quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Comentários gerais sobre a prova de geografia da UFRN

Sobre as objetivas
Essa prova e as da Paraíba, às vezes, são um bom termômetro para sabermos o que poderá vir na UERN, muito embora, esse ano, digamos, a prova da UFRN tenha sido atípica. Não caiu nada do que costumava cair e caiu muito conteúdo que já há muito não era explorado. Por exemplo, em minhas aulas sempre disse que o vest da federal não exige muita geofísica. Esse ano exigiu. Foram 06 questões, metade da prova. Isso é coisa de UERN, não de UFRN. Muito bom para os alunos que já vinham se preparando pra UERN - e para os meus do cefet. Eles reclamam muito de geofísica, mas estariam preparados para responder às questões que caíram lá - tanto Brasil quanto geral.
Caiu ainda, na parte de geohumana, uma questão de África que, para ser respondida, bastava conhecimentos gerais e noções sobre localização espacial. Aliás, o mapa foi um instrumento muito utilizado nessa prova. É o que eu sempre digo: O mapa está para a geografia assim como as quatro operações estão para a matemática. Se alguém que está lendo esse blog ainda fazer vestibular - ou provas minhas, hehee - é bom ir logo providenciando um atlas e virar um expert sobre localizações geográficas.
No mais, não achei uma prova difícil. Achei uma prova meticulosa, ou seja, precisava de atenção na leitura. A surpresa foi, pela primeira vez em cinco anos, não cair nada sobre o Meio Técnico Científico Informacional. Fazia muito tempo que não via uma prova da UFRN sem questões sobre esse assunto. Caiu Europa, como sempre.
Para quem ainda vai fazer vest na UERN: Estude! A UFRN nos demonstrou que uma prova fora do esperado pode acontecer.
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Sobre as subjetivas
No geral foi uma prova boa, de fácil resolução. Caiu RN, urbanização do Brasil. Chamou-me a atenção sobre os tigres asiáticos, faz tempo que eles ficaram "fora de moda". Tem-se falado tanto em "BRICs" que faria mais sentido uma questão sobre eles. Senti falta de algo sobre a crise. Acho que isso é ainda possível de cair nos próximos vests.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

'Inteligência’ americana antevê o declínio dos EUA

Extraído do endereço:
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O governo americano divulgou nesta sexta (21) um documento que vale por um exame de consciência.

Redigiu-o o NIC (National Intelligence Council). Trata-se de entidade que coordena as agências de inteligência dos EUA.

O texto informa: nas próximas duas décadas, vai decair o poderio econômico, militar e político dos Estados Unidos no mundo.

O relatório chama-se Global Trends 2025 (Tendências Mundiais 2025). Documentos do gênero são redigidos sempre que há troca de comando na Casa Branca.

Neste último, prevê-se o seguinte:

1. A atual crise financeira marca o início de uma grande mudança na economia global;

2. Haverá transferência de renda do Ocidente para o Oriente;

3. O dólar vai definhar;

4. Os EUA continuarão sendo o país mais poderoso do mundo. Mas perderão parte de sua influência para países como China, Índia, Brasil e Irã.

5. Nos "próximos 20 anos de transição para um novo sistema estão cheios de riscos" para os EUA;

6. Até 2025, o mundo pode se tornar um lugar mais perigoso, com menos acesso das populações à comida e água.

7. Com novos pólos de poder, o mundo terá mais conflitos do que na época da Guerra Fria, marcada pela bipolaridade entre EUA e União Soviética.

8. O aquecimento global e a escassez de recursos naturais provocarão guerras no futuro;

9. A disseminação de armas nucleares também deve crescer. Estados vistos como "párias" e grupos terroristas terão acesso a artefatos nucleares;

10. Para a inteligência americana, a ação dos líderes globais será decisiva para os rumos do planeta.

Tudo considerado, os EUA parecem se dar conta de que vai chegando ao fim a fase em consideravam-se portadores de salvo-conduto para cumprir os desígnios de potência econômica e moral do Universo.
Em passado recente, costumava-se aceitar com passividade bovina a idéia de que eram movediças as fronteiras do interesse americano.

