideração respeitosa pelos demais. O Brasil não se faz ameaçador, ele apenas não se torna mais um país militarmente inexistente. A nossa capacitação não se volta contra ninguém, nem tem objetivo agressivo com relação a ninguém. Isso é apenas para que um país que ocupa mais de metade de um continente, que é uma grande potência mundial, que já um dos Bric tenha um poder militar mínimo - é mínimo para a região, são trinta e poucos aviões - não é nada fora de proporção com a nossa escala.

Não há risco de interpretação equivocada de países do continente?
Você não pode garantir, a interpretação dos outros é direito dos outros. É improvável que seja assim. O Brasil não fez compras tão importantes que sugira que ele queira agredir. Nós compramos não serve para invadir ninguém. Não é uma força militar ameaçadora, nem voltada contra ninguém, apenas gera maior respeito pelo Brasil e uma percepção de que o país não pode ser um gigante econômico, um gigante agropecuário, um gigante de minerais e ser um anão militar. Isso não existe. A Argentina não verá isso como uma ameaça a ela, nem é. Ninguém mais. A própria Venezuela eu creio que verá que o presidente está comprando equipamento em escala muito menor, dado o tamanho da nossa economia, que o que ela fez ao país. No caso da Venezuela, há compras que vão bem além do que o que seria normal para um país daquele porte. No nosso caso, não. O Brasil continuará um país com gastos muito reduzidos. Não pensa que com isso nós viramos um gigante militar. Apenas passa a ser um país com algum tipo de equipamento que permita falar com autoridade.

O presidente Lula e o presidente Nicolas Sarkozy intensificaram relações, como o senhor diz. Eles têm uma empatia que pode explicar?
Têm. Uma empatia herdada também. Porque você sabe que havia uma relação muito boa também entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e o presidente (Jacques) Chirac, o que criou entre o presidente Sarkozy e o Lula. Entre Brasil e França, há uma relação naturalmente próxima. Pelas raízes comuns de latinidade, de convergência de ideias políticas - nós somos dois países social-democratas. Há uma aproximação que deriva um pouco da história - houve missão militar francesa no Brasil nos anos 1920. Há uma bela e boa tradição de entendimento. Então quando é para o Brasil comprar alguma coisa, o Brasil olha para a França com uma certa naturalidade.
.
Minha opinião
Concordo em muito do que disse o embaixado Azambuja. Nós aqui no Brasil temos que ter pensamentos compatíveis com as nossas possibilidades, ou seja, grandes. Não dá pra vivermos eternatamente esquecidos e irrevelantes no jogo de poder do mundo. Temos que chegar e dizer: "Ei, seja lá qual for a decisão que o mundo tomar, eu vou opinar". Aliás, não só opinar como, também, influenciar. Basta que nós observemos os últimos acontecimentos para ver que esta já é uma realidade plausível. Somos um gigante econômico e temos que, também, ser um gigante geopolítico.
Ademais, vocês, claro, não são inocentes ao ponto de acreditar que o resto do mundo olha para nós com compaixão e caridade, não é? Não estão todos mortos de apaixonados pelo nosso samba ou pelos olhos do Presidente, garanto-lhes. Claro que todos estão de olho na Amazônia - já não é de hoje -, nos nossos aquíferos - já ouviram falar de um tal "aquífero guarani"? Por acaso ele é o maior do mundo - e, logicamente, nas imensas reservas de petróleo do pré-sal. Minha gente, nós somos, tranquilamente, um dos países do mundo que tem as maiores possibilidades de crescimento atualmente. Temos, então, que cuidar de nossas riquezas. Não temos que agredir ninguém, nossa Constituição até proíbe, mas temos que ser um país que, num determinado momento, quando preciso, tenha a força e a imponência suficientes para dizer "não!". Temos que ser um país que se respeita e é respeitado.
Temos, também, que cuidar do nosso sofrido povo, mas uma coisa não exclui a outra e esses quase 30 bilhões de reais que foram gastos nessa compra não são nada perto de um orçamento anual de quase 1 trilhão. Há, no Brasil, dinheiro mais do quê suficiente para investir na defesa, na tecnolgia, na saúde, na educação, no combate à pobreza e busca pela melhoria geral da qualidade de vida dos brasileiros. Se isso não acontece é por outros motivos. Temos nós que tomar conhecimento dessas coisas e passar a cobrar ações fortes e claras no sentido de buscar resolver as nossas grandes questões. Somos um belíssimo país com um belíssimo futuro pela frente, só nós, com a nossa irritante e histórica vocação para a pobreza, poderemos evitar isso. Eu, sinceramente, espero que não evitemos, espero, sim, que contribuamos para o crescimento do nosso país.s
Vocês me descupem a empolgação, mas falar do Brasil é apaixonante. Amo este país.
Viva ao 7 de setembro!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Um pouco mais sobre o pré-sal e os prognósticos

Como as pessoas que visitam esse blog são leitores atentos, com certeza já leram muito sobre a discussão do pré-sal que a hora se trava por todos os espaços mais politizados do país. Trata-se de um assunto da mais alta relevância que nós não podemos ignorar.
O projeto do governo federal aconteceu mais ou menos como eu já esperava, como já se dizia que ia ser. A grande discussão que se fazia era sobre qual seria o papel da petrobras, uma vez que o governo tinha a pretensão de criar a petro-sal. Parece-me que os ministros acharam um meio termo: Deram à petrobras o monopólio de, pelo menos, 30% de cada um dos novos poços a serem explorados. À nova empresa caberá administrar as reservas, ser algo como uma reguladora. Dessa forma, ela não explorará diretamente, mas criará os marcos legais de como a exploração deve se proceder. Os recursos advindos desta imensa riqueza deverão ser destinados à ciência, tecnologia, infra-estrutura e combate à pobreza.
Se tudo correr como se espera, nós poderemos dar um grande salto de qualidade. Essa é uma grande oportunidade que temos de transformar uma das tantas riquezas naturais que temos em, efetivamente, riqueza social, ou seja, melhorar a qualidade de vida do nosso povo.
Hoje é 7 de setembro, dia de nossa independência. Orgulho-me muito do Brasil e de tudo o que ele representa. Somos um belíssimo país com grande futuro pela frente. Depende apenas de nós.
Um abraço a todos.