terça-feira, 11 de novembro de 2008

O que faz de nós sermos brasileiros?

Que elementos estão presentes na construção da identidade nacional de um povo? A etnia? A língua? A política? Com certeza todos esses elementos estão presentes no processo, no entanto, a identificação nacional se constrói historicamente a partir não só dos traços mais substanciais como a religião, por exemplo, mas também a partir de pequenos traços e manifestações sociais como o futebol, a música e as danças típicas a exemplo do forró e da capoeira. Às vezes, algumas nações se firmam como uma negação a outra, sabiam? É o caso da Argentina. Um dos traços de identificação naquele país é o sentimento anti-Brasil, não só no futebol, mas também na economia. Tal sentimento às vezes é confuso. É como diz um famoso autor Argentino: “Os argentinos amam odiar o Brasil ou odeiam amá-lo?”. É, nossos povos servem como elemento de identificação cultural-nacional um para o outro, afinal, é muito bom ganhar da Argentina no futebol!
O Brasil é uma grande nação, de grande projeção internacional - menos do que merece e do que gostaríamos, é verdade. Só para citar um exemplo de nossa influência, a língua portuguesa, que não teve origem aqui, mas se reinventou por cá, é ensinada como segunda língua em escolas de alguns países aqui da América do Sul. Notadamente na Argentina. Estranho, não? Por falar em língua portuguesa, o Brasil é também um elemento de identificação cultural nas terras “d’além mar”, em Portugal. Novelas, filmes e músicas brasileiras são muito consumidos por lá. Talvez a nossa pátria irmã seja hoje o país que mais consome cultura brasileira. No dia de nossa independência, neste ano, o apresentador do principal telejornal português deu a seguinte notícia: “E hoje faz 508 anos da independência daquele que foi o maior investimento externo de Portugal: O Brasil, o nosso irmão”. Verdades históricas à parte vejam que o Brasil não foi tratado como uma ex-colônia, e sim como um “investimento externo” e “irmão”. Talvez ate pudesse nos chamar de “filho” - afinal, há quem diga que somos uma invenção de Portugal.
Com certeza ainda temos muito que melhorar. Talvez tenhamos de criar um projeto de longo prazo para a fundação de um país mais igualitário e justo. Nós brasileiros temos um papel fundamental na recriação desse nosso imponente país. Durante a época dos militares falava-se em fazer de nós uma potência. Pois bem, hoje, inegavelmente, somos uma importante potência econômica no contexto global. Somos a sexta maior economia do mundo – segundo o Banco Mundial-, metade de tudo no continente sul-americano, maior investidor externo do nosso subcontinente, 33% da economia da América Latina, exportador de aviões, lançador de satélites, 2ª maior potência agrícola do planeta e portador de uma das maiores populações conectadas à internet no mundo, aproximadamente 40 milhões de pessoas. É possível dizer que o Brasil é um país pobre? Não! Nós somos um país injusto, não pobre! Quiseram fazer de nós uma potência econômica, somos. Por que não agora querer fazer de nós uma nação justa e igualitária? Aí sim daremos razão para que um caboclo amazônico, um sertanejo nordestino, um boiadeiro do Centro-Oeste, um mineirinho, um malandro carioca, um paulista e um gaúcho digam: “Nós somos, orgulhosamente, brasileiros!”.

3 comentários:

  1. Brilhante exposição, Raul. Acho que não precisa nem serem postos os "pingos nos is" do que você falou, as idéias estão bem articuladas e evidenciam as mudanças conjunturais e estruturais pelas quais passou (e passa) nosso país. Gostaria de ressaltar somente esse tópico do sentimento argentino e brasileiro de oposição. Fico feliz que esse embate esteja cada vez mais sendo tangenciado apenas para o plano folclórico do futebol. É imprescindível que os populares percebam que somente a integração poderá beneficiar ambos os países. Com a conjuntura internacional da globalização, os laços comerciais com nosso país vizinho devem ser reforçados para que possamos, unidos, sermos cada vez mais atuantes na estrutura econômica mundial (olhem o MERCOSUL). Fora isso, sempre é bom guardar aquela velha rivalidadezinha com nossos "hermanos", hehehehe.

    Grande abraço.



    PS - Acho que já virei comentador assíduo do blog.

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  2. Eu não sabia que a rivalidade Argentina X Brasil ultrapassava os gramados. É bom saber que somos percebidos positivamente por outras nações.
    Muito bom seu texto, Raul. Realmente moramos num país rico, mas injusto. Por isso, cabe a cada um de nós procurarmos corrigir esse erro, um erro histórico, porém que não pode servir de justificatica pra determinados governantes não desempenharem seu verdadeiro papel.
    Delfim Netto, na época ministro, dizia que era preciso crescer pra dividir. Acredito que somos grandes, a sexta economia do mundo, a maior floresta em diversidade do mundo e um povo trabalhador; já está na hora de começar a dividir igualmente pra todos, não por questão de bondade e sim por questão de humanidade e direito. Sem falar que, podemos sim crescer e já dividindo o bolo que temos.

    PS tb heheheeheh- Eu já virei um leitor desse espaço aqui também, não dou sossego a Raul nem aqui. hehehehehe

    Victor Lima

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  3. Eu tentando fazer(responder, melhor dizendo) o questionamento e não consigo parar de ler o blog... se eu tirar nota baixa, vc me paga Raul!!!

    Realmente muito bom o seu blog!!!
    Não tanto como suas aulas...vcs precisam ver esse homem "mangando" de um "pobre metido a argentino" que tem lá na sala...cada surra que a Argentina leva!!!

    ahh...
    meu sonho é fazer uma redação sobre algum dos assuntos que Raul nos deu aula!!! Realmente, só não virou Expert nesses assuntos quem não se interessou!

    Obrigada, Raul... cada minuto de suas aulas valeram muito a pena!!!
    pS: Até aqueles que vc tava tirando onda com Gilberto ou com Alex e até aqueles que vc estava EXAGERANDO (se é que vcs me entendem)nas suas estórias...ah...estórias inesqueciveis!!!

    ;)

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