A nuvem de poeira que subiu do World Trade Center como que desenhou sobre o telhado da Casa Branca um temerário halo de divindade.
Imaginava-se que, depois de Pearl Harbor, ninguém jamais ousaria alvejar os EUA dentro de sua própria casa.

Os inimigos podiam até enfrentar os americanos nas inúmeras trincheiras que cavaram mundo afora. Os vietcongues chegaram mesmo a subjugá-los.

Mas a memória da retaliação atômica contra o Japão oferecia ao americano a utopia da segurança absoluta. Uma utopia que ruiu junto com as torres gêmeas do Trade Center.

Sob as ruínas do símbolo da pujança financeira dos EUA, escondia-se a principal novidade deste início do século 21: os conflitos já não eram movidos a ideologia.

Tampouco eram guiados apenas pelo interesse econômico. As guerras futuras oporiam civilizações.

De um lado, o Ocidente cristão e o seu fundamentalismo financeiro. Do outro, o indecifrável Oriente islâmico e o seu fundamentalismo maometano.
Agora, o cheiro acre dos cadáveres americanos vindos do Iraque e a ruína de Wall Street conduzem o establishment do império à fase de reflexão.
Bom, muito bom, ótimo. Se impõe riscos aos EUA, essa perspectiva de um mundo multipolar abre uma avenida de oportunidades para outros países. Inclusive para o Brasil.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Ateneu, “crônica de saudades”

Por Luana Maia
Professora de Literatura
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Os principais vestibulares do país deixaram de abordar apenas questões gramaticais na prova de língua portuguesa e passaram a exigir, com um merecido destaque, questões interpretativas de obras literárias.
Em Mossoró, a universidade que dá ênfase à literatura, com tais tipos de questões em suas provas para o vestibular, é a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), que para o próximo concurso indicou cinco livros de grandes mestres literários, entre eles o nosso brilhante Antônio Francisco. Dos cinco livros exigidos, O Ateneu, de Raul Pompéia, é o único romance do século XIX e, por isso, o que encontra maior dificuldade de compreensão por alguns alunos que não possuem a intimidade com a linguagem desta época e a sensibilidade para desvendar as inúmeras metáforas presentes no romance. Neste sentido, abordarei algumas observações relevantes acerca do estilo do referido autor.
Raul Pompéia nos deixou sua grande obra O Ateneu, “crônica de saudades”. Primeiramente o aluno-leitor deve saber que uma crônica apresenta relatos do cotidiano e que as aspas indicam uma ironia, visto que, o narrador deste romance na verdade não sente saudades do seu passado, pois foi uma época na qual ele viveu infelizes momentos no Colégio Ateneu, onde presenciou cenas de hipocrisia, egoísmo, bajulações, homossexualismo entre outros. Costumo dizer em sala que Raul Pompéia reuniu em seu livro traços de Machado de Assis e Aluísio Azevedo, ou seja, uma mescla do estilo realista e naturalista. Neste romance ímpar da nossa literatura, Sérgio, narrador-personagem e alter-ego (outro eu) de Raul Pompéia, narra (na fase adulta) seus momentos de angústia quando aos 11 anos de idade foi estudar no Ateneu. Em sua narrativa, Sérgio denuncia toda a gama da baixeza que existia em uma escola de renome no Rio de Janeiro. A necessidade de não se envolver pelo homossexualismo, de se mostrar forte, de apresentar o diretor do colégio (Aristarco) como uma figura hipócrita e gananciosa, que bajulava os mais ricos e humilhava os mais fracos, mostra o traço realista de Raul Pompéia em criticar a sociedade carioca da época, pois o internato na verdade era o pequeno mundo que representava toda a sociedade burguesa do Rio de Janeiro, a mesma que também foi desnudada por Machado de Assis, aquele que mostrou que os fortes dominam os mais fracos. Além desse aspecto de denúncia que é feito em uma linguagem acadêmica, marcada pela correção e obediência aos padrões gramaticais (aconselho o uso do dicionário), Raul Pompéia por várias vezes compara os personagens a animais objetivando mostrar que o físico pode revelar traços do caráter das personagens. Nestes momentos de metáforas o leitor deve perceber que o autor utiliza o estilo naturalista, pois foi nesta escola literária que o zoomorfismo se fez presente no intuito de revelar que o ser humano é um animal movido pelos instintos, daí a presença tão forte do homossexualismo na obra. Os meninos tímidos são vistos como moças ao desamparo, contrariando todas as características românticas anteriores.
Os personagens são caracterizados de forma caricatural, com a intenção de deformar, como se Sérgio estivesse vingando-se do seu passado e de todos que faziam parte do Ateneu. Não se pode esquecer que D. Ema (esposa de Aristarco) é vista pelo personagem Sérgio de forma ambígua: mãe (anagrama de Ema) e ao mesmo tempo uma mulher por quem tinha uma paixão platônica.
No livro, não há propriamente um enredo, as cenas são apresentadas como recordações, de forma não linear.
Ao término do romance, o Colégio Ateneu é incendiado por um aluno (Américo). Segundo os críticos, foi a “vingança” do próprio Raul Pompéia na obra, visto que, este também estudou em um internato (Colégio Abílio) e por motivos ainda não bem explicados suicidou-se na noite de natal de 1895, saindo da vida e ironicamente entrando para imortalidade através de sua obra. O Ateneu é um verdadeiro mergulho na psicologia da alma infantil, ao mesmo tempo em que é uma crítica ao sistema educacional então vigente nos internatos.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O que faz de nós sermos brasileiros?

