sexta-feira, 29 de maio de 2009

O caso da Coreia do Norte

Há certas coisas que, quando acontecem, nos enchem de dúvida e inquietação. Talvez seja por que cheiram a ilucidez e a irracionalidade. Não lhes parece insensato, no mínimo, um país pobre, com graves problemas sociais, atrasado econômica e tecnologicamente, de repente, anunciar ao mundo que detém armas nucleares e que destina cerca de 40% do seu minúsculo e inexpressivo PIB para a manutenção de um impotente exército? Mais ilógico ainda é se você parar pra pensar que se trata de um país totalmente irrelevante e que não tem nenhum grande patrimônio natural a proteger.
Incrível! Tudo o que a Coreia está fazendo só tem mesmo o fim de causar perturbações geopolíticas, ou, como eu digo sempre em minhas aulas, chamar a atenção para si.
A insensatez humana não para de nos dar provas de que ela pode ser cada vez maior. O ditador coreano de nome impronunciável é mesmo excêntrico: Já anunciou claramente que, se alguma atitude for tomada contra o seu país, ele tomará uma ação "forte" e a altura da agressão. De repente, me pergunto como seria essa resposta. Seria um ataque nuclear ao Japão ou à Coreia do Sul? Como os EUA reagiriam em meio a este cenário? Nunca é demais lembrar que vivenciamos uma crise econômica sem precedentes na história recente e de que qualquer gasto militar, nesse momento, não é nada bem vindo a ninguém, sobretudo ao epicentro da crise, os EUA. Além disso, este é um momento em que o Presidente Obama tem procurado mais o diálogo e menos a agressão - bem diferente de seu antecessor - e que a Coreia, com as suas infantilidades bélicas, está provocando uma reação que ele - Obama -, pelo menos aparentemente, não queria ter.
Assistindo a tudo de camarote está a China: Doida para ver o circo pegar fogo - leia-se: um desentemendimento militar entre a Coreia e o Japão - e assumindo a posição histórica de defensora incondicional do seu vizinho coreano mais pobre. O quadro está pintado para a indefinição. Os próximos dias serão fundamentais para o desenrolar do caso e a nós só nos cabe torcer pela sensatez e esperar.

3 comentários:

  1. Olá raul, queria saber mesmo sobre essa caso da coréia do norte, sinceramente ainda não entendi o porque dessas armas nucleares e a quem eles querem atingir?. Se vc puder me responder ficarei grata... abraços

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  2. Raul, li, não lembro onde agora, que o fanfarrão norte-coreano quer apenas firmar-se como líder. Corre à boca-pequena por lá haver certa desconfiança dos mais antigos comunistas sobre sua liderança - daí o aumento do tom nos últimos meses.
    Ele tem plena consciência que é um mosquito diante do elefante norte-americano, embora China e Rússia tenham interesses geopolíticos na área e muito provavelmente entrariam na peleja.
    Segundo o artigo que li, a idéia é chamar atenção para si - qual você ressaltou - para conseguir ajuda humanitária, sobretudo alimentos.

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  3. Isso mesmo, Saulo. Regimes ditatoriais autocráticos como esse, têm esse tipo de comportamento, mesmo.

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