sábado, 8 de novembro de 2008

A vitória de Obama e o mundo pós-Bush

A vitória de Obama empolgou a (quase) todos, sobretudo devido ao seu histórico simbolismo. É realmente incrível a chegada de um negro à Casa Branca. Isso por que a "América", terra da liberdade, parece por vezes não ter garantido a todos os seus cidadãos tanta liberdade assim, sobretudo àqueles com pele de cor mais escura - basta lembrarmos-nos das leis de segregação que eram muito parecidas com as do apartheid. Por si só a vitória de Obama é um fato único e o conteúdo do seu slogan de campanha "Yes, we can!" (Sim, nós podemos!) foi de fato muito apropriado.
Mas, sinceramente, essa discussão sobre o que essa eleição significou para dentro dos EUA, sinceramente, não me traz grande interesse. Eu sou brasileiro, um cidadão do mundo e a mim realmente interessa saber quais as repercussões que essa vitória trará a nós que não somos estadunidenses. Assim, antes de discutirmos o episódio Obama, em si, é de suma importância termos claro que ele receberá um legado trágico de seu antecessor, o querido Bush, que tem dado grande contribuição para atual ebulição geopolítica por qual o mundo passa, senão vejamos:

· Duas guerras com envolvimento direto dos EUA (Afeganistão e Iraque);
· Tensão internacional envolvendo Rússia, União Européia e os próprios EUA - é só lembrarmos o recente caso da Geórgia;
· Uma recente guerra Israel-Líbano com grande influência americana no resultado final;
· Os casos do Irã, da Venezuela e da Síria;
· Beiramos o colapso ambiental e os americanos – inclusive Obama - nem sinalizam da hipótese de assinarem Kyoto;
· Presenciamos o trágico esgotamento do mercado financeiro mundial, o que nos garante o prazer de sermos contemporâneos de uma das maiores crises do capitalismo.

Como então esperar que todos esses problemas se resolvam a partir da posse de Obama? Sinceramente, sou muito cético. O mundo pós-bush é cheio de sentimento antiamericano e desequilibrado economicamente: Os EUA estão à beira da recessão e têm um déficit público anual de mais de um trilhão de dólares. Decididamente teremos todos nós anos difíceis pela frente.

3 comentários:

  1. Acho que a eleição de Obama pode ser entendida a partir do voto pela renovação. O Branco do conservadorismo, do protestantismo não prosélito,do radicalismo, do imperialismo exarcebado, da cara pálida dos Heagen e Bush's da vida se contrasta com o negro dos excluídos, dos x-men's americanos, da oportunidade, da maleabilidade. Contudo,penso que as eleições na terra do Tio Sam levaram os americanos a pensar a disputa mais pelo viéis do saneamento dos gastos públicos, da guerra, da dívida, e consequentemente da esperança. No dia 4 de abril de 1968 morre as 18:01 o pastor Batista Luther King assassinado por um jovem branco. Perceber todo o contexto envolto dos quarenta anos atrás e correr o olho para o que significa a presença do Obama como presidente é olhar os EUA por um retrato falado onde as curvas, os traços, as medidas da rosticidade americana não está bem definida. COntudo, penso o Obama como um ressurgido ( Macolm-X, o próprio King). Para mim a escolha americana demonstra o voto da renovação, do romper com o tradicionalismo do republicanismo imperialista americano. Mas assim como o professor Raul postou em outro artigo, não podemos esquecer de que Obama é Americano. A renovação para eles. América deles. Para nós distantes de Deus e próximos dos EUA, Obama nada mais é do que uma interrogação.

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  2. Admito que logo que soube das apurações dos votos nos E.U.A. tive uma faísca de esperança... De primeio imaginei a Crise e o Protocolo de Kyoto: de que forma a crise iria se desenrolar a partir de Obama e se seria possível a assinatura do Protocolo. Me iludi inicialmente. Talvez tenho colocado fé demais... Mas o que me cabe agora é esperar, porque como Bruno diz: Obama nada mais é do que uma interrrogação!

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  3. Os comentários demonstram muitas precaução, acho que é isso que os sensatos devem fazer doravante, ser pacientes. Não é possível que Obama realize um milagre e mude o panorama mundial estadunidense da água para o vinho assim como fez Jesus nas escrituras. Os reflexos de seus posicionamentos e estratégia política serão sentidos paulatinamente, de acordo com o desabrochar de suas atitudes e, principalmente, contanto que ele consiga reverter gradualmente as mazelas herdadas do funesto período Bush. Obama representa esperança, Obama representa um "cano de escape", Obama poderá brevemente se tornar um "mito", caberá a ele decidir como irá querer entrar para a história: o homem que fez o mundo mudar o olhar sobre os EUA, ou o negro que frustrou (mais uma vez) as expectativas mundiais. Sinceramete, torço pela primeira possibilidade. Não gosto de julgar precocemente e torço para que as pessoas sejam honestas, desejo toda sensatez do mundo para esse homem que se tornou, no ano de 2008, o estadista mais poderoso do mundo.

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