Que elementos estão presentes na construção da identidade nacional de um povo? A etnia? A língua? A política? Com certeza todos esses elementos estão presentes no processo, no entanto, a identificação nacional se constrói historicamente a partir não só dos traços mais substanciais como a religião, por exemplo, mas também a partir de pequenos traços e manifestações sociais como o futebol, a música e as danças típicas a exemplo do forró e da capoeira. Às vezes, algumas nações se firmam como uma negação a outra, sabiam? É o caso da Argentina. Um dos traços de identificação naquele país é o sentimento anti-Brasil, não só no futebol, mas também na economia. Tal sentimento às vezes é confuso. É como diz um famoso autor Argentino: “Os argentinos amam odiar o Brasil ou odeiam amá-lo?”. É, nossos povos servem como elemento de identificação cultural-nacional um para o outro, afinal, é muito bom ganhar da Argentina no futebol!
O Brasil é uma grande nação, de grande projeção internacional - menos do que merece e do que gostaríamos, é verdade. Só para citar um exemplo de nossa influência, a língua portuguesa, que não teve origem aqui, mas se reinventou por cá, é ensinada como segunda língua em escolas de alguns países aqui da América do Sul. Notadamente na Argentina. Estranho, não? Por falar em língua portuguesa, o Brasil é também um elemento de identificação cultural nas terras “d’além mar”, em Portugal. Novelas, filmes e músicas brasileiras são muito consumidos por lá. Talvez a nossa pátria irmã seja hoje o país que mais consome cultura brasileira. No dia de nossa independência, neste ano, o apresentador do principal telejornal português deu a seguinte notícia: “E hoje faz 508 anos da independência daquele que foi o maior investimento externo de Portugal: O Brasil, o nosso irmão”. Verdades históricas à parte vejam que o Brasil não foi tratado como uma ex-colônia, e sim como um “investimento externo” e “irmão”. Talvez ate pudesse nos chamar de “filho” - afinal, há quem diga que somos uma invenção de Portugal.
Com certeza ainda temos muito que melhorar. Talvez tenhamos de criar um projeto de longo prazo para a fundação de um país mais igualitário e justo. Nós brasileiros temos um papel fundamental na recriação desse nosso imponente país. Durante a época dos militares falava-se em fazer de nós uma potência. Pois bem, hoje, inegavelmente, somos uma importante potência econômica no contexto global. Somos a sexta maior economia do mundo – segundo o Banco Mundial-, metade de tudo no continente sul-americano, maior investidor externo do nosso subcontinente, 33% da economia da América Latina, exportador de aviões, lançador de satélites, 2ª maior potência agrícola do planeta e portador de uma das maiores populações conectadas à internet no mundo, aproximadamente 40 milhões de pessoas. É possível dizer que o Brasil é um país pobre? Não! Nós somos um país injusto, não pobre! Quiseram fazer de nós uma potência econômica, somos. Por que não agora querer fazer de nós uma nação justa e igualitária? Aí sim daremos razão para que um caboclo amazônico, um sertanejo nordestino, um boiadeiro do Centro-Oeste, um mineirinho, um malandro carioca, um paulista e um gaúcho digam: “Nós somos, orgulhosamente, brasileiros!”.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Os emergentes entram em cena

