quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O movimento separatista no Brasil

Resolvi escrever esse artigo inspirado nos últimos acontecimentos ocorridos em Santa Catarina. Não farei aqui uma análise humanitária, nem tampouco irei fazer campanha para os donativos, isso é uma decisão de cada um, e eu já fiz o meu. Na verdade, o meu ponto aqui é analisar alguns acontecimentos inerentes a esse contexto. É público e notório que a região Sul do país abriga um sentimento separatista que, se comparado aos da Europa, é fraco e pequeno, mas se comparado aos das outras regiões brasileiras, é o maior. Há no orkut uma série de comunidades intituladas "O Sul é o meu país", "Santa Catarina Livre" ou "Rio Grande independente". Uma lida nos tópicos de algumas dessas comunidades é de dar náuseas. Há um forte sentimento neonazista baseado numa suposta superioridade racial e econômica. Nós aqui do Nordeste somos esculachados, vistos como miseráveis e causa da pobreza do país. Há também sentimentos separatistas fortes em São Paulo e até mesmo, em bem menor escala, no Amapá.

Muito bem, é sobre isso que tecerei alguns poucos comentários. Não lhes envergonha o fato de um país tão grande, bonito e diversificado como o nosso nutrir esse tipo de sentimento? Será que não é claro na cabeça de todos que nós só somos a sexta economia mundial pq somos um só? Pq somos o Brasil? Com todo respeito, não tenho vocação para morar em Bolívias, Perus e Paraguais da vida e seria justamente isso que nos tornaríamos se nos separássemos. Nem de longe teríamos a influência que temos. Nossa língua não seria a mais ensinada na América do Sul, nem tampouco haveria algum pentacampeão mundial. Seria uma verdadeira lástima, menos para os movimentos separatistas, por óbvio. Parece-me que eles não têm noção do processo histórico que construiu o nosso território e a nossa nação. Não há um só estado brasileiro que, sozinho, consiga se sobrepor aos desafios que o mundo atual nos impõe e uma prova disso é Santa Catarina que, acometido por uma tragédia, bateu às portas da nação pedindo ajuda, tal qual nós faríamos ou o Rio Grande do Sul, o Acre ou qualquer outro estado, faria. Nem mesmo São Paulo, estado que equivale a 30% do PIB nacional, seria o que é sem nós outros. Alguém aqui se lembra quando Getúlio Vargas torrou dinheiro da nação para comprar o café dos ricos produtores paulistas no intuito de evitar a quebradeira que a crise de 29 gerou? Pois é, o Brasil socorreu aos paulistas. Mas não é nem só isso. Veja esse mapa:

Ele representa as principais rodovias federais asfaltadas do país. De longe o Centro-Sul é mais contemplado, justamente pq as indústrias lá instaladas precisam de matéria-prima, mão-de-obra e mercado consumidor de outras regiões. O processo histórico de construção do nosso território pôs aquela região em evidência, concentrou recursos lá e a transformou no centro do país. Milton Santos dizia que todas as outras regiões são periferias dispostas ao enriquecimento do centro. Depois ainda se ouve pessoas do Centro-Sul dizer que eles sustentam todo o país e que por isso seria melhor se separarem. Idéia totalmente infundada e apartada da realidade histórico-geográfica. É só pensar que, por exemplo, nenhum grande investimento estrangeiro está sediado em São Paulo só por causa da potencialidade daquele estado isoladamente, está lá, sim, por causa da potencialidade das 27 unidades da federação juntas. E para estarem lá, é preciso que se invista na infra-estrutura paulista. Acaso o Porto de Santos e o futuro trem-bala - feitos com dinheiro federal - não são exemplos disso?

Ainda analisando o mapa, como disse certa vez uma aluna minha - Tâmara - quando eu usava esse mapa em uma aula, é como se a Região Norte não fosse parte do Brasil. É simplesmente uma porção de terra virgem, rica em todo o tipo de recurso natural que se pode imaginar, esperando para ser desenvolvida. Se nós não fizermos, outros virão e farão e aí sim haverá separatismo no Brasil, mas esse forçado. Seremos na verdade é espoliados, roubados, saqueados.

Muito bem, para não me alongar mais, encerro dizendo que não há de se falar em viabilidade das idéias separatistas no Brasil. Somos todos um só, para bem e para o mal. É melhor nós, como nação, começarmos a gastar o nosso tempo e energia para pensar em formas de fazer esse gigante crescer, desenvolver-se e melhorar a qualidade de vida de toda a sua população de norte a sul, de leste a o este.