O Brasil esteve sediando o encontro do G-20, onde se realizou uma discussão prévia sobre o quê iria ser tratado no próximo encontro do grupo que acontecerá em breve em Washington, nos EUA. A temática, claro, foi a crise financeira que vivenciamos. A China aproveitou o embalo para anunciar, aqui no Brasil, o seu pacote de mais de 500 bilhões de dólares para combater os efeitos da crise lá. Sem jeito, o país já vai crescer uns cinco pontos percentuais a menos do que o anteriormente esperado para o próximo ano. Aliás, nós, a Índia e a Rússia também cresceremos menos, mas cresceremos. Eis a diferença. Nós vamos sair dessa crise ainda mais importantes economicamente do que entramos. Apesar de termos impactos sérios em nossas economias e de a crise ser global, continuaremos puxando o ritmo do crescimento do mundo, ainda mais com EUA, Inglaterra e Japão em recessão. Talvez essa seja a hora para conseguirmos mais espaço, para avançarmos em alguns pleitos antigos nossos, como, por exemplo, a reformulação do Conselho de Segurança da ONU - quem sabe o Brasil não consegue um assento permanente -, e maior poder de decisão no FMI e no Banco Mundial, só para começar a lista. ,
Já passou da hora de o mundo ser mais multilateral. Instituições construídas no contexto do pós-Segunda Guerra já há muito estão obsoletas. Os EUA serão a maior potência ainda por muito tempo, mas nós temos que saber como negociar, como nos impor, caso contrário, seremos eternamente submissos e irrelevantes.

sábado, 8 de novembro de 2008

2010: Dobradinha Lula X Aécio?

Por Bruno Balbino
Professor de História

Desde a reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva(2006) comentei na roda de algumas discussões entre amigos ou até mesmo em sala de aula que o grande desafio do PT seria o pós-Lula. Inclusive, adiantei-me as previsões de alguns colegas sobre a possibilidade de uma dobradinha Lula X Aécio. Alguns diziam: É cedo! Outros: que argumentos fundamentam essa idéia?
Primeiramente, é preciso entender que o grande vencedor de todo o processo político envolto da estada de Lula na presidência é ele próprio. A reeleição demonstrou que o PT e Lula são dois mundos separados, o primeiro ligado a um passado caracterizado pela luta, pelo labor, pela audácia dos discursos ferozes contra toda ordem do capital e todas as turbulências que a exploração capitalista trazia ao universo dos trabalhadores e do ‘povo’. O primeiro teve no presente a marca do seu declínio enquanto instituição vanguardista da ética política, os microfones com cabos de vários metros sujos no chão, os palanques acoplados de uma massa que não é uniforme e homogênea, caracterizavam o passado que foi a marca do instrumento da ideologização das massas, mas que agora estava engessado apenas no seu passado. Contudo, o PT conseguiu consolidar a sua razão de ser: a presidência da República. Foi o próprio partido que articulou, juntamente com o presidente, o corte umbilical para livrar Luís Inácio dos escândalos do mensalão e companhia limitada a fim de mantê-lo(Lula) nos ‘braços’ do povo. O plano foi um sucesso! Boa parte da nação pôde cuspir, rasgar até fazer chacota sobre a bandeira vermelha da estrela solitária, mas aplaudiu, arrepiou, chorou, gritou o Silva dos brasileiros. Se o PT fez de tudo para livrar ao máximo a figura intocável do presidente a recíproca- por mais que Lula tentasse- não foi verdadeira. Lula até agora não vem demonstrando ‘paqueras’ com nenhum possível herdeiro petista. Os nomes são muitos: Tarso Genro, Dilma Roussef entre outros. Contudo, a grande questão que se coloca é: Quem?
O PT viu ao longo do desenrolar dos escândalos políticos, envolvendo deputados, senadores, ministros e terceiros ligados ao partido dos trabalhadores, que a fome de governar sozinho deve ceder espaço para a ‘governabilidade’. Partilhar ministérios, estabelecer uma redistribuição dos principais cargos do Congresso era uma atitude que deveria ser tomada antes da podridão dos acontecimentos corruptos. Destarte, a fome, a ganância, o desespero gerou uma azia. Retomar o carro das propostas governamentais planejadas pelo governo era prioridade. Dá, chupa, derrama sangue, mela, manda, lava dinheiro. Resultado? Compra de partidos pequenos. Triste fim de uma saga calcada no apego à ética e os valores morais da política. Contudo, o PT já caminha para rearticular a desgraça de outrora: Dialogar com a base, isto é, o PMDB. Os diálogos são progressos. Talvez a resposta para isso seja o apoio futuro de Lula ao candidato que o PMDB lançará. Será uma dobradinha Aécio-Lula...?
Nessa semana o governador de Minas Gerais Aécio Neves(PSDB) recebeu o convite para uma conversa com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP). Nessa conversa o peemedebista flertou em direção ao nome de Aécio Neves para presidente da República em 2010. Nesse sentido, o flerte do PMDB com o governador Mineiro abre um possível caminho para o processo da sucessão do presidente Lula do PT. Esse ínterim se dá pelo fato de que “o vampirinho brasileiro”, vulgo José Serra (ordem trocada, estratégia da narrativa) aprecia e agracia o seu nome para a candidatura tucana em 2010. Dentro do PSDB José Serra é mais cotado do que Aécio Neves, mas se o segundo visar à pleiteada a presidência... presumo um racha. Talvez essa primeira comunicação envolvendo líderes do PMDB com Aécio seja um início para uma invenção de um candidato pós-Lula, ou seja, Aécio.

A vitória de Obama e o mundo pós-Bush

A vitória de Obama empolgou a (quase) todos, sobretudo devido ao seu histórico simbolismo. É realmente incrível a chegada de um negro à Casa Branca. Isso por que a "América", terra da liberdade, parece por vezes não ter garantido a todos os seus cidadãos tanta liberdade assim, sobretudo àqueles com pele de cor mais escura - basta lembrarmos-nos das leis de segregação que eram muito parecidas com as do apartheid. Por si só a vitória de Obama é um fato único e o conteúdo do seu slogan de campanha "Yes, we can!" (Sim, nós podemos!) foi de fato muito apropriado.
Mas, sinceramente, essa discussão sobre o que essa eleição significou para dentro dos EUA, sinceramente, não me traz grande interesse. Eu sou brasileiro, um cidadão do mundo e a mim realmente interessa saber quais as repercussões que essa vitória trará a nós que não somos estadunidenses. Assim, antes de discutirmos o episódio Obama, em si, é de suma importância termos claro que ele receberá um legado trágico de seu antecessor, o querido Bush, que tem dado grande contribuição para atual ebulição geopolítica por qual o mundo passa, senão vejamos:

· Duas guerras com envolvimento direto dos EUA (Afeganistão e Iraque);
· Tensão internacional envolvendo Rússia, União Européia e os próprios EUA - é só lembrarmos o recente caso da Geórgia;
· Uma recente guerra Israel-Líbano com grande influência americana no resultado final;
· Os casos do Irã, da Venezuela e da Síria;
· Beiramos o colapso ambiental e os americanos – inclusive Obama - nem sinalizam da hipótese de assinarem Kyoto;
· Presenciamos o trágico esgotamento do mercado financeiro mundial, o que nos garante o prazer de sermos contemporâneos de uma das maiores crises do capitalismo.

Como então esperar que todos esses problemas se resolvam a partir da posse de Obama? Sinceramente, sou muito cético. O mundo pós-bush é cheio de sentimento antiamericano e desequilibrado economicamente: Os EUA estão à beira da recessão e têm um déficit público anual de mais de um trilhão de dólares. Decididamente teremos todos nós anos difíceis pela frente.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Leitura significativa: Um meio de formar leitores competentes



Por Daniele Souza


(Pedagoga e especialista em educação)


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Como educadora vejo que a leitura é uma condição essencial na nossa sociedade. Hoje a maior preocupação de nós educadores é a de como formar leitores, mas os que consigam compreender e interagir com o que está sendo lido e não aqueles que fazem uma leitura por imposição do professor ou para fazer uma prova, por que essa será uma leitura sem sentido. Paulo Freire diz: A leitura tem de ser prazerosa, pois assim ela nos permite viajarmos por lugares nunca antes imaginados.