Outro dia vi o Primeiro Ministro Português, Manoel Josué Durão Barroso, abrindo uma cúpula de líderes europeus reunidos com o objetivo de proporem saídas conjuntas para a atual crise financeira mundial. No final da reunião ele se saiu com aquela que pra mim foi a frase do ano: "Ou nadamos juntos ou morreremos todos afogados". Bem, se os europeus que já fizeram dezenas de guerras entre si, são etnicamente diferentes, falam línguas diferentes e nutrem rivalidades históricas milenares, estão chegando a esse consenso, pq nós que falamos uma língua só e somos um povo só, também não chegamos?

22 comentários:

  1. Muito interessante o assuntoo...
    muito bem feito o texto...
    muito bem argumentadoo...

    ta bom...Raul ta se achandOO..
    kkkkkkkkkkkkkkk

    Brincadeira..muito bom o textoo!

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  2. NemLy & NemLerey

    shueashea
    Zueira...

    Muito bom!

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  3. Muito bom Raul o seu texto!!!!!! Nada mais a falar...
    hehehehe

    Victor Lima

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  4. Faço minhas as sua palavras, mesmo porque jamais conseguiria expor meu pensamento tão bem assim. Parabéns!
    http://mdiversidades.blogspot.

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  5. Bom dia.

    Speratismo? Penso que isso é quase "balela". Discursos inflamados de extremistas da direita podem até divulgar alguma onda de separação nacional, mas isso tem uma possibilidade quase ínfima de acontecer (graças a Deus). Diante dos fatos relatados no artigo do professor Raul, seria até exaustivo eu elencar mais argumentos contra tal movimento. Declaro apenas mais uma garantia: caso alguma onda revolucinária dessas se manifestasse no país, não daria outra, intervenção federal na certa. Veríamos as Forças Armadas entrando em ação... Talvez por isso haja treinamentos de guerra com aviões, mesmo que causem acidentes e matem civis (...).

    Grande abraço.

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  6. hum...
    esses caudilhos... espero que essa tragédia em SC mude a forma de pensar desses neonazistas. sepatismo é "balela", como disse Ulisses. os laços entre os estados estão estreitando-se. globalização! não é mais como há 50 ou 60 anos. esse pensamento singular não levará a nada.

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  7. ops! só pra me indentificar. eu postei aí a cima.
    meu nome é igor.

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  8. Pobre Milton Santos, deve tá rolando de inveja no
    túmulo!!!!!
    Um texto desses é pra poucos...

    Parabéns!!

    PQ MEUS QUESTIONAMENTOS NÃO FICAM ASSIM!!!!
    :(

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  9. Muito bom conteúdo.

    Gostei Raul.

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  10. Bastante pertinente o assunto abordado. No mês em que SC mais sofria com a enchente eu entrei numa comunidade do orkut e uma pessoa de outra região fez um tópico questionando: "E agora, o sul é o meu país?". Achei o tópico muito oportunista, mas o que mais me impressionou foi que pessoas do sul continuavam com esse sentimento separatista idiota e afirmavam que se os locais atingidos fossem se recuperar sozinhos conseguiriam mais rápido do que com a ajuda de todo o Brasil. Mas como eram pessoas que estavam com acesso fácil à internet deduzimos que não sofriam com a enchente e por isso que ficavam falando besteiras em tópicos do orkut, lamentável. Enfim, só sabe quem sente na pele.

    Raíssa Paula

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  11. Adoro discutir com separatistas. É a única ocasião em que um idiota como eu consegue ganhar alguma discussão. Frente aos fatos e à realidade do país e do mundo, seus velhos e mofados argumentos desabam linda e estrondosamente. Morro de rir.
    Não obstante, defendo seus direitos de dizer o que pensam sempre. Lamentavelmente a lei não lhes permite fazẽ-lo de forma irrestrita.

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  12. Se o movimento separatista fosse algo tão ruim, então, não deveríamos nunca ter nos separado de Portugal.

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  13. mito bem comentado´´
    meus parabens esse comentario me ajudou muito!!!