Como leitores não devemos aceitar as opiniões prontas, temos sim que emitir as nossas próprias opiniões sobre o assunto. Mas quando não compreendemos sobre o que queremos expressar podemos procurar em várias fontes, tais como: revistas periódicas (Veja, Carta Capital, Semana, Super Interessante, entre outras) Jornais e a Internet. Temos hoje acessos às mais diversas publicações impressas ou não, cabe a nós selecionarmos e aproveitarmos esse prazer. Boa leitura para vocês.

domingo, 2 de novembro de 2008

Eleições dos Estados Unidos

Outro tema da hora. Uma eleição americana é - ou pelo menos deveria ser - problema dos americanos. Sinceramente, enche-me o saco o fato de termos que estar preocupados com o resultado de um processo eleitoral que ocorre nos EUA simplesmente pq eu acho que o mundo já deveria ter desenvolvido mecanismos de negociação multilaterais que nos deixasse mais ou menos imunes às loucuras de um Bush ou de um Mccain da vida. Somos muito vulneráveis aos EUA. Se um presidente do Brasil não assina Kyoto o mundo se acaba e a pressão internacional funciona, mas se é um presidente estadunidense não acontece nada, aliás, se ele quiser, pode até atacar um país ao seu bel prazer, destroçá-lo, liguidá-lo, varrê-lo do mapa, que não acontece nada, nada. Não lhes chama atenção o quanto o Iraque é cada vez mais um tema só americano e não iraquiano propriamente dito? E o mundo, o que faz? O que fazem os líderes europeus que defendem a integração mundial e a democracia acima de tudo? Aquilo no Iraque é democracia? Aquilo é "a marcha da liberdade", como disse Bush? E o Japão? E os "BRICS", silenciam-se? Claro! Falta-lhes fogo. Isso é um absurdo! Enquanto isso o Iraque vai se tornando cada vez mais um ex-país. O problema é que isso pode acontecer com outros no futuro.

Essa charge eu vi no site do "The New Yorker", um jornal americano. Chamou-me a atenção o preconceito implícito nela. Trata-se de Obama vestido de árabe, apertando a mão de sua mulher, uma guerrilheira com traços negróides fortes. Ao fundo estão um quadro do Osama Bin Laden e bandeira americana queimando na lareira. Visão mais conservadora e preconceituosa impossível! É incrível como ainda há uma grande parcela da população americana - eleitora dos republicanos - que simplesmene rejeita a idéia de mudança. É incrível como em um país que se diz a maior potência mundial, berço da liberdade, da democracia e do liberalismo, temas frívolos, bobos e desimportantes para uma eleição, como a religião de um candidato, ainda tomam as primeiras páginas de um jornal e ainda são capazes de fazer muita gente mudar de voto. O povo lá não tá preocupado se Obama ou Mccain vão resolver a gigantesca crise em que eles estão, parecem estar mais preocupados em saber se os candidatos são cristãos ou não.

Todas as pesquisas apontam para a vitória de Obama, mas eu tenho as minhas dúvidas. Muita água ainda vai rolar até o dia 04 de Novembro. O processo eleitoral lá não é confiável, é muito passível de fraudes, os interesses em cima dessa eleição são enormes. Eu prefiro não fazer prognósticos e aguardar. Não tenho que torcer por nenhum, não sou americano, mas, entre o extremo atraso (Mccain) e o atraso moderado (Obama), fico com a segunda opção.

Ainda sobre ao quê se presta esse blog

Este é uma espaço pra discussões, debates, assim, quem tiver interesse de publicar algo aqui, fique a vontade, é só me mandar um e-mail que eu publico, desde que seja sério, claro. Afinal, aqui não é um espaço pra bobagens.
Eu vou convidar alguns amigos meus - professores ou não - para escreverem alguns artigos, se eles tiverem interesse publico.