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  14. adorei isso tudo que tu escreveu,brasil è somente um mesmo,no mundo de hoje individualismo nao è coisa boa mesmo,estamos todos grudados e juntos flutuando nesse mar,quem se separar morre afogado mesmo hehehehe,abracos a todos de um paranaense:-)

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  15. Os mesmos motivos que levaram o Sul tantas vezes a se manifestar em favor de sua autodeterminação, foram as causas de vários movimentos similares em outras partes do Brasil: Inconfidência Mineira (Minas Gerais – 1789), Confederação do Equador (Nordeste - 1824), Sabinada (Bahia – 1837-1838), Revolução Liberal (São Paulo – 1842), Revolução Constitucionalista (São Paulo - 1932), entre tantos outros. Até o Movimento de Zumbi dos Palmares pode ser enquadrado nessa categoria. É interessante observar que nenhum desses movimentos abrangeu o Brasil: todos eram regionais! Inclusive a antiga Província Cisplatina, que conseguiu heroicamente sua independência do Brasil, e hoje progride como a República Oriental do Uruguai.

    E, porque nada mudou daquelas épocas até hoje, porque continuamos sendo espoliados cultural e economicamente, hoje, estamos aqui novamente, netos e bisnetos, netas e bisnetas daqueles que lutaram pela autodeterminação sulista... Hoje estamos aqui, netos e bisnetos, netas e bisnetas daqueles imigrantes que nestas terras chegaram dispostos a construir seu futuro e o de seus descendentes.

    Não fomos os primeiros a exigir a autodeterminação e nem seremos os últimos. Hoje, nos diversos Brasis, vários movimentos lutam por esse direito: o Grupo de Estudos Nordeste Independente, Movimento São Paulo Independente, Liga de Defesa Paulista, Poder Paulista, Amazônia Independente, República Ianomâmi entre outros...

    Não estamos sozinhos. Isso demonstra que o poder brasiliense não se preocupa com as necessidades e com as particularidades das várias Nações que formam os Brasis. Isso demonstra que o poder brasiliense, instalado na ilha da fantasia do Planalto Central só se preocupa em manter seus privilégios, em enviar remessas milionárias de dinheiro para os paraísos fiscais, em proteger seus poucos privilegiados, que sugam recursos preciosos à maioria da população, que julgam as necessidades das diversidades regionais conforme sua visão tacanha, que se julgam donos do poder sem perceber que desafiam sua própria existência.

    Lembremos também que em 1915 existiam no mundo apenas 52 países. E hoje menos de cem anos depois, somos nada menos de 196 nações soberanas. E cabe também lembrar a citação de William B. Wood, geógrafo chefe do Departamento de Estado norte-americano: “nos próximos 25 a 30 anos, a lista de países existentes poderá aumentar em cinqüenta por cento ou mais”.

    Acho que antes de colocar, campeonato mundial, e o problema que aconteceu aqui em floripa. voce deveria ler, e se interessar mais o porque realmente dos objetivos da separação, que é muito maior do que estas pequenas preocupações que escreveste. Mesmo porque teve terremoto no Haiti, e o mundo inteiro se solidarizou.
    Mas respeito tua opinião.
    Igual vou deixar um pensamento do Martin Luther King "O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem etica. O que mais preocupa é o silênio dos bons".

    Grande Abraço
    Marcos

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  16. É, esse texto é o que, de longe, mais gerou discussão neste blog. Até hoje ele é muito lido e visitado. Só para constar que esse blog é democrático não apago nenhum recado que vá contra o que eu penso, tipo esse de Marcos. Todas as respostas ao que ele postou, já estão no texto. Respeito a opinião, na mesma medida em que lamento haver brasileiros que pensem assim.

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  17. Otimo Raul!!!
    Adorei...

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  18. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  19. O sul é meu país25 de abril de 2014 00:18

    Este texto é preconceituoso. Pessoas do movimento o sul é meu país não são nazistas, nem desdenhamos o nordeste, ou buscamos a independência por nos acharmos superiores. Buscamos a independência pois por décadas somos ultrajados e explorados pelo governo central de Brasilia. Somos a favor da livre determinação dos povos, e como povo sulista queremos seguir nosso caminho, independente...

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  20. Acho que você se esqueceu de algumas coisas: Primeiro, você mesmo afirma que a União Europeia possui movimentos separatistas fortes, mas esquece que estão ficando ainda mais fortes ao invés de fracos (em 2014 já se sabe muito bem disso!). Outra coisa, é que os movimentos separatistas sulistas contam com a maioria da população. Ainda, preciso lembrar que, independente do que vocês não sulistas pensam da nossa autonomia, esta é um direito nosso e cabe nós decidirmos, não a vocês. Portanto, deixe de ser fascista e respeite o nosso direito de autodeterminação! O Sul É Meu País!

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